terça-feira, 23 de agosto de 2011

Clareza: O despertar


     Esse provavelmente seja o último texto sobre este assunto nesta temporada. Amarguei semanas internamente conturbado. Desequilibrado em energia, um tanto quanto só. Escrevendo, pensando, analisando, discutindo assuntos que tinham no fundo, um mesmo tema, uma mesma direção: as existências! Li coisas, ouvi coisas, falei menos. No fim das contas, percebi que a grande descoberta dessa jornada está em entender a vida e a permanência do espírito mas nunca esquecendo que a vida que temos nesse plano, nesse mundo, precisa ser vivida tal qual somos: humanos! Se esquecermos de viver humanamente e experienciarmos tudo apenas espiritualmente, esse nosso retorno pro lado de cá perde sentido! Temos de ser complementos, não precisamos de forma alguma ser uma coisa só! Sei de mim, que não consigo viver "coisas minhas" a não ser profundamente. Vivo intensamente inclusive minhas dúvidas. Por me conhecer tenho a minha própria maneira de sair dos Períodos de Isolamento Interno: me instalando neles até que tudo se dissolva. Eu não engano minhas dores, eu preciso senti-las para curá-las! E tenho meu próprio tempo para isso. Quanto aos esclarecimentos, não posso me culpar por saber ou não saber. Se tenho realmente aprendido ou não ou se realmente a cada erro serei condenado ao passo que eles alteram meu caminho. Se minhas auto-punições são necessárias. Se minha compreensão, minha generosidade e minha ajuda bastam! O desconhecido se encontra na alienação dos sentidos: e o que é deveras verdade? Nosso subconsciente abriga o Universo. E eu continuo minha trilha: a busca está no todo, as respostas na simplicidade das coisas. 

domingo, 14 de agosto de 2011

Quantas vidas tem meu pai?

     Esta semana eu soube que meu pai havia ido até "a gruta" sozinho. Primeiro, meu pai que passou por um tratamento contra um câncer,  simplesmente não pode caminhar sozinho, todos se preocupam em saber se ele estará bem. Segundo, "a gruta" é lá morro acima! Poderia resvalar, cair, machucar-se. Nada disso aconteceu. Subiu, desceu e chegou em casa são e salvo. Meu pai: tantas altos e baixos! Sua saúde se tornou instável nos últimos anos e ainda assim agora teve forças para subir sozinho "em meio aquele mato". Hoje, Dia dos Pais, liguei para conversar com ele e obviamente toquei no assunto. Calmamente com sua voz mais tímida e fraca, ele contou que subiu até lá para rezar (há uma imagem da Nossa Senhora de Lourdes que permanece nesta gruta e dá nome ao Bairro onde nasci). Ele subiu para rezar e agradecer por ainda estar com nós, porque sente que foi o amor dos filhos e de minha mãe que o ajudou a ainda estar aqui neste plano. Após rezar, plantou mais algumas "mudas" de árvores pelo caminho. Meu pai com a sua doença, com seus setenta e um anos, com a sua sabedoria adquirida. 

      O texto de hoje não é nada triste, ao contrário. Fiquei tão feliz ao saber que meu pai, um tanto cético, compreendeu seu caminho por essa existência. Procurou sua fé, pediu compaixão e agradeceu. Num outro encontro que tivemos, em uma longa conversa de semi-despedida que ele quis ter comigo tempo atrás, dizia ele que nesta vida já havia sofrido tudo o que era preciso! Penso eu, que ele estava tentando entender sua evolução, sua jornada. E posso dizer que ele aguentou firme e com força. Mesmo com seu corpo físico mostrando o contrário por diversas vezes: ele jamis desistiu da vida! Qual é afinal o seu planejamento? A qual camada espiritual pertence? Sei que isso está longe de minha compreensão. Por hoje, agradeço ao seu espírito por ter me colocado em seu plano existencial. Estou profundamente interessado em entender/descobrir qual é o meu próprio plano nessa jornada. Ele veio antes para ser meu pai e junto com minha mãe deu à mim mais uma oportunidade a qual eu não posso desperdiçar! Toda essa vivência faz parte de nossa aprendizagem. Nosso amor será sempre transcendental. Nosso amor é o que sempre fará com que nos reencontramos! E que nossos reencontros nos tragam sempre a evolução a qual buscamos! Mas hoje tudo o que eu quero desejar é energia pura em forma de luz e agradecer em forma de felicidade a nossa vida juntos. 

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Reeditado em 22/04/2015 (Data em que completaria 75 anos - meu pai faleceu em outubro de 2011)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E pra ser feliz aqui, temos que aceitar que nos perdemos

     Percebi que chega uma etapa da vida em que alguns de nós passam por "crises espirituais"! Sim, espirituais e não propriamente existenciais! Quando afinal conhecemos realmente nosso espírito? Digo, em qual momento? Quando estamos numa fase "cheia de graça" ou quando resvalamos poço adentro? Quando estamos intelectualizando as coisas ou quando estamos num raro momento de "não pensamento"? De quanto tempo são nossas vivências? Até quando seguiremos experienciando e quando então alcançaremos nosso dia sublime? E sublime, lá existe? Embora várias perguntas, a questão hoje não trata propriamente das dúvidas mas daquelas certezas que às vezes como que intuitivamente apropriam-se de nossa mente! Certezas? Não sei se com todos acontece assim. Comigo, no momento não estou cabendo mais em meu corpo e durante essa semana tive vários vislumbres de como preciso seguir meu caminho daqui em diante! Estou num momento de tentar perceber quais são as almas luzes que me acompanham de outras existências. Daquelas que tenho absoluta certeza, procuro tentar saber ou entender até que ponto seguirão ainda comigo nessa evolução já que algumas me deixarão logo após nosso resultado alcançado. De quantas eu me desviarei no trajeto. Se prometi algo antes de voltar a este plano, não tenho entendimento racional para perceber/entender. Por conta disso vou usando todos os caminhos: a pista iluminada a frente, as estradas tortas e escuras ao lado. É por conta disso que após reavaliar a intensidade de meus desastres e tentar analisar o quanto disso me prejudica nessa caminhada, que cheguei a pelo menos uma conclusão: sim, me perdoo! Se estou nesse plano, preciso aceitar que por diversas vezes me perderei! Carregamos (quase todos) dentro de nós, luz e escuridão. Ambas são necessárias. Somos esculpidos de imperfeições! 

      Pretendo viver as coisas simples da vida, porque acredito que é disso que somos necessariamente parte. Apesar desse texto de hoje, penso também que ao longo de nossa existência essas tais crises espirituais são necessárias, porém não se pode prender-se à somente essas questões. Se ficarmos "encanados" com os porquês de tudo, deixaremos de viver humanamente! Tenho estado em busca permanente, as tais jornadas para encontrar a si mesmo, são constantes. Embora às vezes elas não pareçam  fases, mas parte intensa de meu cotidiano. Estou profundamente interessado na vida! Me aceitando como indivíduo, despertando. De todas as dores, medicando somente as que são para sanar. De todos os amores, absorvendo somente os incondicionais. Nessa complexidade que é viver, tentando encontrar o equilíbrio, nunca sendo extremista. E me desequilibrando quando encontro resultados no que é insano. De todos esses dias em diante, minha jornada segue no rumo da simplicidade das coisas. Eu sou aquilo que meu coração sente, que meu subconsciente expressa. Na brevidade da vida, eu sou aquilo que permanecerá. Meu corpo sempre será apenas uma caixa que carrega meu espírito. Minha natureza é humana mas minhas ações são espirituais! E a vida aqui, nem sempre é como deveria ser...

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Reeditado em 22/04/2015