terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Falsas árvores de plástico

    Resolvi regredir minha mente e me transportei para anos atrás... Consegui inclusive rever as mesmas paisagens e a perspectiva que tinha da minha vida naquele momento.Usei uma música para isso. Incrivelmente música está ligada a fatos e lembranças que nos trazem à tona imagens ora esquecidas, sente-se inclusive cheiros. Eu me enxerguei lá no "meu lugar" no mês de julho de 1999. Lá de onde eu enxergava a cidade e sentava comendo laranjas. Lá de onde eu enxergava a rua onde moravam duas das minhas grandes amigas, onde lembro inclusive o fato de uma delas -já não mais em meu círculo - dizer que sempre que me via neste meu lugar, é porque eu estava tristeMas não, eu não sentava lá por estar triste - também por estar triste. Eu sentava lá para revisar minha vida sem quase nenhum acontecimento naquele momento especifico. Porque de fato, eu ainda não havia vivido nada...experimentado nada...me desiludido com nada...me interessado por nada...eu era apenas um jovem intrigado com suas questões interiores, hoje, supérfluas diante da profundidade das coisas que agora, já experimentei viver. Mas revisitar aqueles momentos, foi revisitar meus velhos dezesseis anos com a centralidade que me permite hoje, ver com clareza o passado de mais de dez anos atrás. Me revisitei antigamente e me coloquei no agora analisando as diferenças, que foram nada sutis, ao contrário, são gigantescas, no espaço de um abismo inteiro. Como se aquela pessoa quase nem tivesse existido dentro de mim. Talvez um pouco melhor, certamente mais vivido. Me indagava na época os rumos do meu futuro, futuro que já alcancei, com as minhas provações, meus medos, tombos e minhas conquistas. "O que farei da vida?" Pergunta freqüente naqueles invernos. Ainda não descobri a resposta. Talvez nós apenas precisamos ser quem nascemos pra ser. Talvez tivéssemos que não pensar tanto sobre isso, talvez apenas ir vivendo e não perdendo dias (alguns são irrecuperáveis). Sinto necessidade constante de buscar "o mais", embora ás vezes esteja perfeito no lugar onde estou. Revisitar o passado regredindo a mente, nada demais, porém hoje, algo que fluiu inconscientemente. Talvez tenha sido só o som, a música que tocou. Agora revisitado, em dez minutos retornando ao real...."

 O som do transporte: Fake Plastic Trees- Radiohead

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Reeditado 21/04/2015