domingo, 17 de maio de 2009

Explosões interiores

(Texto de setembro de 2006)

     Depois de algum tempo tentando mudar minhas substâncias negativas para me tornar aos poucos alguém mais zen, percebi que , talvez esse não seja meu verdadeiro caminho. Desde que me inclinei nessa direção da vida, mesmo por assim fazer tendo outras pessoas como referência, comecei uma procura profunda de minha essência, de meus propósitos, extremos e limites. Isso influenciou minha vida nos últimos três anos, porém de certa forma, tenho questionado no momento esta minha busca. Viajei para o lugar onde encontrei meu antigo eu, penso que este choque interior causou tal dúvida. Meu antigo eu, apesar de muitos defeitos que deixei para trás, tinha também muitas coisas das quais tenho sentido falta. Um bom exemplo seria a maneira mais direta, ainda que precipitada e desorganizada, com que eu enfrentava alguém em conflitos específicos. Eu tinha mais a dizer, mais para entrar no combate e assim fazia, mas de uma forma imatura que logo me afogava em arrependimento e culpa. Mas percebi agora, que essa é a maneira mais franca (ainda que cruel) de fazer bem a si mesmo. À medida que se fala o que pensa, na intensidade a que se está com raiva ou magoado, se tem um alivio imediato. Diferentemente de se pensar no que dizer antes e querer sentar e conversar sobre esse conflito com maturidade e compreensão. Sem dúvida essa é a melhor opção, mas será mesmo que dessa maneira colocamos nossa mágoa, raiva ou rancor para fora? Ou apenas a tratamos de um jeito que não nos machuque ainda mais e a deixamos num lugar que não nos incomode, mas que se mantém em nós? Qual é o ponto positivo de uma “explosão” mais correto a ser seguido? Tenho tido dúvidas sobre meu caminho verdadeiro, pois faz algum tempo que deixei de ser “uma explosão de sentimentos imaturos” e talvez isso tenha beneficiado mais as pessoas as quais eu convivo do que a mim próprio, já que muitas vezes guardar as coisas para mim, me fez interiorizar tristezas. Difícil, seguir o melhor caminho, mas importante seguí-lo. 

     Certa vez li sobre alguém que quis fugir de tudo e isolou-se num retiro espiritual a fim de encontrar seu eu interior Zen. Mas passado algum tempo acalmando o seu espírito, buscando respostas, questionando a si mesmo, ele compreendeu que apesar do mundo agitado em que vivia, apesar da difícil tarefa da relação humana, apesar de sua sede por mudanças e de se tornar uma pessoa melhor, aquele ambiente Zen não representava o seu verdadeiro eu. Então ele abandonou o seu lado introspectivo e voltou a ser o que era (embora mais centrado) com todos os defeitos que tinha e aprendeu que pior do que ser o que era, seria se tornar alguém que na verdade não era. E assim, encontrou o seu verdadeiro caminho. Tenho esses dois lados em mim e preciso descobrir a qual realmente pertenço para que seja mais fácil seguir o meu verdadeiro caminho. Entendo que essa sim, será a melhor opção.

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Reeditado em 22/04/2015

Mudança

(Texto de 25 de agosto de 2004 _ Mudança de cidade / deixando a casa dos pais) 

     Estou mudando algo em minha vida e na verdade não sei o que esperar disso. Enquanto estava a caminho, dentro do ônibus, tive um período confuso onde me concentrei em todos que deixei para trás, mas quando cheguei aqui pensei: “É hora de pisar firme”. E foi o que eu fiz, era o que eu tinha que fazer e é o que tenho feito para me manter bem. Às vezes a “saudade-tristeza” bate, vem forte, mas tenho tentado guardar apenas para mim. Quando vim, senti que estava abandonando a pessoa que mais me ajudou nos últimos tempos. Não foi justo com nós tantas coisas que aconteceram: não nos respeitaram, não respeitaram a nossa amizade e de alguma forma conseguiram nos afastar fisicamente, mas não nossas almas: somos um só espírito conectado em dois corpos e por isso, me sinto metade agora. Ambos sabemos o quanto está sendo difícil e qual é nossa importância um para o outro e eu a carrego comigo aonde vou... Minha mãe, meu pai, meus irmãos e sobrinhos, alguns amigos, às vezes me questiono se os aproveitei realmente enquanto eu estava por perto, mas também os trago junto comigo guardados em meu coração.

    O resto em minha vida estou mudando, tenho mudado, quero conseguir mudar. “Dos tempos de tristeza, tive o tanto que era bom”. Tenho crescido muito. Minha alma está se expandindo e cada vez maior, tenho aprendido e aprendi muito com aquilo que às vezes ardia em meu peito. Tenho pensado nas coisas que posso tirar dessa experiência, mas sem muitas expectativas. Ter saído de casa em busca de propósitos que moldem meu futuro foi minha meta. Quero aprender sempre, evoluir meu potencial, observar os pequenos conflitos humanos parar tirar proveito disso e usar em minha vida. Há um bom tempo, estou tentando melhorar como pessoa. Gosto de demonstrar o que sinto, de falar sobre as poucas experiências que já tive. Li muitas coisas que me ajudaram a pensar assim, a me ajudar para depois ajudar outras pessoas. Quero esquecer várias coisas, uma a cada dia. Sentimentos que não me fazem bem, amores (de todos os tipos) que não são recíprocos, decepções que não me acrescentam em nada, críticas destrutivas. Se alguém me perguntasse hoje, o que mais gosto em mim mesmo, eu diria, minha alma, a essência de meu espírito traduzida em minha personalidade. 

     Tenho muito a aprender e longo caminho a percorrer, vejo minhas propostas pessoais num mundo imenso, de mente aberta. Quero ter oportunidades, ouvir e falar na hora certa, gastar minha energia em coisas úteis. Talvez eu seja um pouco diferente de meus irmãos. Talvez o ideal de vida para eles é ter suas casas, seus filhos, tentar deixar a família bem estruturada, ter seus empregos, seu sustento, viver em prol disso. Sinto que isso é comum demais para mim, mas fico feliz se eles estiverem levando a vida da maneira que acham corretas, e se estão felizes. Mas busco bem mais que isso, busco o lado alternativo, não convencional embora responsável da vida. Sinto medo ao mesmo tempo em que me sinto seguro. Maturidade me sobra. Meu coração? Hoje está bem cuidado por uma grande pessoa e que espero passar grande tempo de minha vida junto a ela. Que eu me permita pensar assim. Que eu me permita expansão. Que eu consiga me tornar um ser grandioso dentro das possibilidades que tenho. Ação e espera! Termino parafraseando uma letra de música que condiz com este momento: “E minha história não estará do avesso assim sem final feliz. Terei coisas bonitas pra contar. E até lá, vou viver, tenho muito ainda por fazer, não vou olhar para trás, estou apenas começando. O mundo começa agora... E eu estou apenas começando.”

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Reeditado em 22/04/2015