quarta-feira, 20 de maio de 2009

Interrompidos

(Texto de fevereiro de 2005) 

     E os sentimentos tornam-se frios, quase inexistentes. Há o que sentir, porém não o que demonstrar... Trato de esconder embora eu saiba onde é o esconderijo. Mato nosso passado? Queimo minha memória? Velhos momentos... Novas mágoas. A causa é o que nos torna distantes. Há mais sentimentos no silêncio do que nas palavras, certas, esvaziam-se por si só. Confusão consciente, dor causada, pensamento inconformado, risos irônicos. Ironia. Mas amor, este ainda intacto. As frases escritas da fala ao encontro do meu alvo me tornam doído. Sem sentido com muita perda. Lágrimas secas. Caído sem minha metade. Razões próprias. Culpa? Nenhuma, mas arrependimentos cansados. Eu amava o jeito como éramos, a forma que tínhamos um ao outro. Passado distante? Seguraremos nossas mãos, sentiremos o abraço? Nem um dia, todo tempo? Já fomos o espelho um do outro. Paranoias, mágoa, indecisão. Seria isso um buraco vazio que se instalou em nossos corações? Seria isso uma ruptura de almas? Ou seria isso apenas um fim de tarde de domingo escuro tão presente em nossos velhos tempos? Dúvida cinza...

domingo, 17 de maio de 2009

Explosões interiores

(Texto de setembro de 2006)

     Depois de algum tempo tentando mudar minhas substâncias negativas para me tornar aos poucos alguém mais zen, percebi que , talvez esse não seja meu verdadeiro caminho. Desde que me inclinei nessa direção da vida, mesmo por assim fazer tendo outras pessoas como referência, comecei uma procura profunda de minha essência, de meus propósitos, extremos e limites. Isso influenciou minha vida nos últimos três anos, porém de certa forma, tenho questionado no momento esta minha busca. Viajei para o lugar onde encontrei meu antigo eu, penso que este choque interior causou tal dúvida. Meu antigo eu, apesar de muitos defeitos que deixei para trás, tinha também muitas coisas das quais tenho sentido falta. Um bom exemplo seria a maneira mais direta, ainda que precipitada e desorganizada, com que eu enfrentava alguém em conflitos específicos. Eu tinha mais a dizer, mais para entrar no combate e assim fazia, mas de uma forma imatura que logo me afogava em arrependimento e culpa. Mas percebi agora, que essa é a maneira mais franca (ainda que cruel) de fazer bem a si mesmo. À medida que se fala o que pensa, na intensidade a que se está com raiva ou magoado, se tem um alivio imediato. Diferentemente de se pensar no que dizer antes e querer sentar e conversar sobre esse conflito com maturidade e compreensão. Sem dúvida essa é a melhor opção, mas será mesmo que dessa maneira colocamos nossa mágoa, raiva ou rancor para fora? Ou apenas a tratamos de um jeito que não nos machuque ainda mais e a deixamos num lugar que não nos incomode, mas que se mantém em nós? Qual é o ponto positivo de uma “explosão” mais correto a ser seguido? Tenho tido dúvidas sobre meu caminho verdadeiro, pois faz algum tempo que deixei de ser “uma explosão de sentimentos imaturos” e talvez isso tenha beneficiado mais as pessoas as quais eu convivo do que a mim próprio, já que muitas vezes guardar as coisas para mim, me fez interiorizar tristezas. Difícil, seguir o melhor caminho, mas importante seguí-lo. 

     Certa vez li sobre alguém que quis fugir de tudo e isolou-se num retiro espiritual a fim de encontrar seu eu interior Zen. Mas passado algum tempo acalmando o seu espírito, buscando respostas, questionando a si mesmo, ele compreendeu que apesar do mundo agitado em que vivia, apesar da difícil tarefa da relação humana, apesar de sua sede por mudanças e de se tornar uma pessoa melhor, aquele ambiente Zen não representava o seu verdadeiro eu. Então ele abandonou o seu lado introspectivo e voltou a ser o que era (embora mais centrado) com todos os defeitos que tinha e aprendeu que pior do que ser o que era, seria se tornar alguém que na verdade não era. E assim, encontrou o seu verdadeiro caminho. Tenho esses dois lados em mim e preciso descobrir a qual realmente pertenço para que seja mais fácil seguir o meu verdadeiro caminho. Entendo que essa sim, será a melhor opção.

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Reeditado em 22/04/2015

Mudança

(Texto de 25 de agosto de 2004 _ Mudança de cidade / deixando a casa dos pais) 

     Estou mudando algo em minha vida e na verdade não sei o que esperar disso. Enquanto estava a caminho, dentro do ônibus, tive um período confuso onde me concentrei em todos que deixei para trás, mas quando cheguei aqui pensei: “É hora de pisar firme”. E foi o que eu fiz, era o que eu tinha que fazer e é o que tenho feito para me manter bem. Às vezes a “saudade-tristeza” bate, vem forte, mas tenho tentado guardar apenas para mim. Quando vim, senti que estava abandonando a pessoa que mais me ajudou nos últimos tempos. Não foi justo com nós tantas coisas que aconteceram: não nos respeitaram, não respeitaram a nossa amizade e de alguma forma conseguiram nos afastar fisicamente, mas não nossas almas: somos um só espírito conectado em dois corpos e por isso, me sinto metade agora. Ambos sabemos o quanto está sendo difícil e qual é nossa importância um para o outro e eu a carrego comigo aonde vou... Minha mãe, meu pai, meus irmãos e sobrinhos, alguns amigos, às vezes me questiono se os aproveitei realmente enquanto eu estava por perto, mas também os trago junto comigo guardados em meu coração.

    O resto em minha vida estou mudando, tenho mudado, quero conseguir mudar. “Dos tempos de tristeza, tive o tanto que era bom”. Tenho crescido muito. Minha alma está se expandindo e cada vez maior, tenho aprendido e aprendi muito com aquilo que às vezes ardia em meu peito. Tenho pensado nas coisas que posso tirar dessa experiência, mas sem muitas expectativas. Ter saído de casa em busca de propósitos que moldem meu futuro foi minha meta. Quero aprender sempre, evoluir meu potencial, observar os pequenos conflitos humanos parar tirar proveito disso e usar em minha vida. Há um bom tempo, estou tentando melhorar como pessoa. Gosto de demonstrar o que sinto, de falar sobre as poucas experiências que já tive. Li muitas coisas que me ajudaram a pensar assim, a me ajudar para depois ajudar outras pessoas. Quero esquecer várias coisas, uma a cada dia. Sentimentos que não me fazem bem, amores (de todos os tipos) que não são recíprocos, decepções que não me acrescentam em nada, críticas destrutivas. Se alguém me perguntasse hoje, o que mais gosto em mim mesmo, eu diria, minha alma, a essência de meu espírito traduzida em minha personalidade. 

     Tenho muito a aprender e longo caminho a percorrer, vejo minhas propostas pessoais num mundo imenso, de mente aberta. Quero ter oportunidades, ouvir e falar na hora certa, gastar minha energia em coisas úteis. Talvez eu seja um pouco diferente de meus irmãos. Talvez o ideal de vida para eles é ter suas casas, seus filhos, tentar deixar a família bem estruturada, ter seus empregos, seu sustento, viver em prol disso. Sinto que isso é comum demais para mim, mas fico feliz se eles estiverem levando a vida da maneira que acham corretas, e se estão felizes. Mas busco bem mais que isso, busco o lado alternativo, não convencional embora responsável da vida. Sinto medo ao mesmo tempo em que me sinto seguro. Maturidade me sobra. Meu coração? Hoje está bem cuidado por uma grande pessoa e que espero passar grande tempo de minha vida junto a ela. Que eu me permita pensar assim. Que eu me permita expansão. Que eu consiga me tornar um ser grandioso dentro das possibilidades que tenho. Ação e espera! Termino parafraseando uma letra de música que condiz com este momento: “E minha história não estará do avesso assim sem final feliz. Terei coisas bonitas pra contar. E até lá, vou viver, tenho muito ainda por fazer, não vou olhar para trás, estou apenas começando. O mundo começa agora... E eu estou apenas começando.”

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Reeditado em 22/04/2015

terça-feira, 12 de maio de 2009

(Divagação II) - Questões espirituais

(Texto de Outubro de 2007)

     Por que eu sinto meu ser e minha luz com tanta profundidade? Eu sinto que meu plano existencial é muito maior do que conheço e o que eu conheço é pouco demais para me conformar. Eu sinto que não sou um ser espiritualmente comum. Eu sinto que sou maior aqui dentro, maior, mais leve e mais limpo do que meu exterior consegue mostrar. Por que por diversas vezes me imagino em um lugar com potencialidade espiritual maior? Eu sei que sou um ser profundo, eu entendo isso pela forma como vivo, eu vivo muito intensamente inclusive minhas dúvidas. E minhas dúvidas por mais ambivalente que isso pareça, são o que me dão certeza de minha intensidade já que minhas dúvidas estão relacionadas a fatores existenciais. Eu sinto além disso, ter muita responsabilidade em algumas vidas próximas a mim, como se algumas pessoas precisassem que eu estivesse de alguma forma por perto. Como se hora dessas, eu viesse “a desistir”, eu estivesse estragando um ciclo muito grande, um ciclo que eu mesmo escolhi em partes, antes de parar aqui. O ciclo do “por que eu estou aqui”. Vez por outra tenho esses vislumbres, vez por sempre estou conectado a uma força muito maior. Por outras vezes, me enfraqueço ao me desviar de meus propósitos. Mas aliás, qual é meu maior propósito? 

      Sinto ser um espírito livre. Não gosto de nada que me prenda, não gosto de avaliações, não gosto de condições, não consigo me ver em uma mesma situação por muito tempo. Preciso de espaço, de abertura para seguir em frente. Talvez por viver muito intensamente as coisas, costumo enjoar delas muito fácil. E costumo errar muito e me penitenciar depois (e isso me toma muita energia). Porque muitas vezes me imagino em lugares longe das pessoas? Por que me imagino apenas lá sentado contemplando o horizonte de minhas lembranças? Vendo a vida que levei com pessoas tão importantes? E por que penso isso quando um de meus propósitos é estar com estas pessoas? Eu sinto meus amparadores perto de mim, eu sei que eles sabem quando estou enfrentando meus combates, quando estou desistindo, quando estou me desviando do assunto principal, e quando choro internamente enquanto consigo inventar uma meia risada na boca. Por que estão fazendo isso comigo? O que estão querendo me dizer? O que querem que eu perceba? O que querem que eu compreenda? Por que quando algo costuma dar errado, assumo aquilo como culpa minha, assumo aquilo como algo que estou destinado a passar por conseqüência de algo que fiz? Por que fico arrastando penitências por meses, quando também sei que mereço estar passando por coisas melhores? Por que minha insistência de permanecer em um lugar que está destroçando minha energia por medo do abandono? Por que envolvi outra vida em meu projeto existencial? Por que o amor das pessoas ao redor não me deixa ir? 

     Eu sinto estar carregando às vezes mais do que minhas costas suportam... Mas sobre tudo, eu sinto estar carregando algo muito iluminado dentro de mim: minha alma. Eu sei que sou um ser de luz! Eu sinto ser um ser de luz. E eu sei que posso doar minha luz e que eu não devo bloqueá-la. E nesse momento sinto também ser meu silêncio. Eu preciso calar minha voz e apenas ouvir meu silêncio. Eu sinto que já falei e mostrei muito de mim às pessoas ao meu redor. E sinto que agora é hora de observar o resultado. Eu sei que nem tudo está perdido...

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Reeditado em 21/05/2015

domingo, 3 de maio de 2009

Enquanto chove

(Texto de 2005)

     Enquanto chove, devo me deitar para não mais ver o céu cinza e devo tentar sonhar, devo continuar minha regressão. O passado habita em mim. Estou preso em minhas memórias que por hora me afetam, que me transformam naturalmente no que sou no presente. Me perco em aventuras que não vivi e nas mentiras que escolhi pra mim. Me levo para lugares que apenas eu sei onde. Vejo imagens que hipoteticamente criei para fingir tê-las sentido. Me transporto para uma viagem interior, onde me esbarro em erros, onde atropelo sentimentos. Meu ser inconsciente flutua. 

     Enquanto chove, devo me deitar e tentar parar a chuva e devo tentar dormir sem sonhar. O futuro cobra de mim. Estou livre de meus enganos que por hora me arrancam culpas, que me despertam naturalmente de meu passado. Me busco em aventuras que pretendo viver e nas verdades que escolhi pra mim. Me levo para lugares onde quero mostrar por onde. Vejo imagens que supostamente crio para perseguir senti-las. Me transporto para uma viagem onde me apego em meus acertos, onde mergulho em sentimentos. Meu ser consciente acorda.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mas é que...

(Texto de novembro de 2006)

Estou tentando te apagar aos poucos.
Apagando arquivos em minha memória. 
Riscando imagens. 
Jogando latas de tinta branca em cima delas. 
Tinta branca! ( É que estou tentando ficar em paz) 
Já não cabe mais a mim a raiva que resultou de teu desprezo nem me zunem aos ouvidos o som das palavras que imaginei ter adotado com tuas tão preciosas avaliações.  

Estou tentando te apagar aos poucos. 
Como naquele filme que assistimos quando ainda éramos amigos. 
Aquele filme em que rimos por não termos de fato entendido. Inteligência lerda!
Entretanto, erro ao tentar apagá-la de mim. 
Mas é que não a reconheço em minhas lembranças, exceto (pelo diagnóstico do momento) naquela pose “de costas” em uma fotografia de um carnaval longínquo. Não teria pose melhor para explicar esse sentimento. 
Sinto-me traído pelas frases que acreditava tanto quando saiam de tua boca em nossas antigas tão boas conversas. 
Sinto-me abatido pelo grande estrago que causou a minha condição emocional. 
Sinto-me mudo pelas coisas que deveria ter gritado em frente a seu rosto ainda que meu coração ultrapassasse 340 batimentos cardíacos. 
Sinto-me extremamente enojado. 

Estou tentando te apagar aos poucos. 
Meu amor diminuiu, mas ainda a amo. 
Desejei tua queda, mas ainda torço para que encontre teu caminho.
Quis que tivéssemos um ao outro novamente, mas prefiro mesmo o afastamento. 
Confusão reconhecida! 
Mas é que estou mesmo tentando te apagar aos poucos e não sei ainda como lidar com isso
Jogou-me para fora de sua vida.
Esnobou-me por ter conseguido outros amigos. 
Ignorou-me ao precisar de sua ajuda.  
Preciso te apagar aos poucos. Deletar tua voz. 
Comecei rasgando as cartas. Destruindo os cartões. 
Recortando as fotos. Recuando ao teu nome. 
Mas é que não é tão fácil assim . 
Todo esse tempo perdido, não recuperado e já acabado.
Minha mágoa é temporária, a cicatriz é que fica.
Esqueça mesmo de voltar e vá em paz. Seja feliz!
É que realmente estou tentando te apagar aos poucos mas ainda não sei se irei conseguir.