domingo, 26 de outubro de 2008

O encontro julgado

(Texto de 24 de abril de 2005)

     Estranho é sentir um equívoco de sentimentos. Estranho ter sentido isso num encontro tão... Chamaria eu, isso de culpa por ter sido guiado pela emoção ao invés da razão? Minhas palavras de personalidade aparentemente sólida transfiguraram-se em pontos de interrogação e ao que parece, tornaram-me sofista. Pensei eu que transparecia os antônimos grudados em minhas frases, porém me mostrei apenas montado em minhas quatro patas que se fizeram presente no meu ato de errar. Questiono meu fracasso humano como algo inesperado de razões muitas. Centrado estaria eu ao não cometê-lo ou ao fazê-lo como assim o fiz? As situações puseram-me pensativo dentro de um conflito com o qual não sei mais como lidar dentro de mim. Os olhos alheios puseram-me assim mas entendo o não entender. Questiono novamente meu ser tão visivelmente afetado com estas questões pendentes do chamado “inicio do término de uma amizade”. Embora não acredite que algo único possa acabar. A dopamina daquele momento fez-me sentir arrependido de não ter sentido o velho gosto amargo na boca quando a saliva da angústia trancava em minha garganta. As lágrimas do ataque de choro do dia seguinte tornaram-me desequilibrado. Deveria eu ter guardado apenas a mim a brutalidade das palavras dos momentos em que detestei nosso afastamento e que sangrei, porém, seguro de que estava dentro de um quadro psicológico normal àquele sentimento de instante, acabei as expulsando com a ajuda destas cordas vocais impregnadas com o sufoco, expelido pelos desabafos. Me torturo agora a essa razões. 

     Desconheço em mim, situação como esta em que hesitei em falar e isso me faz a partir de então comprometer-me com meu silêncio. Será difícil para mim sentir-me agora confortável em mostrar-me exatamente da maneira como me sinto. Sinto-me diminuído ao grau que orgulhosamente acredito que meu ser evoluiu ou sinto-me apenas um humano que mesmo sentindo sentimentos antônimos dentro de si por aquela pessoa tão importante e única, deixou ser levado pelo que supostamente naquela hora se fez melhor? Ao menos não me sinto covarde ao admitir essas coisas, pois a covardia é algo que não cabe em mim. Sinto-me ausente ao lembrar do encontro e pergunto-me por que não me preparei antes de tê-lo. Me culpo por sentir-me ausente pois assim me sinto por ter criado lados adversos dentro de mim mesmo. Alguém perdoe minha criação! No entanto, sinto necessidade de expressar minha ação no desejo de sentir-me em paz entre o que eu disse antes e o que fiz depois. Não apaguei de minha memória as mágoas que por tempos me doeram e ainda doem, mas... Se pareceu contraditório, dou àquele encontro outro significado para que meu Ser pequeno tão interessado em aprender sobre si mesmo possa tirar proveito disso e usar quando em outra ocasião for inevitável acontecer. Digo que foi um momento em que minha reação foi o reflexo dos vários sentimentos que misturados tornaram difícil o ato de não aceitar que as palavras que ouvi despertassem em mim velhos sentimentos antes somente bons e que por outrora estavam esquecidos devido à ocupação presente de sentimentos tão contrário a eles. Foi algo que não pude evitar devido à ação que eu não esperava e a reação que se fez. Tento entender que fez parte de um momento em que por mais magoados que estivéssemos um com o outro, não conseguimos simplesmente deixar isso ser mais forte que o amor que nos faz ser tão importante um para o outro. Fomos grandiosos e ao invés de criticados deveríamos ter sido aplaudidos. 

    Sinto-me carente de desculpas e minha ansiedade desde então é por um diálogo definitivo. Aquele abraço apertado e as coisas que me disse segurando em meu rosto e olhando no fundo de meus olhos despertou-me para um entendimento. Não sou o dono das razões e nem quero ficar remoendo coisa alguma. Acredito que os momentos mudam e a vida às vezes nos faz engolir coisas que dizemos. Aliás, a vida muda muito e esse foi o ponto onde todos os conflitos começaram. Embora isso não nos tire os grandes erros que cometemos. Neste caso, só não entendo o não entender. Quero aceitar os conflitos pelos quais vou passar na vida com a clareza de quem consegue entender sentimentos. Questiono o tempo e as situações em que o destino me coloca. Devia eu ter evitado aquele abraço só porque havia comentado sobre o quão grande era a mágoa que eu sentia? Deveria ter dado o abraço, me fingido de surdo e esquecido as palavras de uma das pessoas que mais me ama profundamente? Ou deveria ter aproveitado e ter feito daquele momento a união de nossas almas rompidas? Nada disso fiz. Essa situação colocou-me ambivalente desde o inicio e pensei ter me mostrado transparente a esse sentir. Minha tortura mental está desgastando meus pensamentos e minha postura em relação ao que sinto tem me deixado confuso. Ao que demonstrei aos outros sentir, ao que sinto aqui dentro e ao que não quero sentir. Deixo de ser agora alguém vulnerável ao ambiente de conversas de alívios das dores emocionais para me manter protegido de minhas próprias palavras. E reafirmo a posição a tudo que envolve o sentido do que escrevi aqui. Contudo o encontro que me fez errar pelas coisas que disse que não queria ter feito e fiz, mesmo tendo me deixado confuso e agora recolhido mostrou-me que minha evolução pessoal segue adiante e que espiritualmente consegui ainda que inconscientemente mostrar a mim mesmo que o amor não pode ser menor e mais fraco do que as mágoas e isso me torna um curioso observador de minha própria vida que tenta encontrar a base certa para manter uma condição emocional equilibrada. Sinto um grande amor por essa pessoa com quem compartilhei os momentos mais profundos, os segredos mais escuros e as alegrias mais empolgantes da minha vida. Sem que ela saiba, continua sendo parte concreta de meu espírito e mesmo que "nosso antes" não exista mais, sei que um dia encontraremos o caminho certo da aproximação. Um só espírito dividido em dois corpos era o que éramos... E precisamos saber como voltar a ser. Meu amor nunca diminuirá. Torno-me apesar disso, uma pessoa ponderada a fim de desenvolver minha capacidade emocional à meu favor. Estranho sentir um equivoco de sentimentos. Me torturo agora a essas razões. 

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