domingo, 19 de outubro de 2008

Palavras Pensadas

(Texto de maio de 2001)

     “Deitado no chão puro, rodeado por imagens ofuscadas pelo vento que soprava forte e que fazia com que eu sentisse a brisa fria tocar minha pele, eu estava. Meu olhar perdido atingia o alcance daquele imenso céu estrelado. Percebia o quanto somos pequenos diante dele e o quanto somos grandiosos quando deitamos no chão puro para observá-lo. Meus olhos pareciam de vidro. Eu podia ver estrelas se deslocando e caindo no infinito do céu, eu podia enxergar o mundo diante dos meus olhos, eu podia sentir o cheiro de liberdade invadindo meu sentido de olfato. O céu ficava tão longe e ao mesmo tempo tão perto... Eu podia senti-lo. Deitado no chão puro, iluminado pela luz da lua cheia, ouvindo sons, ruídos da noite, eu estava. Procurando entre as estrelas o sentido de não encontrar sentido em sentir o que eu sentia. O vento conduzia meus pensamentos, as estrelas clareavam as sombras de minhas dúvidas e o silêncio purificava meu espírito. Era como se eu tivesse falando calado, vendo cego, dormindo acordado. Deitado no chão puro, me procurando entre a imensidão, eu estava. Sentindo a sensação de conseguir sentir o silêncio das palavras pensadas e o som do sentido das coisas. O barulho das folhas trêmulas das árvores trazia o vento da manhã. Já estava amanhecendo a lua perdia aos poucos seu brilho, só então fechei meus olhos. Senti as palavras que há tempos meu coração não pensava. Deitado no chão puro, coberto pelo vento, eu estava, dormindo, sentindo minha alma, insano no meio da rua. Encontrado na imaginação e perdido entre o céu, as estrelas e a lua...”