domingo, 27 de setembro de 2009

Qual é o seu histórico?

 Nesta semana, mais precisamente na Segunda-Feira, perdi a minha carteira de identidade. Tive que providenciar uma segunda via, pagar por isso e ficar estampado no documento com uma foto ainda pior do que a antiga. Ainda não consegui fazer o registro de ocorrência na delegacia pois estava lotada quando estive por lá, mas é extremamente necessário fazê-lo. Caso contrário no próximo mês é a polícia que invadirá o apartamento à minha procura por um crime que na verdade "quem encontrou o meu RG cometeu". Soa engraçado, mas é bem sério, afinal já não se pode confiar em muitas pessoas! Fiquei analisando durante a semana o quanto é importante termos algo para "provar" quem somos. Mas é realmente a nossa "identidade" que está impressa no documento? A moça que me atendeu, logo mostrou a "minha ficha completa" assim que soprei meu CPF. E eu que pensava ser um tanto misterioso, estava despido completamente em sua frente. Detalhes burocráticos, eu sei, mas ainda assim despido. A palavra "arquivo"e seu significado acabou por me indagar ali.

     Sempre considerei que somos todos arquivos daquilo que já fizemos. Arquivos que carregamos junto durante a vida toda. Alguns em gavetas abertas, outros em gavetas fechadas. E estes arquivos ao contrário do que pensamos, nunca são apagados, por mais que vez por outra usamos o termo "deletar". Em tempo presente cada um de nós é um histórico. Carregamos o histórico do que já fizemos, de como já pensamos, de quem fomos. Onde por mais mudanças que vamos tendo com o passar do tempo, mantemos nossos registros passados, que são sim partes que se fazem atuais nem que seja para se dizer: "Não sou mais assim!". Mas "já fomos assim" e nossa maneira atual de ser não elimina as anteriores. Esconde, mas não apaga! Esse é o porquê muitas vezes ficamos querendo que algumas pessoas sejam no hoje como eram antes e essas pessoas também exprimem esse mesmo desejo sobre nós.  É assim que analiso as pessoas e situações, principalmente quando se trata de mágoas e decepções. Eu busco aquela "identidade"que sempre foi interessante nelas. A primeira, a segunda, até a terceira via, pois talvez na quarta, elas já não são "assim tão interessantes", mas isso não elimina todas as outras. Elas estão em meus arquivos e sempre as procuro em seu histórico! Nem que seja para uma lembrança, para uma lágrima descendo no rosto, para um riso solto. As pessoas são como os discos: um último disco ruim jamais destruirá todos os outros bons, ainda menos aquele incrível. Cabe a cada um procurar ouvir o seu favorito, cabe a cada um deixar tocar em si, o seu preferido para que as outras pessoas possam escutar. Cabe a cada um preferir ficar sempre com a melhor parte, entre todas as partes de que é construída uma única pessoa.

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Reeditado em 22/04/2015