domingo, 17 de maio de 2009

Mudança

(Texto de 25 de agosto de 2004 _ Mudança de cidade / deixando a casa dos pais) 

     Estou mudando algo em minha vida e na verdade não sei o que esperar disso. Enquanto estava a caminho, dentro do ônibus, tive um período confuso onde me concentrei em todos que deixei para trás, mas quando cheguei aqui pensei: “É hora de pisar firme”. E foi o que eu fiz, era o que eu tinha que fazer e é o que tenho feito para me manter bem. Às vezes a “saudade-tristeza” bate, vem forte, mas tenho tentado guardar apenas para mim. Quando vim, senti que estava abandonando a pessoa que mais me ajudou nos últimos tempos. Não foi justo com nós tantas coisas que aconteceram: não nos respeitaram, não respeitaram a nossa amizade e de alguma forma conseguiram nos afastar fisicamente, mas não nossas almas: somos um só espírito conectado em dois corpos e por isso, me sinto metade agora. Ambos sabemos o quanto está sendo difícil e qual é nossa importância um para o outro e eu a carrego comigo aonde vou... Minha mãe, meu pai, meus irmãos e sobrinhos, alguns amigos, às vezes me questiono se os aproveitei realmente enquanto eu estava por perto, mas também os trago junto comigo guardados em meu coração.

    O resto em minha vida estou mudando, tenho mudado, quero conseguir mudar. “Dos tempos de tristeza, tive o tanto que era bom”. Tenho crescido muito. Minha alma está se expandindo e cada vez maior, tenho aprendido e aprendi muito com aquilo que às vezes ardia em meu peito. Tenho pensado nas coisas que posso tirar dessa experiência, mas sem muitas expectativas. Ter saído de casa em busca de propósitos que moldem meu futuro foi minha meta. Quero aprender sempre, evoluir meu potencial, observar os pequenos conflitos humanos parar tirar proveito disso e usar em minha vida. Há um bom tempo, estou tentando melhorar como pessoa. Gosto de demonstrar o que sinto, de falar sobre as poucas experiências que já tive. Li muitas coisas que me ajudaram a pensar assim, a me ajudar para depois ajudar outras pessoas. Quero esquecer várias coisas, uma a cada dia. Sentimentos que não me fazem bem, amores (de todos os tipos) que não são recíprocos, decepções que não me acrescentam em nada, críticas destrutivas. Se alguém me perguntasse hoje, o que mais gosto em mim mesmo, eu diria, minha alma, a essência de meu espírito traduzida em minha personalidade. 

     Tenho muito a aprender e longo caminho a percorrer, vejo minhas propostas pessoais num mundo imenso, de mente aberta. Quero ter oportunidades, ouvir e falar na hora certa, gastar minha energia em coisas úteis. Talvez eu seja um pouco diferente de meus irmãos. Talvez o ideal de vida para eles é ter suas casas, seus filhos, tentar deixar a família bem estruturada, ter seus empregos, seu sustento, viver em prol disso. Sinto que isso é comum demais para mim, mas fico feliz se eles estiverem levando a vida da maneira que acham corretas, e se estão felizes. Mas busco bem mais que isso, busco o lado alternativo, não convencional embora responsável da vida. Sinto medo ao mesmo tempo em que me sinto seguro. Maturidade me sobra. Meu coração? Hoje está bem cuidado por uma grande pessoa e que espero passar grande tempo de minha vida junto a ela. Que eu me permita pensar assim. Que eu me permita expansão. Que eu consiga me tornar um ser grandioso dentro das possibilidades que tenho. Ação e espera! Termino parafraseando uma letra de música que condiz com este momento: “E minha história não estará do avesso assim sem final feliz. Terei coisas bonitas pra contar. E até lá, vou viver, tenho muito ainda por fazer, não vou olhar para trás, estou apenas começando. O mundo começa agora... E eu estou apenas começando.”

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Reeditado em 22/04/2015

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