domingo, 21 de fevereiro de 2010

Direção correta


     Definitivamente fazer o gênero "um cara sério" não pode servir como regra em meu caso. Estar focado, buscando, estar no caminho, ter responsabilidade, dedicação, força de vontade e superação, certamente fazem parte de quem eu sou, principalmente quando se trata do meu eu no trabalho. Mas não sou dessa forma o tempo todo. Eu gosto do insano. De me sentir perdido vez por outra, de estar no caminho torto, de estar perturbado. Porque acredito que tais situações fazem parte do aprofundamento do meu estado emocional. Ser ativamente concentrado, ser do bem, ser sereno, ser centrado, certamente são qualidades que visto. Mas gosto de liberar meus demônios, cada um para um lado. Meu maior auto incentivo em ser alguém mais Zen se deve ao fato de que minha irritabilidade é algo que cresce constantemente e as fagulhas de minha raiva acumulada podem trazer consequências muito maiores do que um simples desafeto. Saber lidar melhor com meus defeitos sem descartar nenhum deles, eis meu lema há um bom tempo. De resto é exagero o ponto de vista das pessoas de que cada um de nós é sempre a mesma coisa. Nosso humor é algo que sofre alterações conforme cada ambiente e o ambiente externo é bem mais difícil de controlar do que nossas razões e emoções. Mas o que as outras pessoas projetam sobre quem eu sou, não é de tudo culpa minha. 

     Ultimamente ando cheio de planos e planos e mais planos para o futuro e já estou sentindo asco por tanta consideração à algo que ainda nem sei se experienciarei. Portanto estou fugindo desse layout do bom moço. Do amadurecimento precoce. Sempre fui um jovem mais "cabeça" e por conta disso experimentei menos maconha do que minha curiosidade da época gostaria, por exemplo. Com certeza hoje em dia isto é mais louvável do que falho, mas não pra quando se tem por volta de 19 anos e apesar da inquietude constante, se sabe lidar com os limites. Será que é tão difícil saber que nada é permanente? Que nossas convicções acabam mudando no devagar depressa dos tempos? Que o estado presente não é algo sólido? E que é só o nosso passado que persiste em nossas ações quando o futuro é as vezes um promissor falso e nada palpável? No fim das contas tudo o que realmente quero é ter tido uma vida interessante!

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Reeditado em 22/05/2015