domingo, 3 de maio de 2009

Enquanto chove

(Texto de 2005)

     Enquanto chove, devo me deitar para não mais ver o céu cinza e devo tentar sonhar, devo continuar minha regressão. O passado habita em mim. Estou preso em minhas memórias que por hora me afetam, que me transformam naturalmente no que sou no presente. Me perco em aventuras que não vivi e nas mentiras que escolhi pra mim. Me levo para lugares que apenas eu sei onde. Vejo imagens que hipoteticamente criei para fingir tê-las sentido. Me transporto para uma viagem interior, onde me esbarro em erros, onde atropelo sentimentos. Meu ser inconsciente flutua. 

     Enquanto chove, devo me deitar e tentar parar a chuva e devo tentar dormir sem sonhar. O futuro cobra de mim. Estou livre de meus enganos que por hora me arrancam culpas, que me despertam naturalmente de meu passado. Me busco em aventuras que pretendo viver e nas verdades que escolhi pra mim. Me levo para lugares onde quero mostrar por onde. Vejo imagens que supostamente crio para perseguir senti-las. Me transporto para uma viagem onde me apego em meus acertos, onde mergulho em sentimentos. Meu ser consciente acorda.

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