sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Entre o que não podemos deixar pra trás e aquilo que talvez nunca encontraremos

    Agora em todo domingo, chega uma certa hora em que me sinto do mesmo jeito! Pensando no que vim buscar aqui nesta cidade, no que preciso me agarrar para manter o entusiasmo, em o que posso fazer para me sentir bem. A cada dia na verdade, há uma hora assim, mas que especialmente no domingo, piora! Nessa mudança toda de lugar, de vida, de pessoas, me concentrei apenas na busca e esqueci de pensar que talvez poderia não encontrar aquilo que procurava. Estes são os chamados, riscos! Você até se concentra em um caminho, mas nunca sabe como estará a estrada que te guiará! E eu tenho entrado em vários atalhos errados, não tenho interpretado bem as placas. Nesse momento atual da minha vida em relação ao que tenho conseguido no trabalho, me encontro numa fase "tão parada"! Tenho me sentido sem ações e isso me faz ter análises não muito boas de como as coisas poderão manter-se! Tenho me sentido nada criativo, sem idéias e com minha habitual falta de vontade de "envolver" as pessoas. Meu relacionamento com pessoas não está diretamente relacionado ao que "tenho que conseguir com elas, ou delas". Como já mencionei várias vezes, o "ter de, ter que, adquirir" não são partes consideráveis em mim! Minha relação com a comunicação que tenho ou minha habilidade de conversa, se relacionam com o que posso usufruir com elas. Sem intenções! Quando preciso usá-las com intenções de vendas, me torno quase mudo! Mas vem a tal da sobrevivência e me desgasta a cada domingo, a cada início de nova semana! 

     Quanto tempo alguém consegue realmente fingir estar bem com o que faz da vida quando não gosta de fazer o que se faz na vida? Quanto tempo até encontrar a oportunidade correta? Quando chega essa época do ano geralmente ficamos mais reflexivos. Tempo de balanços, de auto análises, de justificativas. Tempo de pensar no que se fez, no que deixou de fazer e no que pretende para o próximo ciclo! Erros, acertos, alegrias, tristezas! Tudo parece funcionar como propagandas de finais de ano! Menos a realidade. Eu sei que sou do risco, da liberdade! Mas às vezes, queria apenas sossegar em um canto! Sentar e aguardar sem precipitações, sem tanta pressa! Isso me envelhece aos poucos, meu rosto, meus olhos! O problema é que o "jogar-se" me fascina! Nem que seja para me arrepender no meio da aventura! Na verdade queria mesmo era manter, ou seguir, ou voltar sem tantas preocupações, sem tanto medo de fracassar. O medo de fracassar me perturba antecipado, quase sempre! Eu queria me mover sem estar dividido nas escolhas, na estrada, no meu papel, em minhas obrigações, responsabilidades, prioridades...Na verdade eu só não queria estar dividido entre coisa alguma.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O sintoma das palavras

     Relendo algumas coisas e relembrando outras que já escrevi direcionado à alguém, em se tratando de mágoas, percebi que minhas palavras são por vezes severas demais. Talvez isso aconteça por que acumulo as coisas durante um bom tempo, coisas que eu deveria tratar no mesmo instante. Então, essas coisas guardadas acabam por ser expelidas depois junto com outras, aproveitando os tais momentos de coisas a dizer, o que as tornam piores. Momentos intensos, doloridos! Sei o que causo quando escrevo algo. Porém, as palavras são sintomas vivos daquilo que também me afeta. Sintomas que rompem minha barreira do silêncio enviando os mesmos sentimentos que sinto. Nunca será justo apenas uma parte sentir a dor. Porém da mesma maneira como não aceito alguns atos, essas pessoas não precisam aceitar minhas palavras. Algumas coisas são ditas devido as circunstâncias e o ambiente que estamos vivendo e às vezes saem com mais força do que foram tratadas a sair. E eu peço perdão por isso! Não quero de forma alguma me tornar frio ou desiludido com todas as relações pessoais por conta de algumas. Não se pode igualar pessoas. Cada uma com seu tipo, seus defeitos e qualidades, seus anjos e demônios. Cada uma, com o seu pouco de tudo. Antes, eu sempre era visto como alguém que escondia o que eu pensava e por conta disso lá estava eu mandando uma carta ou bilhete dando o meu recado, recados que a minha voz não tinha coragem de expressar, recados que machucavam, que feriam às vezes mais do que minhas feridas. Mas era a minha maneira covarde de contestar as coisas. De dizer que não gostei de algo ou de falar que precisava de mais. Duas das minhas grandes amigas dessa época receberam escritos meus que certamente doeram, e que hoje me arrependo. Talvez eu não precisasse ter exposto tanto o que sentia embora de alguma maneira precisasse ser dito. Nunca me arrependi do que eu disse, mas de como eu disse. Poderiam ser ditas em silêncio, que desde então foi a minha escolha. 

     A vida nos dá um amontoado de coisas positivas e negativas que nem sempre sabemos como lidar. Toda a expressão é um indicativo de algo! Esses são meus argumentos em relação a coisas que escrevo, que não são aceitas. Não é nem por serem verdades, nem por serem cruéis, nem por serem doídas. É por serem minhas. Escrever serve como um alívio para meu espirito. Hoje em dia já não "envio" mais nada a ninguém. Fica subentendido, nas entrelinhas, direcionado, mas sem o recebimento em mãos. Sem cartas, bilhetes, e-mails, menos ainda mensagens via celular (meu trauma). Fica perdido em algum texto meu. Prefiro exorcizar em um texto qualquer, aquilo que não me faz bem. Certamente consigo melhorar, é terapêutico. E quando falo de coisas fortes, é porque estou sentindo a necessidade de me livrar delas. É assim que consigo ter a minha resolução de conflitos internos. Sem ter de sentir a total falta de energia de uma discussão que muitas vezes, não resolve nada. Só alastra! Estou aprendendo a me guiar pelos tais sinais do estômago. Se alguém não sabe ainda quais são eles, eis alguns exemplos simples: encontrar alguém que não se quer, rever pessoas que o decepcionaram, ter de enfrentar um conflito pessoalmente.... Entendeu a sensação? Nosso estômago nos avisa se estamos nos sentindo confortáveis em qualquer situação. Eu sigo em frente apenas quando não sinto nenhum sintoma. Assim é com o que escrevo. Escrevo para remediar minhas doenças. Escrevo para me livrar de meus próprios sintomas. Conhecendo a importância deles, porém procurando apenas sentí-los de um outro jeito. É a minha maneira de deixá-los ir mas sem a intensão de que apropriem-se de um novo corpo. Tenham as minhas desculpas!

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Reeditado em 22/05/2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Modesto

      Não me troco por nada, por ninguém! Sou desse jeito assim: confuso, centrado, sarcástico, responsável, desistente, insistente, deprimido, extrovertido, observador, lutador e perdedor nato, aberto, reservado, expansivo, introspectivo, reflexivo, dramático mas sei fazer comédia, sou analítico, preocupado e também sou "pouco me importa". Sou muitas coisas ao mesmo tempo, sou ambivalente em quase todas as formas.. E eis o que tenho de melhor: minha personalidade! Inclusive ultimamente me percebi mutante: "já não gosto mais", "já não vejo mais", "agora eu entendo ou agora não", "antes eu era contra, hoje a favor" ou vice-versa. Pequenas coisas, grandes mudanças. Não troco minha maneira de encarar as coisas, a vida. Meu senso de humor único. Não troco o meu errado tampouco as minhas certezas.  E meu gosto musical então? Ele faz parte de meu informativo. Não troco meu jeito de fazer sexo e não uso nenhuma maneira se não a minha de ter um orgasmo. Eu gozo muito! 

    Não prefiro a maneira dos outros para coisa alguma. Nem minha irritação eu troco. Nem meus enganos. Nem meus quilos,  reclamações, minhas idéias, meus assuntos, meu conjunto. Menos ainda minhas tolices. Quanto a minha "caixa", sim, esta que acomoda meu espírito, bem, não sou nada bonito mas sou profundamente interessante e não troco meu estilo de vestir pelo de ninguém. Tenho ataques de riso, ataques de medo, ataques de choro. Sou praticamente um colapso nervoso e também sou aprendiz Zen. Sou um experimento e um eterno insatisfeito, intrincado em minhas duas doenças maiores "tempo e escolhas". Mas não me troco por nada nem por ninguém. Ninguém além de mim vai saber seguir além. Além das coisas que construo, derrubo e refaço. Além de meus passos. Eu sou uma história inacabada em diária reformulação. Eu sou onde estou e estou onde vou. Eu sou uma criação própria. Quem sabe uma aberração. Eu sou aquilo que eu sinto e eu sinto aquele que eu sou.

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Reeditado em 22/04/2015

domingo, 25 de outubro de 2009

Efeito Placebo: Felicidade!

     Diz-se (em resumo) do "Placebo": é uma substância inerte, sem propriedades farmacológicas, administrado a uma pessoa ou grupo de pessoas, como se tivesse propriedades terapêuticas. Na medicina os objetivos do placebo são, principalmente, para trabalhos científicos onde se quer testar a eficácia de medicamentos através de comparações. Ou seja é uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", usada como controle em uma experiência ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. Em outras palavras, numa linguagem ainda mais simples é como você estar com uma grande dor de cabeça e alguém lhe oferecer um medicamento que na verdade não possui nenhuma substância que realmente fará com que essa dor pare. Porém, ao ingerir, seu próprio pensamento induz essa melhora, o que significa que a dor será curada apenas com o efeito psicológico, o "Efeito Placebo". Que é um efeito real criado pela própria crença ou por uma ilusão subjetiva. Com relação a isso, tenho tomado várias "pílulas para a felicidade". Pílulas inesistentes preenchidas de placebo. Nunca na minha vida busquei tanto ser feliz. Nunca quis tanto me concentrar em coisas positivas. Em rir de verdade, sem exageros. Estou tentando ver o mundo, as coisas, as pessoas de uma outra maneira. Não sem antes expelir o lado contrário de dentro de mim. É necessária essa catarse para a expulsão do que é negativo. Entender o lado bom da dor, o lado bom do sofrimento, o lado bom do descontrole. Para assim aproveitar os tempos de cura, de paz, de equilíbrio. 

     Estou tentando adestrar meu sistema nervoso. Treiná-lo. Já não perco mais peso com minhas preocupções por exemplo, coisa antes, natural. Endorfina? Quantas doses posso obter por dia? Aquela sensação boa após uma caminhada, aquele relaxamento após um orgasmo frenético, aquele bem estar auto-produzido que faz tão bem. Eu quero mais disso. Quanto mais posso produzir? Eu quero ir além. Eu fecho os olhos e me sinto dentro de um som, um som carregado de placebo, onde ele vai cruzando cada vaso sanguíneo. Eu o vejo dentro de meu próprio cérebro, limpando, energizando, transformando o amargo das células, no lado doce das coisas. É como um transe terapêutico.Um efeito induzido em busca de me sentir melhor. Feliz! Tenho usado esse Efeito Placebo constantemente, até que essa experiência encontre os resultados. Em minha prateleira imaginável, há um estoque inteiro das "pílulas da felicidade", guardadas em lugar fresco e arejado, mantidas por minha ilusão, reais em minhas emoções. Não são pílulas da felicidade plena, inalcançável, mas da instantânea, só que prolongável. Eu quero prolongar tudo o que me deixar leve e entender que algumas perdas são necessárias e que os ganhos chegam ao seu tempo.

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Reeditado em 22/04/2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Na Natureza Selvagem (Into the wild)_Meu filme preferido: uma grande filosofia de vida!

      "Dois anos sobre a Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. LIBERDADE TOTAL. Um viajante radicalmente naturalista, que tem morada na estrada. Agora, depois de perambular dois anos, vem a aventura final e grandiosa, a apoteótica batalha para assassinar a falsa criatura interior e a conclusão vitoriosa da revolução espiritual. Sem ser envenenado pela civilização, ele escapa sobre a Terra para perder-se na natureza selvagem." (Alexander Supertramp, maio 1992).
     Esta foi a frase entalhada em uma madeira deixada por Christopher McCandless - o qual usou o codinome "Supertramp" - em um velho ônibus intitulado "Ônibus Mágico" que servira de abrigo, durante sua experiência no Alaska. Eis o enredo do filme que marcou minha vida "Na natureza Selvagem [Into the wild]". Ele é inspirado na história real de Christopher, um jovem que após concluir seu curso de faculdade, abandona a vida de conforto para buscar a liberdade pelos caminhos do mundo. Doa todas as suas economias, cerca de U$24 mil para a caridade, coloca uma mochila nas costas e parte para o Alaska a fim de viver uma verdadeira aventura e um desafio supremo.
      Quase um ano e meio depois de assistir o filme pela primeira vez (seu lançamento foi em 2007), reassistí-lo foi um grande prazer. Em minha obsessão por música, novamente assisti ao filme apenas por saber que toda trilha sonora era assinada por Eddie Vedder, um de meus ídolos, vocalista do Pearl Jam. Músicas que moldam o personagem do filme sob uma filosofia única, se tornando a trilha da minha própria vida. E de novo tive a mais grandiosa surpresa, já que cada filme que escolho somente por sua trilha sonora, tem me mostrado as melhores histórias que eu já assisti. A história aqui, trata de uma visão sobre a vida diante da sociedade e da sociedade diante dessa vida. É um filme reflexivo, inteligente, impressionante e profundamente belo, interagindo com paisagens incríveis. É uma fuga daquilo que se foi programado pra ser. É uma fuga daquilo que os outros esperam de nós em tempo integral. As pessoas já nascem com essa pressão: ser o melhor que puder; ir o mais longe que puder; voar o mais alto; ser o mais rápido; ser o mais forte que puder; ter a ambição pelo posto de primeiro lugar; ter destaque. Correr, correr, correr e se dar bem na vida! "O meu filho será Doutor!" Projeções inaceitáveis para uma criança que se quer abriu os olhos. Projeções daquilo que não foi realizado geralmente pelos pais,  atravessam gerações como se fossem parte de uma maldição capitalista. O personagem do filme, apesar de seus vinte e dois anos, aguentou até onde seu limite permitia, a vida que talvez, seus pais sonhavam à ele. Até que se cansou também das imposições da sociedade. Afinal o que é ser alguém na vida? Ele estava no caminho certo, aquele caminho moldado nas receitas, com se fosse ordem médica. Porém o melhor aluno, que teria uma carreira brilhante, pensou se realmente seu futuro promissor lhe traria alguma felicidade. E decidiu, ser feliz sozinho. Preferiu ficar longe de tudo aquilo que moldava a vida que ele não optou ter: lhe fora incumbido. Preferiu a distância. Quis provar que era possível viver fora dos parâmetros da sociedade. Aventurar-se, ganhar sabedoria. E quando voltasse dessa viagem, publicaria um livro, baseado em seu diário de bordo e concluiria o seu próprio estudo sobre a vida. Deixou que as outras pessoas vivessem suas mentiras em algum lugar onde ele não se fizesse presente: a família perfeita, o trabalho perfeito, as crianças perfeitas, a vida como tinha de ser, perfeita! Cada cena, evoca um questionamento automático do cérebro. Não há como simplesmente assistir sem fazer parte.
     E então eu, assistindo o filme pela segunda vez, me senti do mesmo jeito, da maneira exata como me senti naquela primeira vez. Numa mesma situação de quase rendição ao sistema: "procurando mudar de vida, de emprego, de renda, de reclamações, de fisionomia". Às vezes, acredito que eu não pertenço a esse mundo do "ter de, adquirir". Eu não quero nada além do que possa me manter. Eu não nasci para construir nada consistente. Nada sólido. Não preciso de muito. Aliás de quase nada: me manter em "meu canto", ter um sustento, uma estabilidade, segurança. Sem consumismos. Tenho os móveis e objetos em casa necessários para minha passagem por esse plano, para minha interação, nada além do que é básico. Mas se posso viver com esse básico, por que eu quis mudar de cidade? Porque eu quis ter além do que eu já tinha? Que garantia eu busco nisso tudo? Melhorar, melhorar, melhorar.Pra quê/ Por quê/ Pra quando?
     A sedução capitalista que envolveu parte dos meus últimos textos, é o veneno que corre ao lado e é base do pensamento que leva o filme. Esse paradoxo entre minha liberdade e a estrutura de vida que eu poderia ter me dilacera, me desmonta, me degrada. Então, eu tento buscar o ponto de equilíbrio. Quantos de nós não sente vontade de pôr uma mochila nas costas e seguir com ou sem rumo? Esquecer desta vida fabricada desde criança, esquecer algumas regras, esquecer o olhar dos outros. Esquecer da dita "sociedade-controladora-manipuladora", dos julgamentos, do dinheiro, do dinheiro, do dinheiro. Mas será que não bastaria apenas mudar a maneira de como enxergamos as coisas? "Admitir que a vida é guiada pela razão é destruir a possibilidade de viver". Deveríamos nos permitir a usar mais nossas emoções. Há um bom tempo ando descontente com os rumos que as coisas tomaram,  com os passos incertos que dei, com a vida que fui criando pegando atalhos. Talvez não seja a vida, seja apenas eu. É que apesar de todas as conquistas sempre há algo que falta. Como se algumas lacunas estivessem ali, nunca a serem preenchidas. Ou talvez foi o desgaste de energia de todas essas conquistas que me tornaram assim. Ou talvez, esteja apenas cansado. Se essa luta é o que impulsiona a vida, não sei. Sei apenas que no fim das contas, nos dá alguma que outra sabedoria. Esse estado de descontentamento é imensamente pessoal. É assim que me sinto quando mexo com minhas dúvidas. É assim que me sinto a cada risco tomado, embora do medo, jamais queira me desfazer por completo. "O âmago do espirito do homem advém de suas experiências."
     No agora, entendo que é sempre mais poético assistir a história dos outros. Eu não sairia no agora com uma mochila nas costas. Até porque a filosofia da liberdade é emocionalmente encorajadora mas racionalmente não é sustentável por um longo tempo. Eu sentiria falta do café quente, da coberta limpa, do barulho do chuveiro, de acordar ao lado de quem se ama e traçar os planos do fim de semana. Eu sentiria a minha própria falta! Porém pensar em liberdade, é pensar em seguir em frente: "A liberdade e a beleza simples são boas demais para desistir." Para alguns só se pode ser livre depois de ter tudo: não pra mim. A história de "Na natureza selvagem" me serve como uma válvula de escape. Cenas de uma vida que ousou seguir o caminho contrário das coisas, contada no hoje como proeza de um passado mas que segue tão junto à minha própria linha de raciocínio, que consigo me ver por diversas vezes, dentro do filme. Eu me sinto cumplice. Eu me sinto ali, como em minhas tantas fugas internas. Subindo a montanha, atravessando o rio, reaprendendo. Como se o isolamento trouxesse a iluminação. "Não se pode negar que a liberdade sempre nos extasiou. Está associada à nossa mente como fuga da história da opressão e das obrigações entediantes. LIBERDADE ABSOLUTA!"
     Talvez seja necessário para nosso próprio espírito experienciar a solidão provocada, opcional. Nem que seja por um tempo. Nem que seja para sair da fila esmagadora dos afazeres, de nossas indignações. Vivendo uma vida paralela possível, sem pressões, sem apegos, sem sua própria espécie ao redor. Nem que seja para "não ter que", nem que seja como autoanalise. Ou nem que seja pra olhar pra trás e entender que a felicidade só é verdadeira quando compartilhada.
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Guaranteed_Eddie Vedder

domingo, 27 de setembro de 2009

Qual é o seu histórico?

 Nesta semana, mais precisamente na Segunda-Feira, perdi a minha carteira de identidade. Tive que providenciar uma segunda via, pagar por isso e ficar estampado no documento com uma foto ainda pior do que a antiga. Ainda não consegui fazer o registro de ocorrência na delegacia pois estava lotada quando estive por lá, mas é extremamente necessário fazê-lo. Caso contrário no próximo mês é a polícia que invadirá o apartamento à minha procura por um crime que na verdade "quem encontrou o meu RG cometeu". Soa engraçado, mas é bem sério, afinal já não se pode confiar em muitas pessoas! Fiquei analisando durante a semana o quanto é importante termos algo para "provar" quem somos. Mas é realmente a nossa "identidade" que está impressa no documento? A moça que me atendeu, logo mostrou a "minha ficha completa" assim que soprei meu CPF. E eu que pensava ser um tanto misterioso, estava despido completamente em sua frente. Detalhes burocráticos, eu sei, mas ainda assim despido. A palavra "arquivo"e seu significado acabou por me indagar ali.

     Sempre considerei que somos todos arquivos daquilo que já fizemos. Arquivos que carregamos junto durante a vida toda. Alguns em gavetas abertas, outros em gavetas fechadas. E estes arquivos ao contrário do que pensamos, nunca são apagados, por mais que vez por outra usamos o termo "deletar". Em tempo presente cada um de nós é um histórico. Carregamos o histórico do que já fizemos, de como já pensamos, de quem fomos. Onde por mais mudanças que vamos tendo com o passar do tempo, mantemos nossos registros passados, que são sim partes que se fazem atuais nem que seja para se dizer: "Não sou mais assim!". Mas "já fomos assim" e nossa maneira atual de ser não elimina as anteriores. Esconde, mas não apaga! Esse é o porquê muitas vezes ficamos querendo que algumas pessoas sejam no hoje como eram antes e essas pessoas também exprimem esse mesmo desejo sobre nós.  É assim que analiso as pessoas e situações, principalmente quando se trata de mágoas e decepções. Eu busco aquela "identidade"que sempre foi interessante nelas. A primeira, a segunda, até a terceira via, pois talvez na quarta, elas já não são "assim tão interessantes", mas isso não elimina todas as outras. Elas estão em meus arquivos e sempre as procuro em seu histórico! Nem que seja para uma lembrança, para uma lágrima descendo no rosto, para um riso solto. As pessoas são como os discos: um último disco ruim jamais destruirá todos os outros bons, ainda menos aquele incrível. Cabe a cada um procurar ouvir o seu favorito, cabe a cada um deixar tocar em si, o seu preferido para que as outras pessoas possam escutar. Cabe a cada um preferir ficar sempre com a melhor parte, entre todas as partes de que é construída uma única pessoa.

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Reeditado em 22/04/2015

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Síndrome do Arrependimento e Sofrimento Antecipado

     Incrivelmente, com o passar do tempo fui adiquirindo a tal "SÍNDROME DO ARREPENDIMENTO"! Se ela não existe, passa a existir apartir de agora. Minha insatisfação consciente por minhas buscas e escolhas, acabam sempre por me jogar dentro desta síndrome. Minha testa ferve, borbulhando pensamentos. Eu não páro de pensar, um só instante. Até me cansa! Planejo, crio, relembro, desconstruo, reconstruo. Se fecho os olhos, sinto acima deles este peso. Outro dia vendo um progrma de TV, um entrevistado comentou que inclusive adianta o relógio em 12 minutos, para quando alguém lhe perguntar as horas, ele ter de forçar a mente a fazer a conta retirando os tais minutos para assim dizer a hora certa. No alto de seus quase 70 anos, ele afirma que ações como esta ajudam a deixar a mente sempre funcionando. Mas e para ela parar de funcionar um pouco, como faço? Não. Não adiantou fazer Yoga, nem meditação. Até tentei, mas quando via, até cantarolando alguma música eu estava. O problema ,é quando esse turbilhão de pensamentos que não cessa, age dentro de sua cabeça de uma maneira negativa. Já escrevi sobre isso, mas me sinto aos 26 com a carga de alguém de 40 anos. E quando eu experenciar os 40? Minhas preocupações terão que idade? Sempre procuro ser o mais centrado possível, às vezes sinto até que responsável demais. Me permito arriscar até os 30 anos, vendo nos 28, a linha vermelha. Então porque me preocupo tanto com o dito futuro? Porque não aproveito o momento completamente, nunca? Quem me conhece de perto, sabe que sou assim.
        De tempos em tempos crio o meu chamado "Periodo de isolamento interno", então me afasto, me recolho. Contudo, é esse periodo que me ajuda a reciclar as coisas, reavaliar minha postura, focar minhas buscas, solidificar meus propósitos. Me olho no espelho, me tenho velho! Como dizer que sou despreocupado se as linhas estão fundas, me cortando a testa? Li certa vez em algum lugar uma frase interessante: "Uma testa sem marcas é sinal de indiferença". Mas e cinco linhas bem demarcadas, significam o quê? Significam todas as escolhas erradas, todos os fracassos, todos os choros, inclusive os prantos, todos os arrependimentos principalmente com sofrimento antecipado, sendo que às vezes nem aconteciam. Significam preocupações não necessárias por coisas que nem sempre estão ao próprio alcance. E a tal vulnerabilidade? E o tal ambiente? Sinto que tentei fazer o meu melhor nos últimos três anos da minha vida, tentei mudar, tentei alcançar, tive grandes conquistas, boas alterações emocionais, pessoais, enfim. Mas tenho que aprender a maneira de não me arrepender tanto das coisas já que isso me violenta internamente... E no final, eu só pensei que quero minha testa sem linhas, de volta!!!

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Reeditado em 21/15/2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os nossos guardados





     Ainda tinha guardado o primeiro cartão que recebeu. De quando tinha apenas dez anos de idade e desse tempo já se passaram dezesseis! Era tarde de chuva, quase noite, monótona como todas as tardes de chuva quando não se tem as pessoas que gostaria por perto. Lembrou da velha caixa de guardados. Guardados estes que nas férias passadas foi recusando a ideia de arrumar. Sempre escreveu muitas cartas, pois escrever sempre foi seu hábito cotidiano, e sempre recebeu várias retribuições. Guardava todas aquelas palavras escritas, para ler em tardes como esta, tardes de saudade. Tarde de sentir as pessoas por perto, mesmo longe. Ali diante dele, todos os cartões e frases amontoadas em doses altas de carinho, amor, amizade. Como se livrar daquilo? Como jogar fora sinceras palavras de tempos vividos? Respirou fundo. Pôs-se a ler, procurando os melhores parágrafos. De alguns sentiu um grande aperto, de outros até riu. De todos sentiu muita saudade. Decidiu então olhá-los mais uma vez antes de jogá-los fora. Dessa vez, ao contrário de como em uma outra já havia feito, esse "jogar fora" era apenas por limpeza, não emocional. Era a forma de ter o passado somente nele. A forma de ninguém mais saber o que havia de escrito naquelas tantas linhas que recebeu durante esse tempo precioso de sua vida. Algumas pessoas lhes confiavam segredos, não necessários aos olhos de outros. Algumas pessoas lhes contavam coisas intimas demais através delas. Quantos bilhetes ensopados de admiração recebeu. Resolveu guardá-los apenas em sua memória, tão fraca para as coisas corriqueiras, mas tão funcional às coisas vividas, sentidas. Guardou com os olhos os tantos "Eu te amo" vindo de pessoas mais diferentes, montadas com amores diferentes. Irmãs, sobrinhos, amigos... Guardou com os olhos as cartinhas tão amáveis dizendo "Você é o melhor tio do mundo!". Quase engasgou. "Te levo comigo onde eu for, sem ti por perto, não tenho chão", "Você é meu anjo, meu talismã, o melhor irmão que alguém poderia ter!"... E tantas outras coisas escritas que lhe encheram os olhos, o ego, a emoção. Despediu-se de uma a uma, agradeceu internamente por todas. Colocou em uma sacola grande e deu outro destino à elas. As gavetas ficaram vazias. A memória, completa. Pensou na vida, agradeceu as pessoas que já teve, as que ainda tem e sorriu! Ainda escreverá muitas cartas, ainda receberá alguns retornos, mas sempre terá guardadas em si todas as palavras que ler. No fundo guardamos essas coisas para contemplar a nós mesmos, para recordar, para nos fazer lembrar que fomos e somos amados, que fomos e somos muito importantes para os outros, ou para alguns desses outros. Elas servem para tocar, sentimentos "não tocados", servem para ouvirmos pianos ao fecharmos os olhos. Mas não há agora, mais o porque guardar todas aquelas cartas, não há mais o porque de tê-las amontoadas em sua gaveta quando se pode apenas manter o sentimento nelas conectados, quando se pode apenas guardá-las no coração...


domingo, 5 de julho de 2009

O trem das lembranças

   Assistindo pela vigésima vez o DVD Storytellers da Alanis Morissette, dia desses, prestei atenção em uma parte em específico. O DVD trata-se de um showcase que alterna músicas e perguntas da platéia. Quando perguntada sobre se havia alguma música que a cantora considerava difícil de cantar, ela comenta que “You oughta know” -música em que fala de um relacionamento mal sucedido- era muito difícil de cantar, pois a cada vez que ela cantava, estava relembrando repetidamente de uma situação que não havia sido boa. Partindo dessa linha de raciocínio, fiquei questionando, o porquê às vezes ficamos relembrando de coisas que não foram confortáveis. Por que determinadas situações ruins, nos vêem a tona de forma tão nítidas? E por que não existe um canal onde pudéssemos desviar a atenção de tais coisas? A verdade é que há esse canal! Mas às vezes parece que aquela discussão que tivemos há três anos se vivencia em nossa memória como se fosse há duas horas; aquela mágoa de um amigo íntimo de tempos atrás rompe a barreira das lágrimas por uma música ouvida há minutos e aquele seu erro gigantesco de meses, vem perturbar seu sono como se houvesse ocorrido no dia anterior. Por que não usamos o canal de saída? A tal válvula de escape? Por que canalizamos isso de uma maneira negativa que nos traz inclusive dores no corpo?

     Ultimamente tenho repetidamente me lembrado do que não foi bom. Lembrado de erros meus, de erros dos outros comigo e isso faz com que eu tenha ora pensamentos de raiva, ora de autopunição. Nessa mistura de lembranças, sentei em frente ao meu velho roupeiro enquanto estive visitando minha casa (onde ainda moram meus pais) e ainda estão lá, colados na porta do lado de dentro, fotos de algumas bandas. Ainda estão lá, amareladas, desbotadas, na idade de oito anos.  Cada colagem me remetendo a algum fato, lembranças impregnadas em uma velha porta de roupeiro. Lembrei inclusive do cheiro da “cola” usada naquelas fotos. Fechei os olhos e me senti ali, há cerca desses oito anos atrás, enquanto ouvia a música “Stop this train” do John Mayer repetidamente no fone de ouvido.  “Pare esse trem...”, engraçado, soava como: “pare esse trem das lembranças...”, mas elas estavam vivas, em minha frente e fizeram com que eu sentisse falta de alguns amigos, amigos desde a infância, que a vida adulta foi aos poucos afastando. Eu me enxerguei com “ELE” ali, sentado na pedra em frente a minha casa, “na minha pedra”, em nossas divertidas conversas repletas de bobagem e música; eu me vi com “ELA”, sentado na grama quando por acidente cortei dois dedos da mão direita, sem querer, com uma faca, enquanto contávamos segredos só nossos; eu relembrei “DA OUTRA” em nossas tardes cheias de boas conversas. E eu senti um grande aperto e uma saudade que há muito tempo não sentia igual. E então pensei que daqui pra frente, devo lembrar retidamente das coisas tão boas que passei com essas pessoas e com todas as outras que me relacionei. A verdade, é que por vezes várias, mantive o foco apenas dentro de minha perspectiva. Viajei, apenas segundo minhas concepções e o momento de agora tem me mostrado, que muitas coisas aconteceram devido a esse egocentrismo. Agora, que já aprendi a lidar melhor com o meu orgulho, preciso aprender ao menos a prestar mais atenção no que as situações, ligadas a mim, afetam também as outras pessoas. Quem sabe assim, eu aprenda a ser menos egoísta. Quem sabe assim, eu deixe de ter emoções egoístas e quem sabe assim, consiga me desculpar, por todo esse egoísmo. Tenho feito esse questionamento interno. Eu preciso repetidamente lembrar que “esse trem das lembranças”, ele não pára. Ele é a continuidade do tempo que passou e que às vezes passa em alta velocidade e em outras tende a andar com calma nos trilhos. O “trem das lembranças” às vezes “apita” alto e incomoda, em outras vezes deixa o silêncio necessário após o barulho que causou. Eu preciso saber como não deixar esse trem apenas passar. E eu preciso é aprender como então, fazer parte dessa viagem sem sentir-me apenas sentado nesses trilhos, caído de algum vagão...

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Reeditado em 22/04/2015

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O coração da casa

      Ela está cheia de marcas no rosto. Marcas registradas intra-pele pelo cansaço de uma vida que custa a dar certo. Está cansada pelos últimos quarenta anos. Tempos de “passar trabalho”. Tempos em que teve que engolir a tristeza, a pobreza, o marido ausente, bêbado e inconsequente. Ela teve que carregar nos ombros suas crias paridas. Teve que ensiná-los sem nenhuma instrução. Ela está cansada, desde aquele tempo. Tempo em que suas pernas ainda eram firmes e a sua bravura era mais bem vista. De recompensa, apenas ver os filhos crescendo. Quantas lágrimas ela expulsou? Quantas trancou? Ela está cansada da rotina esmagadora, cansada de servir, de não ganhar nada em troca, além de novas tarefas cotidianas. Cansada de suas próprias doenças, cansada da doença dele. Ele, o esposo. Cansada de “não ter algo a mais”. Cansada de não poder comprar mais, gastar mais, mover-se mais. Ela está ao meu lado agora, tomando seu café com altas doses de reclamações. Reclamações compreensíveis. Olhos lacrimejantes, olhar parado, fixo em alguma lembrança recorrente das histórias que me conta. Cabeça doendo, visivelmente deixando ser vencida. Mas o que o tempo faz com uma pessoa? Por que o passado ainda a afeta tanto? Quanto tempo leva para cicatrizar (e não poeticamente falando)? Eu gostaria de curar suas feridas ainda em aberto! Arremessar sua tristeza longe, mostrar-lhe que suas culpas já não fazem sentido algum, ensinar-lhe que ela será recompensada sim por toda sua luta interna. Por ter nos carregado no colo, em fila, guiada por nossa sobrevivência: seus filhos (no tempo em que não podia contar com ele). Eu apenas receio pelo pouco tempo, eu receio ser impotente, eu receio por sua desistência. Mas eu a aplaudo pela sua coragem, por todas as adversidades enfrentadas, pela grande perseverança. Saúdo o seu passado, aplaudo sua dignidade e a abraço e agradeço ainda assim por toda força que ela representa!

sábado, 13 de junho de 2009

Hippie-Zen

(texto de janeiro de 2005) “Gosto do meu silêncio, do que sou quando estou dentro dele... Ouço minha mente, minhas palavras pensadas, meu eu que em algumas partes só eu mesmo conheço... Gosto de estar em algum lugar quando estou assim, algum lugar simples, algum abrigo. De estar na janela sentindo o vento no rosto, vendo as folhas das árvores se esfregarem, observando o horizonte, uma nuvem qualquer em movimento, o sol ou simplesmente seus raios refletidos, ou olhando lugar algum. Apenas sentindo esta sensação que me faz sentir grande, maior do que realmente sou. É tudo tão simples e comum, vejo as coisas de um outro jeito, com paciência e compaixão. Sinto minha paz de espírito, a mesma que na maioria das outras vezes, parece funcionar apenas na teoria (falo muito mais nela do que a realmente uso, embora tenha uma total inclinação direcionada a este lado da espiritualidade, de minha própria espiritualidade, de minha busca por aprendizados). Gosto de me sentir assim. De me sentir leve, vulnerável, com uma grande ânsia de ajudar outras pessoas, de querer que se orgulhem de mim, de estender a mão, de reconhecer meus erros, de tentar acertar, de aceitar certas coisas, de entender minha própria trajetória, meus sentimentos, minhas emoções, aquilo que constrói minha personalidade, meu caráter... Gosto de ouvir minhas canções preferidas, de senti-las com meu espírito, de me inspirar através delas, de usar o sentido das letras, de me sentir por perto mesmo com o olhar distante... O silêncio de uma mente que fala calada, que pensa, questiona, lembra, critica ou induz o riso à boca, ou faz chorar através das lagrimas dos olhos... (me sinto emocionado aqui)... Mente! Tão misteriosa. Levaria vidas para olhar para dentro e tentar conhecê-la totalmente. É a parte do corpo que mais me assusta e a que mais tenho curiosidade em aprender. Estruturar pensamentos, porém manter certa confusão: “Pobre de quem nunca teve dúvidas, pois isso significa que nem se quer teve opções para escolher”. Aprendi... Absorvi em minha vida... Gosto desse meu silêncio, de ficar quieto, de buscar sabedoria ou não pensar em nada... (me sinto bem aqui)... Meio hippie, zen: tentando encontrar eu mesmo, gosto de me expressar calado, de expressar serenidade em meu rosto, de sentir o impacto psicológico de uma simples parada no dia sentindo o vento, o ar da natureza, pensamentos de amor, de compaixão, ajuda e otimismo. Gosto dessa parte em mim, desse meu lado introspectivo, voltado a mim mesmo, a corrigir minhas grandes falhas, a tentar destilar mágoas. Desse meu lado que mostra o quão grandioso eu poderia ser se soubesse como levar minha vida, meu eu interior, minhas ações, atitudes, emoções e sentimentos, direito. Se soubesse sempre o que fazer, o que dizer àquelas pessoas que estão ao meu redor, minha família, meus grandes amigos, meu amor. Se soubesse como não magoá-los com meu outro lado tão contrário a esse. Enquanto isso... silêncio. Senti-lo e aproveitá-lo em momentos como estes. Vesti-lo. Meu silêncio que pensa, meu silêncio que me ajuda, que ri e ás vezes chora, que às vezes chora muito, que deseja coisas boas, meu silêncio positivo. É o que depois, daqui a pouco, me torna melhor, uma pessoa melhor, pelo menos até perdê-lo, mas até lá, tudo começa de novo, dias, noites e... Mas enquanto isso apenas silêncio... O silêncio é uma lacuna, um espaço, uma pausa na gritante voz falada, mas que na verdade nunca está em “branco”... A mente nunca se cala...”

quinta-feira, 4 de junho de 2009

As minhas informações

     Tudo em mim, quer dizer alguma coisa! O estilo de roupa que eu uso, a forma desgrenhada como corto os meus cabelos, os discos que eu prefiro, os filmes que mais gosto, as tatuagens em meu corpo. Todas essas coisas são pra que mesmo que eu não explique coisa alguma, elas gerem informações sobre mim que cada pessoa apropria-se à sua maneira. O porquê me interesso tanto pelas letras da Alanis Morissette, o porquê a música do Radiohead me transporta para outros lugares, o porquê há na minha sala um canto que batizo de “espiritual” com alguns Budas e artefatos Zen, o porquê uso uma camiseta do Los Hermanos, o porquê sou doador de sangue ou autorizei a doação dos órgãos, o porquê o filme Na Natureza Selvagem é deveras quase um filme de minha própria vida, o porquê considero Eddie Vedder um de meus sábios. Por que escreveria, se não na ânsia de mostrar mais informações a meu respeito? Talvez até para mudar algumas, ou criar outras, talvez para esclarecer tantas. 

     Outro dia observei o quanto ando cada vez mais maníaco e doentio em relação ao tempo. Fico contando as horas das coisas que eu faço: trabalho tantas horas, me alimento em tantos minutos, chego em casa, me sobra um tempo para passar com o amor da minha vida, que diminui até a hora de nós jantarmos, mais outros instantes no computador, hora de ir para cama, para que dormir tanto tempo? E então me reviro e logo levanto, volto pra sala pra fazer algo! Leio alguma página dos quatro livros que estão com a leitura em andamento, escrevo sobre algum assunto... As pessoas precisam dividir o tempo quase que inconscientemente: o tempo de trabalhar, o tempo de conversar com alguns amigos, o tempo de ligar para a família, o tempo para a diversão, o tempo para os problemas...Tempo, tempo, tempo, minha doença psíquica! E então, como geramos essas informações para outras pessoas, estive me auto analisando. Tenho estado com uma necessidade imensa de organizar minhas coisas. Como se então, esse chamado tempo, tivesse me pressionando diariamente. Se tenho textos inacabados, quero terminá-los logo; as outras tatuagens que pretendo fazer, tem que ser pra logo, aquela caixa cheia de recortes, tenho que arrumar de uma vez (coisas pequenas e sem tanta importância). E no fundo todas essas coisas a serem feitas, são pra que outras pessoas possam, ao encontrá-las ou percebê-las, entender melhor todas as partes que existem em mim. É pra lerem um texto meu e pensarem: “Não sabia que ele pensava assim” por exemplo. E nessa relatividade das coisas, pessoas e ações próprias, acabo por acumular muito daquilo que sinto necessidade de expressar. Seja escrevendo, falando ou dando a entender. É que eu sou um amontoado de informações ambulante e só não quero partir sem que antes as pessoas obtenham algumas das minhas informações que julgo mais importantes. Menos ainda, sem que depois disso, acrescentem as suas! 

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Reeditado em 22/04/2015

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Interrompidos

(Texto de fevereiro de 2005) 

     E os sentimentos tornam-se frios, quase inexistentes. Há o que sentir, porém não o que demonstrar... Trato de esconder embora eu saiba onde é o esconderijo. Mato nosso passado? Queimo minha memória? Velhos momentos... Novas mágoas. A causa é o que nos torna distantes. Há mais sentimentos no silêncio do que nas palavras, certas, esvaziam-se por si só. Confusão consciente, dor causada, pensamento inconformado, risos irônicos. Ironia. Mas amor, este ainda intacto. As frases escritas da fala ao encontro do meu alvo me tornam doído. Sem sentido com muita perda. Lágrimas secas. Caído sem minha metade. Razões próprias. Culpa? Nenhuma, mas arrependimentos cansados. Eu amava o jeito como éramos, a forma que tínhamos um ao outro. Passado distante? Seguraremos nossas mãos, sentiremos o abraço? Nem um dia, todo tempo? Já fomos o espelho um do outro. Paranoias, mágoa, indecisão. Seria isso um buraco vazio que se instalou em nossos corações? Seria isso uma ruptura de almas? Ou seria isso apenas um fim de tarde de domingo escuro tão presente em nossos velhos tempos? Dúvida cinza...

domingo, 17 de maio de 2009

Explosões interiores

(Texto de setembro de 2006)

     Depois de algum tempo tentando mudar minhas substâncias negativas para me tornar aos poucos alguém mais zen, percebi que , talvez esse não seja meu verdadeiro caminho. Desde que me inclinei nessa direção da vida, mesmo por assim fazer tendo outras pessoas como referência, comecei uma procura profunda de minha essência, de meus propósitos, extremos e limites. Isso influenciou minha vida nos últimos três anos, porém de certa forma, tenho questionado no momento esta minha busca. Viajei para o lugar onde encontrei meu antigo eu, penso que este choque interior causou tal dúvida. Meu antigo eu, apesar de muitos defeitos que deixei para trás, tinha também muitas coisas das quais tenho sentido falta. Um bom exemplo seria a maneira mais direta, ainda que precipitada e desorganizada, com que eu enfrentava alguém em conflitos específicos. Eu tinha mais a dizer, mais para entrar no combate e assim fazia, mas de uma forma imatura que logo me afogava em arrependimento e culpa. Mas percebi agora, que essa é a maneira mais franca (ainda que cruel) de fazer bem a si mesmo. À medida que se fala o que pensa, na intensidade a que se está com raiva ou magoado, se tem um alivio imediato. Diferentemente de se pensar no que dizer antes e querer sentar e conversar sobre esse conflito com maturidade e compreensão. Sem dúvida essa é a melhor opção, mas será mesmo que dessa maneira colocamos nossa mágoa, raiva ou rancor para fora? Ou apenas a tratamos de um jeito que não nos machuque ainda mais e a deixamos num lugar que não nos incomode, mas que se mantém em nós? Qual é o ponto positivo de uma “explosão” mais correto a ser seguido? Tenho tido dúvidas sobre meu caminho verdadeiro, pois faz algum tempo que deixei de ser “uma explosão de sentimentos imaturos” e talvez isso tenha beneficiado mais as pessoas as quais eu convivo do que a mim próprio, já que muitas vezes guardar as coisas para mim, me fez interiorizar tristezas. Difícil, seguir o melhor caminho, mas importante seguí-lo. 

     Certa vez li sobre alguém que quis fugir de tudo e isolou-se num retiro espiritual a fim de encontrar seu eu interior Zen. Mas passado algum tempo acalmando o seu espírito, buscando respostas, questionando a si mesmo, ele compreendeu que apesar do mundo agitado em que vivia, apesar da difícil tarefa da relação humana, apesar de sua sede por mudanças e de se tornar uma pessoa melhor, aquele ambiente Zen não representava o seu verdadeiro eu. Então ele abandonou o seu lado introspectivo e voltou a ser o que era (embora mais centrado) com todos os defeitos que tinha e aprendeu que pior do que ser o que era, seria se tornar alguém que na verdade não era. E assim, encontrou o seu verdadeiro caminho. Tenho esses dois lados em mim e preciso descobrir a qual realmente pertenço para que seja mais fácil seguir o meu verdadeiro caminho. Entendo que essa sim, será a melhor opção.

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Reeditado em 22/04/2015

Mudança

(Texto de 25 de agosto de 2004 _ Mudança de cidade / deixando a casa dos pais) 

     Estou mudando algo em minha vida e na verdade não sei o que esperar disso. Enquanto estava a caminho, dentro do ônibus, tive um período confuso onde me concentrei em todos que deixei para trás, mas quando cheguei aqui pensei: “É hora de pisar firme”. E foi o que eu fiz, era o que eu tinha que fazer e é o que tenho feito para me manter bem. Às vezes a “saudade-tristeza” bate, vem forte, mas tenho tentado guardar apenas para mim. Quando vim, senti que estava abandonando a pessoa que mais me ajudou nos últimos tempos. Não foi justo com nós tantas coisas que aconteceram: não nos respeitaram, não respeitaram a nossa amizade e de alguma forma conseguiram nos afastar fisicamente, mas não nossas almas: somos um só espírito conectado em dois corpos e por isso, me sinto metade agora. Ambos sabemos o quanto está sendo difícil e qual é nossa importância um para o outro e eu a carrego comigo aonde vou... Minha mãe, meu pai, meus irmãos e sobrinhos, alguns amigos, às vezes me questiono se os aproveitei realmente enquanto eu estava por perto, mas também os trago junto comigo guardados em meu coração.

    O resto em minha vida estou mudando, tenho mudado, quero conseguir mudar. “Dos tempos de tristeza, tive o tanto que era bom”. Tenho crescido muito. Minha alma está se expandindo e cada vez maior, tenho aprendido e aprendi muito com aquilo que às vezes ardia em meu peito. Tenho pensado nas coisas que posso tirar dessa experiência, mas sem muitas expectativas. Ter saído de casa em busca de propósitos que moldem meu futuro foi minha meta. Quero aprender sempre, evoluir meu potencial, observar os pequenos conflitos humanos parar tirar proveito disso e usar em minha vida. Há um bom tempo, estou tentando melhorar como pessoa. Gosto de demonstrar o que sinto, de falar sobre as poucas experiências que já tive. Li muitas coisas que me ajudaram a pensar assim, a me ajudar para depois ajudar outras pessoas. Quero esquecer várias coisas, uma a cada dia. Sentimentos que não me fazem bem, amores (de todos os tipos) que não são recíprocos, decepções que não me acrescentam em nada, críticas destrutivas. Se alguém me perguntasse hoje, o que mais gosto em mim mesmo, eu diria, minha alma, a essência de meu espírito traduzida em minha personalidade. 

     Tenho muito a aprender e longo caminho a percorrer, vejo minhas propostas pessoais num mundo imenso, de mente aberta. Quero ter oportunidades, ouvir e falar na hora certa, gastar minha energia em coisas úteis. Talvez eu seja um pouco diferente de meus irmãos. Talvez o ideal de vida para eles é ter suas casas, seus filhos, tentar deixar a família bem estruturada, ter seus empregos, seu sustento, viver em prol disso. Sinto que isso é comum demais para mim, mas fico feliz se eles estiverem levando a vida da maneira que acham corretas, e se estão felizes. Mas busco bem mais que isso, busco o lado alternativo, não convencional embora responsável da vida. Sinto medo ao mesmo tempo em que me sinto seguro. Maturidade me sobra. Meu coração? Hoje está bem cuidado por uma grande pessoa e que espero passar grande tempo de minha vida junto a ela. Que eu me permita pensar assim. Que eu me permita expansão. Que eu consiga me tornar um ser grandioso dentro das possibilidades que tenho. Ação e espera! Termino parafraseando uma letra de música que condiz com este momento: “E minha história não estará do avesso assim sem final feliz. Terei coisas bonitas pra contar. E até lá, vou viver, tenho muito ainda por fazer, não vou olhar para trás, estou apenas começando. O mundo começa agora... E eu estou apenas começando.”

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Reeditado em 22/04/2015

terça-feira, 12 de maio de 2009

(Divagação II) - Questões espirituais

(Texto de Outubro de 2007)

     Por que eu sinto meu ser e minha luz com tanta profundidade? Eu sinto que meu plano existencial é muito maior do que conheço e o que eu conheço é pouco demais para me conformar. Eu sinto que não sou um ser espiritualmente comum. Eu sinto que sou maior aqui dentro, maior, mais leve e mais limpo do que meu exterior consegue mostrar. Por que por diversas vezes me imagino em um lugar com potencialidade espiritual maior? Eu sei que sou um ser profundo, eu entendo isso pela forma como vivo, eu vivo muito intensamente inclusive minhas dúvidas. E minhas dúvidas por mais ambivalente que isso pareça, são o que me dão certeza de minha intensidade já que minhas dúvidas estão relacionadas a fatores existenciais. Eu sinto além disso, ter muita responsabilidade em algumas vidas próximas a mim, como se algumas pessoas precisassem que eu estivesse de alguma forma por perto. Como se hora dessas, eu viesse “a desistir”, eu estivesse estragando um ciclo muito grande, um ciclo que eu mesmo escolhi em partes, antes de parar aqui. O ciclo do “por que eu estou aqui”. Vez por outra tenho esses vislumbres, vez por sempre estou conectado a uma força muito maior. Por outras vezes, me enfraqueço ao me desviar de meus propósitos. Mas aliás, qual é meu maior propósito? 

      Sinto ser um espírito livre. Não gosto de nada que me prenda, não gosto de avaliações, não gosto de condições, não consigo me ver em uma mesma situação por muito tempo. Preciso de espaço, de abertura para seguir em frente. Talvez por viver muito intensamente as coisas, costumo enjoar delas muito fácil. E costumo errar muito e me penitenciar depois (e isso me toma muita energia). Porque muitas vezes me imagino em lugares longe das pessoas? Por que me imagino apenas lá sentado contemplando o horizonte de minhas lembranças? Vendo a vida que levei com pessoas tão importantes? E por que penso isso quando um de meus propósitos é estar com estas pessoas? Eu sinto meus amparadores perto de mim, eu sei que eles sabem quando estou enfrentando meus combates, quando estou desistindo, quando estou me desviando do assunto principal, e quando choro internamente enquanto consigo inventar uma meia risada na boca. Por que estão fazendo isso comigo? O que estão querendo me dizer? O que querem que eu perceba? O que querem que eu compreenda? Por que quando algo costuma dar errado, assumo aquilo como culpa minha, assumo aquilo como algo que estou destinado a passar por conseqüência de algo que fiz? Por que fico arrastando penitências por meses, quando também sei que mereço estar passando por coisas melhores? Por que minha insistência de permanecer em um lugar que está destroçando minha energia por medo do abandono? Por que envolvi outra vida em meu projeto existencial? Por que o amor das pessoas ao redor não me deixa ir? 

     Eu sinto estar carregando às vezes mais do que minhas costas suportam... Mas sobre tudo, eu sinto estar carregando algo muito iluminado dentro de mim: minha alma. Eu sei que sou um ser de luz! Eu sinto ser um ser de luz. E eu sei que posso doar minha luz e que eu não devo bloqueá-la. E nesse momento sinto também ser meu silêncio. Eu preciso calar minha voz e apenas ouvir meu silêncio. Eu sinto que já falei e mostrei muito de mim às pessoas ao meu redor. E sinto que agora é hora de observar o resultado. Eu sei que nem tudo está perdido...

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Reeditado em 21/05/2015

domingo, 3 de maio de 2009

Enquanto chove

(Texto de 2005)

     Enquanto chove, devo me deitar para não mais ver o céu cinza e devo tentar sonhar, devo continuar minha regressão. O passado habita em mim. Estou preso em minhas memórias que por hora me afetam, que me transformam naturalmente no que sou no presente. Me perco em aventuras que não vivi e nas mentiras que escolhi pra mim. Me levo para lugares que apenas eu sei onde. Vejo imagens que hipoteticamente criei para fingir tê-las sentido. Me transporto para uma viagem interior, onde me esbarro em erros, onde atropelo sentimentos. Meu ser inconsciente flutua. 

     Enquanto chove, devo me deitar e tentar parar a chuva e devo tentar dormir sem sonhar. O futuro cobra de mim. Estou livre de meus enganos que por hora me arrancam culpas, que me despertam naturalmente de meu passado. Me busco em aventuras que pretendo viver e nas verdades que escolhi pra mim. Me levo para lugares onde quero mostrar por onde. Vejo imagens que supostamente crio para perseguir senti-las. Me transporto para uma viagem onde me apego em meus acertos, onde mergulho em sentimentos. Meu ser consciente acorda.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mas é que...

(Texto de novembro de 2006)

Estou tentando te apagar aos poucos.
Apagando arquivos em minha memória. 
Riscando imagens. 
Jogando latas de tinta branca em cima delas. 
Tinta branca! ( É que estou tentando ficar em paz) 
Já não cabe mais a mim a raiva que resultou de teu desprezo nem me zunem aos ouvidos o som das palavras que imaginei ter adotado com tuas tão preciosas avaliações.  

Estou tentando te apagar aos poucos. 
Como naquele filme que assistimos quando ainda éramos amigos. 
Aquele filme em que rimos por não termos de fato entendido. Inteligência lerda!
Entretanto, erro ao tentar apagá-la de mim. 
Mas é que não a reconheço em minhas lembranças, exceto (pelo diagnóstico do momento) naquela pose “de costas” em uma fotografia de um carnaval longínquo. Não teria pose melhor para explicar esse sentimento. 
Sinto-me traído pelas frases que acreditava tanto quando saiam de tua boca em nossas antigas tão boas conversas. 
Sinto-me abatido pelo grande estrago que causou a minha condição emocional. 
Sinto-me mudo pelas coisas que deveria ter gritado em frente a seu rosto ainda que meu coração ultrapassasse 340 batimentos cardíacos. 
Sinto-me extremamente enojado. 

Estou tentando te apagar aos poucos. 
Meu amor diminuiu, mas ainda a amo. 
Desejei tua queda, mas ainda torço para que encontre teu caminho.
Quis que tivéssemos um ao outro novamente, mas prefiro mesmo o afastamento. 
Confusão reconhecida! 
Mas é que estou mesmo tentando te apagar aos poucos e não sei ainda como lidar com isso
Jogou-me para fora de sua vida.
Esnobou-me por ter conseguido outros amigos. 
Ignorou-me ao precisar de sua ajuda.  
Preciso te apagar aos poucos. Deletar tua voz. 
Comecei rasgando as cartas. Destruindo os cartões. 
Recortando as fotos. Recuando ao teu nome. 
Mas é que não é tão fácil assim . 
Todo esse tempo perdido, não recuperado e já acabado.
Minha mágoa é temporária, a cicatriz é que fica.
Esqueça mesmo de voltar e vá em paz. Seja feliz!
É que realmente estou tentando te apagar aos poucos mas ainda não sei se irei conseguir.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Falsas árvores de plástico

    Resolvi regredir minha mente e me transportei para anos atrás... Consegui inclusive rever as mesmas paisagens e a perspectiva que tinha da minha vida naquele momento.Usei uma música para isso. Incrivelmente música está ligada a fatos e lembranças que nos trazem à tona imagens ora esquecidas, sente-se inclusive cheiros. Eu me enxerguei lá no "meu lugar" no mês de julho de 1999. Lá de onde eu enxergava a cidade e sentava comendo laranjas. Lá de onde eu enxergava a rua onde moravam duas das minhas grandes amigas, onde lembro inclusive o fato de uma delas -já não mais em meu círculo - dizer que sempre que me via neste meu lugar, é porque eu estava tristeMas não, eu não sentava lá por estar triste - também por estar triste. Eu sentava lá para revisar minha vida sem quase nenhum acontecimento naquele momento especifico. Porque de fato, eu ainda não havia vivido nada...experimentado nada...me desiludido com nada...me interessado por nada...eu era apenas um jovem intrigado com suas questões interiores, hoje, supérfluas diante da profundidade das coisas que agora, já experimentei viver. Mas revisitar aqueles momentos, foi revisitar meus velhos dezesseis anos com a centralidade que me permite hoje, ver com clareza o passado de mais de dez anos atrás. Me revisitei antigamente e me coloquei no agora analisando as diferenças, que foram nada sutis, ao contrário, são gigantescas, no espaço de um abismo inteiro. Como se aquela pessoa quase nem tivesse existido dentro de mim. Talvez um pouco melhor, certamente mais vivido. Me indagava na época os rumos do meu futuro, futuro que já alcancei, com as minhas provações, meus medos, tombos e minhas conquistas. "O que farei da vida?" Pergunta freqüente naqueles invernos. Ainda não descobri a resposta. Talvez nós apenas precisamos ser quem nascemos pra ser. Talvez tivéssemos que não pensar tanto sobre isso, talvez apenas ir vivendo e não perdendo dias (alguns são irrecuperáveis). Sinto necessidade constante de buscar "o mais", embora ás vezes esteja perfeito no lugar onde estou. Revisitar o passado regredindo a mente, nada demais, porém hoje, algo que fluiu inconscientemente. Talvez tenha sido só o som, a música que tocou. Agora revisitado, em dez minutos retornando ao real...."

 O som do transporte: Fake Plastic Trees- Radiohead

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Reeditado 21/04/2015