quinta-feira, 4 de junho de 2009

As minhas informações

     Tudo em mim, quer dizer alguma coisa! O estilo de roupa que eu uso, a forma desgrenhada como corto os meus cabelos, os discos que eu prefiro, os filmes que mais gosto, as tatuagens em meu corpo. Todas essas coisas são pra que mesmo que eu não explique coisa alguma, elas gerem informações sobre mim que cada pessoa apropria-se à sua maneira. O porquê me interesso tanto pelas letras da Alanis Morissette, o porquê a música do Radiohead me transporta para outros lugares, o porquê há na minha sala um canto que batizo de “espiritual” com alguns Budas e artefatos Zen, o porquê uso uma camiseta do Los Hermanos, o porquê sou doador de sangue ou autorizei a doação dos órgãos, o porquê o filme Na Natureza Selvagem é deveras quase um filme de minha própria vida, o porquê considero Eddie Vedder um de meus sábios. Por que escreveria, se não na ânsia de mostrar mais informações a meu respeito? Talvez até para mudar algumas, ou criar outras, talvez para esclarecer tantas. 

     Outro dia observei o quanto ando cada vez mais maníaco e doentio em relação ao tempo. Fico contando as horas das coisas que eu faço: trabalho tantas horas, me alimento em tantos minutos, chego em casa, me sobra um tempo para passar com o amor da minha vida, que diminui até a hora de nós jantarmos, mais outros instantes no computador, hora de ir para cama, para que dormir tanto tempo? E então me reviro e logo levanto, volto pra sala pra fazer algo! Leio alguma página dos quatro livros que estão com a leitura em andamento, escrevo sobre algum assunto... As pessoas precisam dividir o tempo quase que inconscientemente: o tempo de trabalhar, o tempo de conversar com alguns amigos, o tempo de ligar para a família, o tempo para a diversão, o tempo para os problemas...Tempo, tempo, tempo, minha doença psíquica! E então, como geramos essas informações para outras pessoas, estive me auto analisando. Tenho estado com uma necessidade imensa de organizar minhas coisas. Como se então, esse chamado tempo, tivesse me pressionando diariamente. Se tenho textos inacabados, quero terminá-los logo; as outras tatuagens que pretendo fazer, tem que ser pra logo, aquela caixa cheia de recortes, tenho que arrumar de uma vez (coisas pequenas e sem tanta importância). E no fundo todas essas coisas a serem feitas, são pra que outras pessoas possam, ao encontrá-las ou percebê-las, entender melhor todas as partes que existem em mim. É pra lerem um texto meu e pensarem: “Não sabia que ele pensava assim” por exemplo. E nessa relatividade das coisas, pessoas e ações próprias, acabo por acumular muito daquilo que sinto necessidade de expressar. Seja escrevendo, falando ou dando a entender. É que eu sou um amontoado de informações ambulante e só não quero partir sem que antes as pessoas obtenham algumas das minhas informações que julgo mais importantes. Menos ainda, sem que depois disso, acrescentem as suas! 

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Reeditado em 22/04/2015

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