terça-feira, 10 de agosto de 2010

A atividade da paz



     Estive visitando o Templo Budista Khadro Ling situado em Três Coroas, que há algum tempo desejava. Foi na verdade um pequeno retiro de um dia e meio longe "da cidade". Não sou budista. Não estudo o budismo nem o pratico diariamente, apenas vejo em alguns pontos dessa filosofia, um atalho maior para que espiritualmente eu me sinta melhor. E tem funcionado desde que "atalhei" por esse caminho. Conhecer o centro foi incrível! O lugar em si seria uma paz total, não fosse a quantidade de pessoas que o visitam. Mas para quem é praticante e tem durante a semana, o centro como refúgio, não há por perto, lugar mais interessante. Sua arquitetura, seus Budas, sua localização lá no alto da montanha, é realmente um Templo que evoca os sentimentos mais puros. Mas não sei porquê, mexeu menos comigo do que eu imaginava. Enquanto estava lá na verdade refleti sobre outras coisas. Será que é necessário seguir rumo à outros lugares para sentir paz? Será que realmente é necessário um isolamento para encontrar o equilíbrio? Não seria isso chamado fuga? Se não há contato diário com pessoas, certamente não haverá atritos em sua vida. Esse paradoxo ainda me deixa confuso. Se o isolamento traz a iluminação, a troca de energia entre as pessoas serve exatamente pra quê? E porque a felicidade não pode ser partilhada com uma ou mais pessoas e ainda assim atingirmos a tal iluminação? A paz, ao meu ver está dentro de cada um em tempo integral, ainda que escondida. Acredito que temos é que encontrar o melhor caminho para usufruir dela. Ultimamente sinto paz em outras coisas que faço e que não estão associadas necessariamente a um retiro espiritual - embora tenha vários períodos de isolamento interno. Sinto paz quando consigo ajudar alguma pessoa que pede a minha visão de alguma situação, e principalmente quando a minha visão das coisas realmente ajuda de forma válida. Sinto paz quando ouço alguma de minhas músicas favoritas. Sinto paz, quando tudo está dando certo, sinto paz quando estou sentado em minha casa descansando, sinto paz quando cumprimento alguma pessoa sorrindo, quando dou e recebo um abraço verdadeiro. Sinto paz quando eu digo a alguém o quanto é importante em minha vida e ouço o mesmo em recíproca. E algumas vezes não sinto paz, quando por exemplo meus irmãos estão em atrito por motivos que deviam ter sido extremamente bem resolvidos, quando meus pais mesmo em um momento de doença acabam não ajudando a si próprios tanto quanto deveriam, quando há sempre uma reclamação e nada do que se faz está realmente bom. Não sinto paz quando estou magoado ou magoei algum amigo, não sinto paz quando me relaciono com pessoas difíceis. Quando há algum problema em meu trabalho, quando sinto que minha ajuda não é suficiente para o melhoramento de algo e ainda assim alguém espera alguma resposta que não sei dar. Ou quando todos esses sentimentos estão na verdade conturbados dentro de mim. Sei também que a raiva é um veículo perfeito para o exercício da paz. Saber lidar com ela é sabedoria pura! O que precisamos é abrirmos um espaço dentro de nós para abrigar as coisas positivas e desejar que esse espaço seja sempre maior do que o local onde inevitavelmente armazenamos o que é negativo. Ainda que eu não tenha sentido o que buscava sentir lá em cima naquele templo, indico à todos a fazer uma visita ao alto daquela montanha. Certamente servirá para algum tipo de reflexão. Mesmo que no meu caso tenha sido uma reflexão contrária àquela que eu procurava. Talvez por que sem saber exatamente, naquele momento eu já estivesse com minha dose certa de paz. Que cada um esteja sempre no caminho da melhor verdade. Isso já é mais do que paz. É paz e meia. É simplesmente estar!

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Reeditado em 22/04/2015

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