sábado, 13 de junho de 2009

Hippie-Zen

(texto de janeiro de 2005) “Gosto do meu silêncio, do que sou quando estou dentro dele... Ouço minha mente, minhas palavras pensadas, meu eu que em algumas partes só eu mesmo conheço... Gosto de estar em algum lugar quando estou assim, algum lugar simples, algum abrigo. De estar na janela sentindo o vento no rosto, vendo as folhas das árvores se esfregarem, observando o horizonte, uma nuvem qualquer em movimento, o sol ou simplesmente seus raios refletidos, ou olhando lugar algum. Apenas sentindo esta sensação que me faz sentir grande, maior do que realmente sou. É tudo tão simples e comum, vejo as coisas de um outro jeito, com paciência e compaixão. Sinto minha paz de espírito, a mesma que na maioria das outras vezes, parece funcionar apenas na teoria (falo muito mais nela do que a realmente uso, embora tenha uma total inclinação direcionada a este lado da espiritualidade, de minha própria espiritualidade, de minha busca por aprendizados). Gosto de me sentir assim. De me sentir leve, vulnerável, com uma grande ânsia de ajudar outras pessoas, de querer que se orgulhem de mim, de estender a mão, de reconhecer meus erros, de tentar acertar, de aceitar certas coisas, de entender minha própria trajetória, meus sentimentos, minhas emoções, aquilo que constrói minha personalidade, meu caráter... Gosto de ouvir minhas canções preferidas, de senti-las com meu espírito, de me inspirar através delas, de usar o sentido das letras, de me sentir por perto mesmo com o olhar distante... O silêncio de uma mente que fala calada, que pensa, questiona, lembra, critica ou induz o riso à boca, ou faz chorar através das lagrimas dos olhos... (me sinto emocionado aqui)... Mente! Tão misteriosa. Levaria vidas para olhar para dentro e tentar conhecê-la totalmente. É a parte do corpo que mais me assusta e a que mais tenho curiosidade em aprender. Estruturar pensamentos, porém manter certa confusão: “Pobre de quem nunca teve dúvidas, pois isso significa que nem se quer teve opções para escolher”. Aprendi... Absorvi em minha vida... Gosto desse meu silêncio, de ficar quieto, de buscar sabedoria ou não pensar em nada... (me sinto bem aqui)... Meio hippie, zen: tentando encontrar eu mesmo, gosto de me expressar calado, de expressar serenidade em meu rosto, de sentir o impacto psicológico de uma simples parada no dia sentindo o vento, o ar da natureza, pensamentos de amor, de compaixão, ajuda e otimismo. Gosto dessa parte em mim, desse meu lado introspectivo, voltado a mim mesmo, a corrigir minhas grandes falhas, a tentar destilar mágoas. Desse meu lado que mostra o quão grandioso eu poderia ser se soubesse como levar minha vida, meu eu interior, minhas ações, atitudes, emoções e sentimentos, direito. Se soubesse sempre o que fazer, o que dizer àquelas pessoas que estão ao meu redor, minha família, meus grandes amigos, meu amor. Se soubesse como não magoá-los com meu outro lado tão contrário a esse. Enquanto isso... silêncio. Senti-lo e aproveitá-lo em momentos como estes. Vesti-lo. Meu silêncio que pensa, meu silêncio que me ajuda, que ri e ás vezes chora, que às vezes chora muito, que deseja coisas boas, meu silêncio positivo. É o que depois, daqui a pouco, me torna melhor, uma pessoa melhor, pelo menos até perdê-lo, mas até lá, tudo começa de novo, dias, noites e... Mas enquanto isso apenas silêncio... O silêncio é uma lacuna, um espaço, uma pausa na gritante voz falada, mas que na verdade nunca está em “branco”... A mente nunca se cala...”

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