domingo, 23 de dezembro de 2012

A busca Zen

     A minha inspiração para o fim desse ciclo e início do próximo, está no “Dalai Lama_Tenzin Gyatso". A filosofia Zen Budista, sempre me inspirou a deixar minha espiritualidade ativa. Religião geralmente implica em crenças cegas e fé deslumbrada. E fé, em meu humilde ponto de vista, nada mais é do que um pensamento positivo. E um pensamento positivo, é na verdade energia. Eu acredito profundamente em energia e na reflexão de nossos próprios pensamentos para mudanças internas que façam diferenças externamente. Através do condicionamento de nosso amor, compaixão e bondade esta filosofia me ajuda a lidar melhor com meus sentimentos e minha visão se torna cada vez mais expansiva dentro de uma boa conduta e jornada espiritual. Ela permite que eu olhe para todos os meus pontos negativos de maneira aberta, sem escondê-los: minha raiva, minha tristeza , minha dor. Não camuflar estas emoções me ajuda a trabalhar a minha verdade: a sinceridade com a qual mantenho a minha conduta. Porém, o propósito de não esconder estes sentimentos, está justamente na transformação destes, para o lado positivo. Não escondê-los mas trabalhá-los de maneira a modificá-los com o propósito maior que resultará na paz interior. E a paz interior é de todas, a minha maior busca. Sobretudo, sempre na proteção de meus amparos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Divagações sobre o início de minha visão do que intitulo hoje "Sociedade Supérflua do Ter de/Adquirir"

     Tentando constantemente buscar informações dentro de mim, sobre mim, do porquê desta minha presente visão sobre a sociedade ser tão deturpada e antagônica,  comecei a relembrar alguns acontecimentos marcantes desde a minha infância. Cheguei a um ponto chave de mudança de pensamento, reverenciando as idéias das quais usufruo hoje. Dividirei esta sequência de pensamentos que vieram como uma enxurrada, em cinco partes. Quisera eu que, respostas prontas fossem encontradas. Mas tudo o que sei, é que ainda percorro o caminho das dúvidas. Eis então, minhas sinceras confissões/divagações sobre este assunto:
 
Parte 1: A bestialidade infantil (me acompanhando até os quatorze anos)
 
     Tive uma infância pobre. Nunca chegou a ser miserável, mas bem pobre. Lembro nitidamente de tudo que eu não podia ter (e queria).  Meus pais -ele empregado de uma vinícula (logo, aposentado) e ela, "Dona de Casa", ambos analfabetos - podiam me dar o básico dos básicos, ou seja, "morar, comer, vestir" e o "vestir" inclusive, resultava na maioria das vezes em roupas que já não serviam de outras crianças e que eram repassadas à mim. Meus irmãos mais velhos, ainda diziam que eu, sendo o sétimo e último filho, havia "pego" a melhor fase! Misericórdia das outras! Alguns deles, que já trabalhavam na época, também me ajudavam com roupas. Nunca tive uma festinha de aniversário: nunca! E sempre observava tudo o que as outras crianças "ganhavam" de presente nos aniversários em que eu era convidado a ir. E eu apenas sonhava com um momento daqueles... Também, nunca pedi nada aos meus pais. Posso dizer que, de alguma maneira, eu entendia que não podia cobrá-los, não sei. Mas interiormente, sempre desejava que tudo aquilo, toda aquela vida fosse diferente. Quando chegava o inverno, haviam as famosas contribuições da prefeitura com cobertores para as famílias carentes, ou seja, a minha. E como eu era o  mais novo, sempre sobrava para mim, receber. "Morria" de vergonha, mas havia uma necessidade. Eu olhava para aquela gente toda que estava naquelas reuniões de bairro, e só o que eu pensava é que éramos diferentes delas, enfim. Mas era apenas meu próprio ego, tentando camuflar a verdade que dizia que aquela era também a minha realidade. Mas vergonha mesmo, eu tinha era de minha casa. Ela era pequena e ainda parecia ser menor do que era, ela era feia e sem pintura, com os "zincos" enferrujados e com algumas frestas nas paredes de madeira, tinha apenas quatro minúsculos cômodos e banheiro fora. Tudo era velho, quase que apodrecido. E quando chovia, enchíamos a sala e os quartos com potes de margarina vazios ou panelas, para que nelas pingassem a água da chuva, que chegava com as goteiras. Logo logo, eu já começava a ter aquele entrosamento com os colegas de aula, e, vez por outra, nos reuníamos na casa  de um ou de outro para estudar, ou brincar, ou até mesmo nos preparmos antes de irmos para as aulas de educação física, jogar futebol. Eu sempre dava uma desculpa para que estas ocasiões, não pudessem acontecer na minha casa. Me apavorava só imaginar que, algum de meus colegas de aula, que moravam em casas tão melhores, soubessem que eu morava alí, naquele lugar. Seria para uma aceitação no grupo?
     Eu posso dizer que neste ponto, mesmo com todo este "nariz em pé", eu já comecei a me perguntar "o porque de alguns terem tanto e outros tão pouco". E meu pensamento bestial, era de que eu queria crescer para ter muito, muito mais do que nunca tive. E uma sementinha foi me dada, pela que chamo hoje "Sociedade Supérflua do Ter de/Adquirir", e eu estava sendo   incentivado a  plantar e cuidar dela, até que me rendessem os melhores frutos. Metáfora a parte, eu tinha muitas razões para ter crescido e me transformado em uma outra pessoa, e não nesta que sou agora. Ingenuamente, minha visão do que era realmente felicidade, começava a se moldar de forma errada. Qualquer coisa era felicidade, menos a realidade em que eu vivia.

Parte 2: Adolescência Porra-Loca (eu?)

     Quando falei em "bestialidade" infantil no parágrafo acima, eu quis depreciar o meu próprio pensamento falho durante a infância e a negação ao lugar onde eu morava como fato principal de minha ignorância. Fora este sentido que  concedi a "bestialidade", seguramente sempre tive uma maturidade a frente de minha real idade. E com exceção de meus primeiros dois anos na escola, onde mais faltava as aulas do que as frequentava, todos os outros já indicavam o caminho da responsabilidade que posteriormente eu seguiria. Eu me tornei um CDF ambulante e passava as tardes e noites, e ás vezes manhãs, estudando para as provas do colégio. Eu, de alguma maneira, imaginava que era este o caminho que me tiraria daquele lugar, eram os estudos que tornariam a minha vida diferente. A tal vergonha das coisas que eu tinha e de onde eu vinha, continuavam aqui. Mas como eu já estava bem crescidinho, a imposição do trabalho também começou."Trabalhar para comprar as coisas = sociedade capitalista". Nestes tempos, posso dizer dos 14 aos 18 anos, comecei a sair: ir as festas, beber, conhecer mais pessoas, enfim. Contava com a ajuda de duas amigonas da época para pagar "as entradas" destas festas. Meus pais, continuavam a não poder me ajudar. E eu, continuava com o pensamento de mudar a situação, mas sem reação alguma. Fui bombardeado com comparações com meu irmão 11 anos mais velhos do que eu: ele desde criança saia pelas ruas vendendo picolés e pastéis e na adolescência já havia começado a trabalhar numa empresa de refrigeração (profissão que segue até hoje). E eu, me recusava a fazer o mesmo. Tais comparações na verdade, geraram em mim uma autocobrança de tamanho imensurável.
     Nenhum de meus irmãos, havia terminado sequer o Primeiro Grau do Ensino Médio. Minhas irmãs, todas as seis, trabalharam como empregada doméstica. E eu sempre pensava que meu futuro seria diferente. Mas na cidade onde eu morava, faltavam opções e cedendo a pressão, eu me forcei a começar a trabalhar como servente de pedreiro. Foram dois anos "carregando massa de cimento em balde" e também com algumas pinturas, concreto, pisos. Houve um dia, no inverno em que tive que colocar os pisos dentro de um tonel de água, e esta água estava congelada. Lembro de nem sentir minhas mãos pelos próximos vinte minutos. Lembro mais ainda, do pensamento que nunca me abandonava: a minha vida não será assim! Mas, ao menos, eu já podia pagar as entradas das festas, comprar algumas roupas e ajudar um pouco em casa. Embora já houvesse deixado que o fluxo da sociedade me conduzisse como quisesse, porque assim é na sociedade: nascemos, crescemos, estudamos, trabalhamos, casamos, temos filhos e morremos, é uma regra não? Temos medo dos julgamentos, não? E das cobranças? E meu pensamento de ter mais, bem mais do que eu tinha, continuava...
 
Parte 3: Juventude: maturidade em excesso

     Há um tempo atrás, escrevi em um texto que eu era tão responsável em minha juventude que experimentei menos maconha do que deveria, por exemplo. Escrevi em tom sarcástico, obviamente. Mas, em minha juventude, posso dizer, nasceu a primeira, das seis linhas que tenho hoje na testa: chegaram as preocupações. Tudo começou a ficar mais compreensível, principalmente que todas as mudanças só dependiam de mim. Eu cometi um ato de irresponsabilidade sim:  começava a descobrir a vida, e então, após tanto estudar e me deparar trabalhando como "servente", no sol, carregando peso, abandonei a escola após acabar o Primeiro Grau. Fui ainda mais julgado, mas eu era jovem e precisava me dar um tempo e cometer os primeiros erros. Este tempo foi recompensado logo depois, e sim, acabei sendo o único dos sete filhos a me formar no Segundo Grau do Ensino Médio.    
     Foi nesta época inclusive, que começou uma espécie de "provação" de capacidade, coisa tão comum na sociedade em que vivemos. Eu já não trabalhava mais como servente, embora continuasse morando na casa de meus pais. Conheci minha namorada e tempos depois acabei mudando de cidade. Na cidade nova, comecei a adentrar à vida adulta. E aquele pensamento de vergonha da casa que meus pais com tanto sofrimento puderam construir e por pior que fosse, alí eu havia sido criado com amor, ficava pra trás. O sentimento agora, felizmente já começava a ser outro. Minha namorada e eu resolvemos morar juntos e então, haviam alguns gastos a serem divididos e pagos.
     Meus primeiros anos foram um caos: sem grana para investir em qualquer curso básico profissionalizante e ainda sem a ajuda de meus pais, tive que me sujeitar a trabalhar onde havia qualquer vaga em aberto. Nos primeiros meses, trabalhei em uma fruteira e se eu forçar a memória apenas um pouco, consigo sem desejo algum, sentir o cheiro de agumas frutas podres que eu separava na peça de trás. Em seguida fui trabalhar em um mercado por quase três anos, sem domingos, sem feriados, sem dias livres. No tempo do Hotel, eram as noites sem dormir com as escalas na madrugada, depois fui parar numa loja fazendo credenciamento de novos clientes, vendendo cartão, e em meu último trabalho naquela cidade, também com vendas, era obrigado a descarregar caminhão de mercadorias as 3hs da manhã (onde estourei as minhas costas) e ainda atendia clientes o dia todo. Em todos, absolutamente todos estes trabalhos, ganhava apenas o suficiente para me sustentar: pagar o aluguel, alimentação e algumas poucas contas. Ok, posso dizer que, também consegui me divertir um pouco, e inclusive ajudar meu pai que passou um tempo comigo quando iniciou o processo de tratamento de um câncer, mas tudo dentro de um limite estabelecido. Mas não era exatamente para isso que eu havia saído de casa. Era para trabalhar, ganhar um bom salário e começar a adquirir coisas, tudo o que eu não tive, tudo o que era preciso ter: casa, carro, bens...O que fazer então?
 
Parte 4: Ponto chave - mudança de pensamento
 
     Houve um dia em que, após chegar em casa, deste meu último trabalho, eu estava tão exausto e tão desesperançado com meus esforços que não rendiam em resultados finaceiros e com as escolhas erradas, que na hora do banho, simplesmente surtei. Sentei no chão e enquanto a água caía do chuveiro, chorei por mais de uma hora desesperadamente. Sentia tristeza e alívio. Tristeza porque todas as coisas pareciam "estar dando errado" e alívio porque meus pensamentos  começavam a transformar-se alí. Conquistar o quê? Juntar grana pra quê? Adquirir pra quando? Meus desejos se modificaram, principalmente porque também comecei a trabalhar a minha espiritualidade para um lado mais filosófico e zen. Já havia algum tempo, eu estava pensando em mudar para uma terceira cidade, mais próspera com mais oportunidades, inclusive com salários maiores. Assim que minha namorada se formou na Universidade (ela contava com a ajuda da família, diferentemente de meu caso), partimos para o desconhecido atraente. Todo lugar novo para mim é um desconhecido atraente. No entanto, o que eu mais buscava era sim, uma situação confortável financeiramente, o desejo simples de todo mundo que trabalha e precisa ter reconhecimento de todos os tipos. Mas, já não havia em mim qualquer resquício de ambição. Sim, porque havia ambição em meus pensamentos, quando observo minha conduta infanto-juvenil. Há uma abismo que separa tamanha diferença  entre aquela criatura, desta que sou agora. A mudança de cidade teve resultado significativo: bons empregos com bons salários e as oportunidades que eu tanto precisava. Meus ganhos de salário triplicaram e meus questionamentos interiores aumentaram em mesma proporção.  Hoje, pago minha própria faculdade particular, minha namorada e eu compramos um apartamento e já fomos até conhecer neve na Cordilheira dos Andes Chilena. Tudo por conta da mudança financeira ter sido positiva.
     A mudança que tanto busquei por longo tempo, havia chegado. Mas as ações por conta disso também se modificaram. Eu já não queria ter/comprar os desejos anteriores. Eu queria começar a viver da minha maneira alternativa. Eu queria usufruir de outros tipos de experimentações. Eu tenho o pleno entendimento que "terei de devolver tudo o que peguei emprestado" nesta vida, assim que partir para a nova existência. Então, porque acumularia tanto material?
 
Parte 5: Os valores da sociedade e minha não inclusão ao sistema

     Todos estes acontecimentos geraram uma informação errada (ou verdadeira) do que para mim, significa "sociedade". Primeiro, eu era uma criança que por não ter nada, sonhava em ter tudo, depois um adolescente dependente que continuava querendo ter aquilo que não tinha mas sem sair do lugar. Mais um pouco, um jovem que começou a entender melhor as coisas e a "meter a cara" na vida e agora "um adulto" questionador e observador da condição humana dentro desta sociedade. Eu não sou hipócrita ao ponto de dizer que "eu não gostaria de ter bens". Quero sim, garantir uma vida com o mínimo de conforto, apenas não vejo sentido algum em ter de me privar de outras coisas por conta de qualquer materialismo. Me interesso pelo que não é palpável também. Minha visão da sociedade é de que, ela é extremamente manipuladora. A sociedade quer moldar estilo de vida, de consumo, de prioridades desnecessárias. Estes são seus principais valores. Sempre confronto a mim mesmo quando estou em situações de rendimeto a este sistema. Me degrada o fato de ás vezes também cair nas garras desta sedução capitalista. É uma espécie de afronta aos meus princípios. Além do mais, cada meio tem suas verdades plantadas mas elas não são universais: vivo nesta cidade atualmente em que a ostentação é importante, mas se eu mudar para o interior, para o meio rural, as importâncias serão outras. Nas cidades grandes, as pessoas escolhem viver conforme "a banda toca". E pagam por tudo: pela moradia, pela alimentação, pela internet, pela Tv a cabo, pelo carro do ano, pelo plano de saúde, porque este é o molde do trabalhador urbano, ele tem um emprego para poder usufruir de todas estas coisas. O que me deixa profundamente confuso em negar a minha participação neste estilo de vida, é que 80% dos problemas que carrego comigo, são gerados por conta do dinheiro. Preocupações que me corrompem como ser humano e dilaceram meu sono há anos. E é neste ponto que me rendo e sinto dores ao ter de aceitar esta condição.  Eu entro em contradição.
     Trabalho/dinheiro/aquisições/gastos, tudo co-relacionado, e quanto mais eu fujo, mais me prendo à este meio.  Vejo pessoas sedentas por grana, cargo, poder e não sinto verdade nelas.  Pessoas que costumam "dar facadas" umas nas outras inclusive para provar competências, para dar asas maiores à suas ganâncias. São crias paridas deste sistema vicioso. No meu caso, a minha relação com o dinheiro/trabalho acabou me levando a sessões de terapia. Eu não sei como lidar com isso dentro de mim, pois quando quero afimar que não preciso de dinheiro para ser feliz, descubro que inclusive para minha vontade mais suprema -a de viajar muito e conhecer o mundo- conseguirei fazê-la somente se eu dispor de uma  segurança financeira. Segurança: eis a palavra que me deixa bem. Enfim, este texto surgiu por conta de minha autoanálise, das observações que fiz de minhas próprias mudanças querendo encontrar uma explicação cabível para o pensamento que tenho hoje. Posso dizer que, em minha evolução de ser consciente e lúcido, já não tenho qualquer tipo de vergonha da casa onde cresci e que aquele desejo inicial de que minha vida seria diferente do que eu vivia na infância/adolescência, se concretizou. Posso me sentir feliz por conta disso,  embora o caminho a frente ainda me confunda. Este, provavelmente seja o último texto que escrevo sobre este assunto específico, para fechar o ano de 2012, o ano das transformações. Encerro com um pensamento de Thoreau, que volta e meia tenho que relembrar: "A riqueza supérflua só pode comprar supérfluos. Não é preciso dinheiro para comprar o necessário à alma." Viver em sociedade/abandonar a sociedade (?!). Sem certezas, continuo...

Foto: Valéria Zolin Vesz (Meus pés, minhas andanças). A frase tatuada faz referência ao filme da minha vida "Into the Wild (Na Natureza Selvagem)" e carrega o verso de "Society" uma das músicas que faz parte da trilha sonora do filme, interpretada por Eddie Vedder. Em tradução livre diz: "SOCIEDADE SUA RAÇA LOUCA ESPERO QUE NÃO SE SINTA SOLITÁRIA SEM MIM" (http://www.youtube.com/watch?v=ENCW3PEJLl4)

domingo, 25 de novembro de 2012

Te empresto a minha alegria...

      Quando passo por períodos mais escuros, temporadas inseguras e algumas preocupações múltiplas, como nesta última fase, esqueço de algumas outras partes que também me compõem. Principalmente a parte alegre e leve que também faz parte de mim. Hoje acordei com uma sensação muito boa e com aquele velho sentimento de gratidão que habita em mim. Senti uma vontade grandiosa de viver mais e de forma mais feliz. Lembrei de algo que eu disse à mim mesmo no período em que meu pai começou a fazer um tratamento contra o câncer anos atrás: "nenhuma fase é pior do que quando alguém que você ama está doente, ou que você mesmo está passando por uma doença". Tudo fica desestabilizado. Meu pai acabou falecendo e não se curando a tempo, e eu continuo aqui. Só de pensar que não possuo doença nenhuma, a vibração de energia deve ser a melhor possível. Tentar preservar ao máximo este corpo, como um instrumento que comporta meu espírito nesta passagem é um dever. Lembrar disso me fez "acordar" um pouco. Sou grato por ser saudável e por não estar passando novamente por nenhum tipo de doença grave na família ou com qualquer pessoa que amo, inclusive eu mesmo. As reclamações precisam parar. E ninguém precisa chegar a um estágio de enfermidade para ver o quanto é bom e importante viver por aqui, neste plano. Quanta coisa!!!! Não é necessário se dar conta disso apenas em momentos em que o medo de deixar de existir invade o seu estômago.
     Lembro inclusive, que na época em que meu pai faleceu, eu não pude estar presente por conta do trabalho que estava intenso e acumulado porque haviam menos funcionários do que o necessário para aquela época do ano. Acabei pedindo liberação no dia  de sua piora e o resultado foi que não cheguei a tempo de encontrá-lo ainda com vida. Não há agora (como havia antes) necessariamente um sentimento de culpa nisso porque estive muito presente mesmo estando longe fisicamente e tampouco presenteio esta culpa à qualquer outra pessoa. Apenas prometi a mim mesmo, me doar menos e comecei a perceber qual realmente era meu tempo de importância  quando as escolhas futuras foram acontecendo. Não posso dizer que sou um ser que "não cobro" por minhas fiéis ajudas, pelos tempos ruins em que eu estive junto e não me acovardei a deixar ninguém na mão,  pois apenas não costumo verbalizar o que internamente sinto que deveria ser diferente. O trabalho é extremamente necessário em nossas vidas é a fonte de onde nascem nossas conquistas e nossos esforços tendem a ser reconhecidos. Mas parece que durante a semana sua vida é apenas aquela que está lá em seu trabalho, por exemplo. Temos de tomar cuidado para não nos tornarmos também aquela pessoa unicamente. O trabalho, o seu tempo nele, as pessoas com quem convive, ocupam uma parte pequena entre todas as outras que você têm.  E na vida, tudo é passageiro, não!?  Nada precisa ser levado assim, tão a sério. Precisamos saber balancear as medidas. Rir mais, se importar menos. Caso contrário, nos tornamos seres pesados e deixamos de aproveitar as tantas outras ocasiões que esta vida nos proporciona.
    É importante fazer este tipo de comparação de seus próprios momentos: Do que você relamava antes? Do que você reclama agora? Do que você se alegrava antes? Do que se alegra agora? Me senti tão bem ao acordar nesta manhã ensolarada! Pensei nas tantas pessoas que tenho e nas várias etapas vividas. Tão bom ter um amor e este amor estando viajando a trabalho, poder sentir aquela doce saudade. Sentir o quanto sou amado tanto por ela tanto quanto por outras pessoas ao meu redor. Olhando para algumas fotos presas no mural, percebi a quantidade de pessoas bacanas que tenho na vida, cada uma com sua importância específica. Posso me sentir feliz com a minha jornada, guardando as tantas experiências que tive numa espécie de bolsa imaginária. As tantas coisas passadas que foram moldando quem eu sou e a índole que tenho.
    Posso dizer sim, que bateu uma saudade das festas, das alegrias, das pessoas cheias de boas energias, das dançinhas até o chão e do meu copo de bebida sempre a mão. Saudade de um riso solto, fácil. De meu próprio jeito de divertir os outros e de me divertir com eles,  do meu senso de humor afiado e das tantas boas conversas nas mesas dos barzinhos. Das minhas viagens, das temporadas boas com a família, das risadas com meus sobrinhos, dos banhos de chuva...E o que me deixa ainda melhor é que posso viver tudo isso ainda mais e mais vezes e devo sentir uma felicidade extrema por tantos momentos bons que passaram e que ainda virão. A vida não é só festejar, ok, também não é apenas preocupações.
    Levantei da cama e sentei em uma cadeira na sacada enquanto tomava o café da manhã. Respirei ar puro e contemplei o dia incrível que estava fazendo lá fora. Agradeci aos amparos por não ser uma pessoa sozinha, pelo meu corpo saudável, pelas pessoas que tenho, pela vida que vivo, pelas oportunidades que estou tendo nestas experiências mundanas. Hoje, celebro a vida e visão perfeita de poder enxergar além do que se vê. E a vista deste dia lindo, que observo pela janela desta sacada, nunca foi tão significativa...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Quase Trinta: Capítulo 1 - HONESTIDADE

     Meus trinta anos estão chegando (faltam pouco mais de seis meses) e certamente antes deles chegarem de fato, muitos textos divagarão sobre este assunto, ao menos pra mim significativo demais. Uma das coisas que estive refletindo por exemplo e da qual sinto orgulho (no bom sentido), em quem me tornei até aqui,  é da honestidade com que lido comigo mesmo. Principalmente porque isso acaba se exteriorizando no tratamento às outras pessoas. Não vejo melhor maneira de entendimento pessoal do que buscar se conhecer e, se conhecendo, agir com sua verdade interior. Isso é parte fundamental do processo evolutivo. Cheguei a um estágio onde não consigo mais camuflar o que eu sinto - como me sinto. Sou tão honesto com meus sentimentos que não seguí-los se torna uma espécie de afronta aos meus próprios princípios. Assim é com tudo e acabo por me expressar de forma muito sincera. Tal sinceridade, nem sempre está a meu favor já que interajo com pessoas. Mas estou cada vez mais compreendendo o quanto nossos diálogos (e não diálogos), nossa união (e desunião), nossa harmonia (e nossos atritos), nossa interação entre seres como num todo, nos serve como um laboratório evolutivo gigantesco. E eu tenho minhas regras de convivência humana onde principalmente meu senso de justiça grita mais alto. Minha tolerância tem um limite exato quando observo certas ações no meu dia a dia.

     Obviamente, expresso a minha opinião apenas quando necessário, embora geralmente pessoas prepotentes, que abusam de seus poderes, tratam outras pessoas com desrespeito ou estupidez, que pensam estar sempre com a "razão", que avaliam apenas o seu modo de pensar como correto,  e pior, tentam impor seus pensamentos como verdades absolutas (sendo que elas não existem), acabam me irritando um tanto quanto demais. É onde esta minha honestidade também estoura em sentimentos ruins. Não admitir que sinto raiva, que tenho ressentimentos, que sou intolerante com algumas situações, seria mentir para mim mesmo. Além do mais, minha fisionomia instantaneamente reflete a minha transparência, ficando externamente exposta a emoção interior. É que foge de quem eu sou fingir outra maneira de ser. Funciona do mesmo modo, com minha alegria e minha tristeza: eu já não vejo mais qualquer razão em disfarçar sentir qualquer uma delas. E até admito que tenho um pé na poesia da melancolia. Não escondo o meu riso, não enforco o meu choro. Tanto minhas insatisfações e preocupações quanto as minhas vibrações positivas e melhores energias se apresentarão tal como me sinto. Sou eu próprio que exponho meus defeitos múltiplos. Mas também exalto minhas qualidades, as quais tanto usufruo.

      Sabe "gente que não se enxerga!"? Definitivamente não combina comigo. Me enxergo muito bem, me observo em demasia, tento me conhecer o máximo que posso e sou autocritico ao extremo. E honestamente, sinto que preciso diminuir um pouco a minha criticidade em relação ao que observo nos outros. E estou pronto para usar mais o meu senso de humor ainda que de forma menos sarcástica. No fundo, não tenho medo do que eu sinto e é isso que me conforta e concede espaço à aceitação. Me aceito assim e estou sempre aberto às mudanças para melhorar como ser.  E apesar de, neste momento específico, a vida não estar sendo o que eu esperava dela, as coisas terem mudado um pouco de lugar e  eu não estar usando toda a minha potencialidade inclusive para reverter as situações, sou sempre plenamente grato a tudo o que eu tenho e a todas as pequenas e boas coisas que acontecem ao meu redor. Principalmente ao amor, amizade e boas energias que recebo constantemente. É onde nossa experiência humana ganha importância ainda maior.

     Minha honestidade e sinceridade, surge até neste momento nada modesto, já que jamais gostaria de ter sido outra pessoa, se não quem sou. Fica para a próxima!

domingo, 11 de novembro de 2012

Quem te lê?

         Escrevo porque nas palavras encontro abrigo ao mesmo tempo em que estou totalmente exposto e vulnerável. Paradoxal, assim como sou! Escrevendo, além do texto, do desabafo, das divagações, dos sentimentos e da filosofia, está o desejo de ser lido. Uma maneira talvez, de oralmente, eu ter de me explicar menos. Está tudo aqui - ou quase! Os blogs trouxeram esta liberdade. Mas, por conta deste acesso fácil e da explosão de novos "escritores, não escritores" (como eu) contando suas histórias e seus devaneios, poucas pessoas realmente leem sobre o assunto escrito. Com as redes sociais, lê-se menos ainda, e, quando compartilhado em suas páginas qualquer link contendo um texto, normalmente  não há nenhuma outra reação além de uma simples "curtida". Eu, escrevo para um pequeno Universo. É o Microcosmo mesmo, sem intenção de alcançar o Macro. Não tenho este talento. Escrevo para mim, para um pequeno grupo de pessoas que poderiam estar "me lendo", sejam amigos, alguns membros da família, pessoas próximas, enfim. Muitas destas pessoas sabem da existência deste blog, sabem que escrevo, quase constantemente, mas não me procuram por aqui. Então, por vezes muitas,  tenho a nítida sensação de que escrevo para ninguém. Desta maneira,  escrever deixa de ser um propósito. 

        Por muito tempo pensei que, o fato de ter alguém lendo ou não as coisas que eu escrevia, não era deveras importante, já que escrever servia muitas vezes como a solução para estados emocionais que estavam explodindo dentro de mim. Uma pequena cura, um remedinho bom, já que sempre funcionou. Mas, se há uma lacuna, se há este espaço vazio, esta falta de conexão de minhas palavras com qualquer que venha a ser o leitor, desanimo. Obviamente, meu ego, pretensioso, pede por esta atenção. Não pela forma que escrevo, mas por tudo o que está escrito. Em tantos destes parágrafos estão as razões desta minha fisionomia ter se tornado assim, por exemplo. Muito do que escrevi e expus, explica um pouco de como a moldei desse jeito. Muito do que escrevi, faz análises profundas de períodos em que me senti vulnerável na forma mais ampla que um ser humano pode sentir. E tudo o que escrevi exalta o que há de mais honesto, profundo e verdadeiro em mim. Eis a minha verdade, nua aqui! 

              Esperando por leitura.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Vulnerabilidade humana

     Sou fascinado por aquilo que é humano! E estive refletindo por estes dias o quanto a fraqueza ou a força e as tantas emoções humanas me interessam. Me percebo hoje um observador atento a vulnerabilidade do ser. Me interesso por quase tudo que ofereça uma gama de sentimentos expostos. Explico melhor. Nas artes por exemplo, sinto paixão pelo o que é autobiográfico, sejam músicas, sejam livros, sejam histórias contadas em filmes, sejam pinturas jogadas na tela envolvendo o drama ou a paz interior. Tudo o que é de verdade me atrai! O fictício não me agrada, me distancia. Eu gosto daquilo que é da pessoa, sem falsos contos. Eu gosto é do gosto da experiência.
    
     Eu gosto de me emocionar e, ainda não consigo perceber neste ato um crime. Quando se trata de fatos reais, sejam sobre amores, sejam sobre perdas, sejam sobre desilusões ou alegrias, dedico a minha atenção inteira. Outro dia, estava assistindo a um programa de TV chamado "Chegadas e Partidas" onde a apresentadora aborda pessoas que estão ou esperando ou despedindo-se de alguém no aeroporto. Chega a ser engraçado o paradoxo que o ambiente carrega e quantas histórias peculiares apresenta alí. Então, nesta espécie de "série televisionada da distância" (que une e separa a vida), a proposta me ganha quando o olho da câmera evidencia as expressões: aquela lágrima trancada no olho esquerdo pronta a escorregar pelo rosto, aquela fala engasgada, aquele olhar de saudade, aqueles abraços. Aahhh os abraços! Sou devoto dos abraços. Como é humano o abraço apertado, o choro por amor, por admiração. Eu vejo amigos se abraçando como se fosse a despedida do sempre ou se encontrando como se quisessem nunca ter se separado e eu me permito adentrar ao embalo deste afeto. Eu me emociono.

   O exemplo acima, surgiu apenas porque ultimamente tenho observado de perto as relações humanas como se meu próprio olhar fosse uma espécie de filtro de imagens que eu colaria em um documentário. Eu me envolvo. Eu me envolvo vendo a felicidade de amigos, agora pais de seu primeiro filho, com aquele sorriso frouxo e aqueles detalhes tão comuns de uma criação que mais parece a única importância do mundo todo - tamanho é o amor que sentem.  Eu me envolvo vendo o toque suave de uma boa companhia na mão de alguém que está passando por algum momento difícil, me envolvo quando minha mãe me responde ao telefone que também me ama (quando na verdade nunca ouço ela verbalizar seu amor com facilidade aos outros), eu me envolvo quando vejo duas pessoas num abraço de perdão, me envolvo vendo meu vizinho pacientemente ensinando a filha com paralisia a caminhar, me envolvo com a dedicação que ele faz isso, me envolvo com olhar da minha namorada que diz tanto sem voz, em doces palavras verdes,  me envolvo quando vejo pessoas mais velhas rindo por nada no ônibus que me leva ao trabalho - e a eles à felicidade. Me envolvo com os acenos, com a alegria das curas estampada no rosto de quem recebe a noticia, me envolvo com quem dá noticia boa e com quem sabe exatamente como explicar uma notícia ruim. Com quem tem cuidado pelo outro, com quem é agradável.

      Eu me envolvo com alguém que canta com profundidade, eu me arrepio, eu na verdade choro com tantas boas letras,  me envolvo com uma cena que assisto e que foi talhada dentro de uma experiência parecida com a minha ou que compreende o meu pensar, eu me envolvo com aquela emoção congelada na fotografia, me envolvo com um parágrafo rasgado de um livro que insiste em dizer aquilo que eu também sinto.  Eu me envolvo com estes simples atos, com simples gestos, com sentimentos que chegam a parecer banais. E são.

     Viemos para uma experiência humana e esta experiência é linda demais. Passageira e linda demais. Isso não sai da minha cabeça há dias. É aqui que deixarei meu cérebro intrafísico se decompondo quando eu partir para a outra camada. Mas não sem antes ter conseguido usá-lo de maneira humana, caso contrário, de que me adiantaria tal experiência neste corpo? Em minhas oscilações entre o terreno e o extrafísico, pretendo entender cada vez mais o processo de transformação e crescimento como indivíduo e consciência. Só não quero deixar de sentir.

     Pena mesmo que nossa evolução espiritual exija a extinção das emoções. Sorte que a vida não tem fim... [Continua]

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Uma questão de posicionamento

     Talvez este seja um dos textos pessoais mais sérios que já escrevi. Meus últimos cinco meses foram internamente devastadores e a lembrança mais vívida desta época é de minha cabeça enconstada no vidro do ônibus retornando para casa em lágrimas após sair do trabalho. Eram quarenta minutos de alívio. Era um momento em que mesmo com muitas pessoas dentro do ônibus, eu estava sozinho: não conhecia ninguém, não precisava atender clientes entusiasmado, não precisava verbalizar coisa alguma. Colocava uma canção chamada "Havoc" da Alanis Morissette no fone de ouvido repetidamente e roubava o sentido daquela letra para mim. Se tratava de uma catarse, pois eu também estava causando novamente estragos e consequências (vide letra). E, eu ainda tinha ajuda de uma boa dose de Beirut, onde então meus pensamentos retornavam à outras existências. Tinha que haver alguma explicação por eu estar passando por este período, tinha de haver "algum link" com algo que eu ainda não conseguia acessar. Estes foram tempos que chegaram junto com o que intitulei de "crise dos vinte e nove anos". Escrever sobre isso ajudava mas era desabafo, não resolução. Dividi com poucos próximos (que me ajudavam na medida do possível), procurei uma terapeuta (que me ajudou na medida do possível), iniciei um curso na Conscienciologia (que abriu uma nova visão) sobretudo a fim de entender melhor o poder das energias e, junto a tudo isso, me ausentei.
   
     Tentei ficar longe das pessoas porque a esta altura da vida já não escondo meus estados emocionais. Não finjo estar. Embora me desdizendo, já estivesse diariamente fingindo até conseguir de fato recomeçar. Ao mesmo tempo, não queria me explicar pra quem quer que fosse. Eu estava passando por um novo processo de mudança interna, mais um entre todos os outros. Análises que todo ser que "pensa demais" acaba por fazer sobre si, sobre a vida, sobre a vida em outra vida. Neste período eu terminei de ler Thoreau, eu iniciei Nietzche, eu assisti o livro de Jack Kerouac em filme e novamente tudo se misturou dentro de mim. Eu ainda me via protagonizando "Na Natureza Selvagem (Into the Wild)" o filme da minha vida, mas agora - em relação a sociedade - eu o faria de uma outra maneira. Eu entendi que minha  função é assistencialista e que eu não poderia deixar alguns seres que caminham junto comigo, para trás. Eu acabei contradizendo pensamentos próprios e por estar desorganizado interiormente, eu me afundei em terras mornas. E me perdi mais uma vez (quantas vezes mais?). E logo após este tempo perturbador, eu acabei voltando o meu olhar sobre mim mesmo e percebi que estava chegando a hora de me encarar de frente e de pensar seriamente em minha condição humana. Pois bem, diante dos fatos, fiz uma lista mental de tudo aquilo que é encômodo/ruim pra mim e de coisas simples que me fazem bem. Separei soluções a curto prazo em alguns tópicos mais importantes que servirão como um "guia norte" para a compreensão de minhas mudanças a partir de então. Resolvi escrever estas considerações e  parte delas se aplica em:

ESPIRITUALIDADE
   
      É por onde devo começar, porque é esta busca que acaba envolvendo todo o resto. O impacto que este período escuro teve sobre meus dias fez com que eu reorganizasse meus pensamentos sobre minha posição como consciência. É impossível deixar de pensar em minha evolução espiritual.
    
      Tenho um profundo interesse por minha jornada interior e tenho tentado compreender ainda mais os propósitos dentro de minha programação existencial. Sim, eu creio absolutamente em outras existências ao ponto de que consigo perceber que hoje "estou como Cléo, mas não sou Cléo": eu venho de antes e estou aqui por algumas razões e ainda retornarei por outras. Para tanto, faço parte de um grupo e uma de minhas buscas é tentar perceber quem deveras faz parte deste grupo. Sem medida de tempo, eu aceito esta condição porque sobretudo, isto também ajuda em minha própria gama de humanidade: quero usufruir desta experiência humana porque entendo que retornarei ao extrafísico assim que chegar a hora de minha dessoma. Mas por enquanto, estou aqui e preciso "viver o aqui, este agora".

      Acredito plenamente em energia e hoje posso dizer que não sigo exatamente uma religião. Acesso o lado Zen do Budismo como uma filosofia e ainda usufruo de alguns processos simbólicos que me servem como muletas. Eu me sinto mais conectado aos amparos quando estou em lugares que propiciam este "descanso" da mente. Eu tenho inclusive meu próprio Canto Zen e nele reflito costumamente sobre as andanças de meu ser. A Conscienciologia, este estudo da consciência também está entrando gradativamente em minha vida. Minha tendência a ler e buscar mais informações sobre  espiritualidade e filosofia aumentaram, mas procuro encontrar/perceber filosofia e espiritualidade nas coisas mais banais do dia a dia. Ainda tenho alguns apegos dos quais com o tempo deixarei de lado, assim como desenvolver meu "não ego" é uma das metas mais difíceis a qual já estou trabalhando. Há hoje razões pelas quais peço mais respeito de outras pessoas em relações a estas minhas crenças. Ou, na verdade, nem chamaria de crença. A fé ao meu modo de pensar, nada mais é do que um pensamento positivo e um pensamento positivo é carregado de energia. Tudo é energia!

      Estou tentando trilhar o caminho da verdade. Mas paradoxalmente é quando eu desvio deste caminho que aprendo mais. Então, minha solução imediata é investir em mim mesmo para o autoconhecimento (ainda mais do que já fiz nos últimos 10 anos). Investigando cada causa e cada situação vivida. Fazendo uma análise profunda. A mudança implica em usar mais meu tempo para tal. Ainda que isto signifique me distanciar um pouco das pessoas. Esta melhoria pessoal, se reverterá em um campo maior de energia e com este campo organizado é que conseguirei dar assitência sem que isto interfira em minha própria centralidade.

PESSOAS: FAMÍLIA, AMOR, AMIGOS
   
     Tenho uma boa conexão com  as pessoas. Sinto isto diretamente em meu convívio. Mas por vezes diversas, me sinto sugado. Sou ciente de algumas condutas que devo ter como filho, irmão, tio, etc. Mas percebi que nos últimos anos, muitas ações beneficiaram mais outras pessoas do que a mim mesmo. Não pode ser assim. Deve haver uma troca mútua. Optei agora, por ser mais individualista, embora tentando encontrar a medida certa. Egoísta acaba sendo uma palavra com sentido mais pesado porque parece apenas carregar interesses próprios, esquecendo-se do outro. No meu caso, implica apenas em dizer que cada situação, será analisada de forma a primeiro me certificar que não prejudicará a mim mesmo. Haverão mais nãos! Muito mais nãos. Parece às vezes, que as pessoas querem uma fatia sua, principalmente quando percebem que você está bem. É ilusório pensar que você vai contar para as pessoas que sua vida está dando certo em determinado momento e que estas pessoas vão apenas dizer "que bom". Elas também vão querer algo, uma ajuda, uma aproximação, inclusive a sua energia. Normalmente os problemas familiares são terceirizados à mim. Obviamente por culpa minha, já que eu mesmo talhei em mim "a forma humana de baleanceador ponderado" entre eles (justo eu, cheio de defeitos múltiplos).  E há uma necessidade de transferência de responsabilidades. E esta necessidade alheia me dilacera. Amo a  minha família e compreendo o meu papel. Mas sinto que tenho protagonizado mais cenas do que está em meu contrato. E percebo que é fácil passar adiante "o bastão". Só que agora, também entendo que não é de minha obrigação segurar.
    
      Continuo com as minhas responsabilidades: tudo aquilo que é meu, que é de minha parte será feito. O resto não cabe à mim. Neste processo analítico, observei ainda que quando há um problema base geral, sou sempre solicitado. Mas que em meses afastado, não recebi de volta qualquer desejo verdadeiro e profundo de uma suposta ajuda. Algumas ligações recebi após diretamente comentar algum fato sobre esta ausência alheia."Tu sumiu, mas deve estar bem, certo!?" e/ou "Tu sabe como nos ajudar mas nós não sabemos como ajudar devolta!". Uma das hipóteses pode ter a ver com meu próprio ego, eu sei. Afinal, sendo o irmão mais novo e tendo me envolvido diretamente em várias questões familiares, inclusive tendo minhas  opiniões respeitadas e validadas pela maioria,  acabei por viciá-los "e tomei as rédeas" de coisas que nem sempre me couberam.
    
      Também sinto dores, me sinto triste, deprimido, desistente (como todos). Sou humano e me cabem todas estas emoções que vêm escritas no manual. E muitos destes sentimentos preciso tratá-los costumamente sozinho, então não é de minha obrigação apenas ouvir as dores dos outros, certo? Tenho talvez uma habilidade teórica mais avançada, mas vejam bem, eu também me perco na prática. Sempre soa melhor no papel ou numa verbalização, mas...Não abondanarei ninguém, não é este exatamente o ponto. Apenas não me abandonarei para cuidar do outro. Porque sinto que  posso usufruir de uma maneira mais saudável de minhas ajudas. Porém, estarei sim, mais distante. Em meus pensamentos, sempre emando as melhores energias à todos e que todos consigam refletir exatamente sobre qual é seu caminho. Energia emanada com amor. Mentalizando entendimentos e luz. Em relação a minha mãe, após a dessoma de meu pai, tento (tento) estar o mais presente possível (não fisicamente) e sei que o cordão que nos liga, o meu umbilical, será cortado apenas após sua também dessoma. Mas o que hoje, após sua idade, posso oferecer de mais precioso é meu cuidado junto com palavras que possam ajudar em seu discernimento sobre vida/morte/função/existência. Usando minha admiração e minha discordância. Sempre grato à mãe que conseguiu ser para meu ser, tentando compreender as razões que talvez não tenha conseguido o mesmo feito com os outros. Profundamente sinto que minha ligação terrena com muitos assuntos/situações, se extinguirá após sua partida. E tenho certo receio junto com uma intuição positiva que as mudanças em minha consciência será extrema. E que talvez, não me torne outra consciência, mas a que vim para ser.

      Há ainda um lado muito forte sobre minha personalidade intrafísica. Sou alguém que preciso de "minha solidão". Eu tenho necessidades espirituais e emocionais de ficar sozinho. De ter os meus momentos sós. De estar comigo mesmo e refletir comigo mesmo. De ficar em silêncio. De me perceber em meu próprio campo energético sem a presença de outros. Eu tenho "essa coisa" de auto análise. Eu preciso usufruir da solidão por opção já que ela é momentânea e me traz benefícios mentais importantes. Sei que este desejo é difícil de entender, principalmente quando você tem namorada/esposa/parceira, pois, geralmente o amor implica em estar o tempo todo com a pessoa escolhida. No entanto, a liberdade ao outro é uma forma grandiosa de se dedicar amor. Obviamente penso assim porque me convém. Mas como busco entender o que é melhor para meu próprio ser, me percebo sedento pelo meu espaço quando fico um tempo além do programado rodeado de muitas pessoas por exemplo (e muitas pessoas no meu caso, já significa  três ou quatro). Nesta minha nova postura, meu espaço solitário por prazer, terá valor ainda maior. Eu preciso de pessoas, que fique bem claro, mas eu também preciso do contato somente comigo mesmo. Muitas são as noites em que levanto da cama para aproveitar momentos solitários (ainda que algumas sejam alimentadas pela insônia). Vivo cercado de gente: no trabalho, na faculdade, nas ruas e quando chego em casa é ótimo ter o amor da minha vida me esperando, mas meus momentos sós não podem ficar restritos a hora do banho.

      Repito: sei que é difícil compreender, mas ficar sozinho me faz tão bem quanto ter as companhias que tanto amo por perto. Isso nem é uma explicação, mas uma forma de falar sobre um assunto que tem extrema importância. O paradóxo de tudo isso é, inclusive a relação de conexão que tenho com minha namorada (meu amor, minha dupla evolutiva) e meus amigos. Preciso deles, preciso conversar, estar por perto, amá-los, me sentir amado, trocar experiência para aprendermos uns com os outros. Apenas quero poder ter mais liberdade em poder usufruir de suas ótimas companhias, mas dispensá-las vez por outra. Sem causar qualquer situação encômoda, sem que todos suponham que não os amo tanto quanto me amam. Estou num processo de encarar meus olhos no espelho e quando os encaro, percebo que muitas das coisas, deixo de fazer para não magoar outras pessoas e nesta complexidade que é a relação humana tento exercitar manobras que por vezes não tenho habilidade. Sou profundamente grato por cada uma destas consciências presentes em minha jornada, mas entendo que a jornada evolutiva é individual. Estamos juntos e conectados, por uma razão maior e também por diferentes razões, quem sabe por muitas iguais, mas nossos resultados são individuais, ainda que para a evolução de todo o grupo.

TRABALHO E ESTUDOS

      Da minha relação com o trabalho surge minha nova visão sobre o dinheiro. Eu estava sendo extremista demais em relação ao meu pensamento de que o dinheiro não era assim tão necessário. Até o momento em que percebi que sua falta, prejudicava inclusive alguns pequenos prazeres. Isso não quer dizer, que no entanto mudei a visão sobre o que o dinheiro/status significa para a sociedade, até porque a tal sociedade do "ter de, adquirir" continua sendo "meu calo do pé". Tenho tentando apenas, não me culpar tanto quanto antes, por admitir que logo eu, que tenho esta visão enojada desta sociedade consumista e superficial, também me deprimo vez por outra pelos resultados das escolhas erradas que me deorganizam financeiramente. Principalmente pela minha conduta ao desapego. Acabo por sofrer por isso!  Mas pensar no trabalho e nos ganhos com ele, também como uma função espiritual importante em nossa vida, tem me ajudado: é nosso maior laboratório. E de minha parte o convívio diário com algumas pessoas, por vezes acaba por me desviar de meu foco. Sinto que preciso trabalhar este meu traço de personalidade. Esta minha tendência a julgar/ não admitir que o outro seja tão corrompido pela má índole/falsidade, jogando sua frustração junto com sua energia desorganizada e perturbada em um grupo no qual você passa horas do seu dia, está sendo trabalhada embora com muita dificuldade. Eu ainda sinto repulsa e tento me bloquear energeticamente, mas adimito, nem sempre sou tão forte e nem sempre consigo ponderar e usar de minha centralidade para administrar o negativo.

      Na verdade, estou tentando me ajustar a algumas situações, me posicionar em outras e deixar minha responsabilidade e índole profissional ser o foco principal para a empresa onde eu estiver inserido. Este é meu papel em um trabalho. E sem falsa modéstia, entendo exatamente o lugar onde  me encaixo como profissional, isso porque sempre tive autoincentivo em buscar o conhecimento! Estou trabalhando ainda, minha autocobrança exagerada, que por vezes me destrói chegando ao ponto que já a considero negativa demais. Incrível pensar que na verdade o que mais fazemos na vida é trabalhar, se tratando de ação. Absolutamente nossos empregos nos tomam tempos preciosos, e sim, também nos proporcionam tempos preciosos. Mas tenho repetididamente me alertado que há vida fora do trabalho. Sim, há mais vida! Eu não sou o trabalho, eu estou a trabalho até cumprir minhas aterefadas horas. Logo, consigo ser eu mesmo devolta! 
     
     Sobretudo, uma grande mudança de posicionamento que ocorreu é que agora pus minha saúde em primeiro lugar. Primeiro meu bem estar, já que desta forma conseguirei ser mais produtivo. E após alguns acontecimentos, estou aceitando cada vez mais que como funcionário/empregado (na área em que atuo) sou um número e minha apatia por deslumbramentos financeiros ilusórios acaba por me afastar do foco principal de qualquer estabelecimento que é o lucro, o lucro e o lucro. Mas estou consciente das consequências por conta disto, ou seja, ser dispensado! A relação que tenho com o "verbo  vender" me distancia de quem eu sou. Por tanto, tem surgido desejo de novas experiências, com as quais esta minha posição seja modificada. Minha função com o estudo também se modificou. Eu escolhi ser mais culto. Então nos últimos anos acabei por consumir alguns tipo de conhecimentos, em algumas áreas distintas. Mas como o foco do momento é meu curso de "Design de Interiores", pretendo continuar neste caminho embora sem pressões. As informações às vezes me deixam atordoado, já que agora elas chegam por todas as partes. E somos seres curiosos em aprender sobre "um tudo". Para tanto, não quero me prender apenas em um assunto. É de minha responsabilidade a expansão de minha mente. E assim seguirei minhas buscas...

DAS COISAS LEVES E SIMPLÓRIAS: USUFRUIR DO QUE É TERRENO
    
      Se venho para um experiência humana, preciso também me permitir sentir o prazer nas coisas mais corriqueiras. Passo tempo demais divagando, com meus devaneios, fico preso em minhas próprias regras e acabo fazendo muitas análises sobre todas coisas que expus acima entre várias outras nem citadas. Logo, preciso de diversão!
    
       O que me faz bem então? Coisas simples: chegar em casa após um dia cansativo, escolher um disco em meio a todos que tenho, abrir a caixinha cuidadosamente e ouvir minhas canções preferidas , me faz um bem enorme. Música ouvida, assistida ou lida me faz bem! Assistir filmes com histórias interessantes... Arte me faz bem!  Rabiscar parágrafos em meus livros me faz bem. Cultura me faz bem! E são detalhes pequenos, que parecem banais. Alguns podem chamar de fuga, mas algumas fugas são necessárias.
  
     Além disso, sou muito interessado naquilo que é humano mas nem por isso esqueço de meu papel como consciência espiritual, entendendendo que a parte humana é apenas uma passagem. Só que me percebo observador das pessoas, dos encontros, dos abraços, das emoções, dos sentimentos expostos, do contato, do amor entregue, uma pulsação. Isso é lindo demais! Uma experiência passageira e linda demais! Por isso nem vou citar, este tipo de situação que acontece comigo, nestas minhas alegrias, nestes pequenos prazeres como a felicidade no beijo com amor do meu amor, ou os abraços e risadas largas dos meus amigos, e até na saudade boa de minha família. Estas são coisas óbvias. 
     
     Após este meu período escuro, como mencionei lá no início do texto, tantas coisas se passaram pelo filtro de minha mente. Mas não exatamente sobre como responder aquela pergunta básica: o que fazer para minha vida ficar melhor então?! E sim, sobre como mudar meu próprio posicionamento em relação as pessoas, as situações, ao meu cotidiano, poderia me deixar melhor. Sou a própria dualidade! Aliás, deveria ser meu nome. Estou como humano. E é como humano que quero fazer muito uma das coisas que mais me deixa bem: viajar e viajar e viajar! Como humano, este é um dos maiores propósitos que carrego agora. Quero poder usufruir nesta existência do olhar aberto ao novo, da investigação de como vivem estes tantos outros humanos, em suas outras cidades, em seus outros países, em suas outras matas, em sua outra cultura, em seus outros refúgios. Eu quero ter esta troca, esta expansão. Eu quero conhecer e ser conhecido. Pegar com as mãos. Sentir com os pés. Sem me estender mais do que o já estendido, acabo aqui. Embora, quase nada eu tenha escrito. E se eu não me encontrar mais com algumas pessoas por estes tempos, que tenhamos outros encontros, em outros tempos, que sejam bons, em outras viagens ou em uma outra viagem..Humana ou não!




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As dores dos muito ricos

      Ouvi um diálogo enquanto estava no ônibus coletivo hoje. Era de uma empregada doméstica contando para a amiga que a patroa estava com depressão. Indignada, se perguntava: como alguém poderia estar com depressão “tendo uma vida daquelas”? Contava vários fatos sobre o assunto e em cada um dos fatos, pontuava uma comparação com a sua  própria vida. A mais intrigante foi a de que enquanto ela trabalhava nesta casa de família para ajudar o marido a pagar as contas, a patroa gastava o dinheiro do marido para pagar uma psicóloga! Não quis ouvir a conversa de intrometido, mas como estavam sentadas a minha frente eu quis apenas tentar entender melhor.

     É de costume e certamente você já ouviu falar alguém dizendo: “Aquele lá está reclamando de barriga cheia”. Principalmente vindo daquelas pessoas que julgam seu próprio sofrimento como vaidade, passadas as tempestades. Tenho pensado em outras teorias. O pobre, o muito pobre, não aceita as dores do rico. Para o pobre, o rico está em uma escala avançada, não precisa acordar às quatro da manhã como ele, pegar um ônibus que atravessa a cidade para chegar ao trabalho antes das sete, ganhando um salário que mal paga o arroz e o feijão dos três filhos que tem para criar. E além disso, ainda tenta juntar uma grana fazendo hora extra para a operação das varizes da perna esquerda da esposa que, com o dinheiro das faxinas que faz, consegue apenas contribuir com o leite das crianças. Então, o rico está reclamando do quê?

      Poderia o sofrimento ter um padrão? Veja bem, meu texto não é a favor dos ricos, menos ainda contra os pobres. Mas é uma alfinetada nesta crença de que quando a pessoa tem uma vida equilibrada financeiramente ela não pode mais “usufruir do sofrimento”. E veja bem novamente: não, eu não estou querendo que as pessoas sofram. Apenas ponderar que a dor de cada um, independe de sua condição social. Muitas vezes já presenciei pessoas discutindo para avaliar quem sofre mais. Como se fosse um troféu e a porta para a salvação nos céus! Nem vou muito longe. Lembro de uma vez que comentei que eu estava exausto do trabalho e alguém retrucou: “Cansado de ficar sentado? Queria ver se fosse eu, que tenho que sentar tijolos!” É como se, quando você trabalha na frente de um computador, com ideias e criatividade, não fosse um direito seu nem a estafa mental. Ok, o troféu é seu, faço questão!
Mas para não misturar os assuntos, percebo que o que acontece com o tal sofrimento entre ricos e pobres, é que, por mais que o dinheiro possa dar uma condição de segurança, é na própria segurança que o rico encontra espaço para doer. O pobre, não tem este espaço. Neste tempo, portanto, ele julga as próprias ações do dia a dia, como sofrimento maior. Sua dor não é maior nem menor do que a do rico.  De tão diferentes chegam a ser iguais.  Mas o rico por sua vez, tem a estranha chance de, por conta de sua condição favorável, poder olhar para dentro de si com mais frequência. E quantos questionamentos doloridos surgem a partir de então? E qual seria o significado de miséria neste caso?

     Somos todos humanos e com nossas dores, crises e sofrimentos evoluímos. E a evolução não está restrita a ninguém. Mas à todos. Antes de olharmos para o outro, saibamos entender o outro. Sobretudo, olhando antes para dentro de nós mesmos. Muitas dores e muitas curas. E o que é seu, nem o dinheiro, nem a falta dele poderá tirar-lhe. Que o choro dos ricos não incomodem os pobres, que o choro dos pobres não perturbem os ricos. Que todos os choros sejam passageiros!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Éramos outros

          Eu sinto falta de uma outra família. Não desta! Sinto falta das reuniões de final de ano e daquela espera boa para rever os irmãos que moravam em outra cidade.Sinto falta da alegria da minha mãe, mesmo que com algumas reclamações costumeiras, ao arrumar as coisas para esperar os filhos e netos. Sinto falta de meu pai preparando o seu melhor chimarrão! Eu sinto falta de uma época em que havia amor entre todos e não esta desunião. Sinto falta dos tempos em que não haviam brigas e discussões. De uma era em que jamais dois, quatro ou mais irmãos ficariam sem falar um com o outro. Sinto falta de um tempo em que não havia tanto julgamento entre eles, havia entendimento. Eu sinto falta de sentar naquela grama verde ouvindo minhas músicas com as caixas de som naquela escada. Sinto falta "da minha pedra", onde eu sentava e esperava a janta ficar pronta. Eu sinto falta do calor do fogão a lenha para aquecer aqueles invernos. Sinto falta dos pães caseiros, da massa na panela e do feijão feitos por minha mãe. Sinto falta do ânimo dela, de outros dias. Sinto falta daqueles abraços fraternos de despedida. Sinto inclusive, uma doce saudade dos abraços com lágrimas dados em mim, depois que também deixei o lugar. Sinto falta de uma casa que não existe mais, de um pai que não existe mais, sinto falta de uma mãe protetora, que não existe mais. Dos irmãos compreensivos, que não existem mais, de uma amor entre família, que não existe mais. Dos abraços verdadeiros, que não existem mais. E sinto um nó na garganta, um aperto, que não me deixa mais. Uma canseira dos fatos, que não me deixa mais. Certa tristeza, que não me deixa mais.  Então eu ativo o meu desapego. 

           Esta é uma das grandes provas da impermanência das coisas. Nada é definitivo, tudo é mutável, inclusive o amor. No caminho da evolução da consciência, entendo que sou parte deste grupo, compreendendo que há razões para dividirmos esta existência, mas cada indivíduo é responsável por sua própria jornada. Os testes são diários, o laboratório é propício para cada experiência. Não deixando ao vácuo parte da minha responsabilidade assistencial apenas não posso mais depositar minha energia naquilo que não me pertence. A evolução acontecerá para cada um de forma diferente. Desejo apenas que aconteça o melhor para todos, embora em minha opinião, aproveitar esta existência como uma oportunidade de crescimento espiritual seja algo valioso e de uma preciosidade que não poderia ser desperdiçada. Não sintam mais a minha falta, nestes desvios de percursos acabei encontrando o meu caminho. Onde afinal agora, sigo só.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Um passo atrás

       O sentimento agora é de (auto)comiseração. Não há outro. Não há nem espaço para outro. As imagens são todas de descidas. Os pousos são violentos. Cuspido em um terreno que eu desconhecia, me senti sem planos. Dúvidas e decisões. Neste dia em que o orgulho foi engolido, nesta ação retrógrada, nesta confusão de sentidos, nestes devaneios sentidos como intuições, nestes tons de cinza: tantas partes escondidas. Eu sou inferior. Eu voltei atrás por medo, eu senti o fracasso e senti dores. Olhei pra cima em busca de luz, senti a luz ao meu lado, me senti bloqueado. Olhei pra dentro, vi a profundeza de meu ser. Arranquei minha voz, há um sorriso postiço no rosto. Há outra escolha incerta, há uma urgência imediata. Eu carrego toda a resposabilidade. Me desconectei para me sentir novamente em conexão. Justo quando eu pensei que os rumos já haviam tomado os seus devidos lugares. Justo quando eu achei que a vida estava bem, eu modifiquei. Estou me redimindo, eu não sou digno. Escorreguei novamente, estou sem defesa, estou causando estragos. Tentando me perdoar pela milionésima vez, causando estragos e consequências.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O retorno ao Templo Budista: O eu inferior, a coragem libertadora de olhar para dentro de sí e a sinceridade transparente do sentir


        Na última vez em que estive no Templo Khadro Ling de Três Coroas em 2010, lembro de ter escrito que não havia encontrado tanta paz por lá quanto eu imaginava que encontraria, porque eu estava em um momento em que já me sentia repleto de paz! Me sentia ótimo no amor, com meus amigos, no trabalho, amparando minha família que passava por um momento de doença e doando luz. Retornei agora, numa fase interna incômoda e desiludida, novamente devido as minhas próprias escolhas. E desta vez, fui para buscar a paz! Durante este processo de procurar entender o problema-base de toda esta devastação, achei curioso o fato de que algumas pessoas comentaram sobre uma grande crise quando estamos passando dos vinte e nove aos trinta anos, meu caso. Crises! Tive algumas crises bem pesadas desde que comecei a me interessar por minha evolução espiritual. Obviamente, todas me trouxeram força e potência energética depois. Isso porque acredito, tudo tenha ligação, principalmente dentro de nossas convivências e relações humanas. Posso dizer que hoje, nesta Segunda-Feira pós Domingo no Templo, me sinto um pouco melhor, o que em meu estado é um grande avanço. Somente pela energia que acredito ter/sentir naquele lugar, bons fluidos foram absorvidos por mim, sempre na companhia da minha parceira/dupla espiritual. Este tem sido um tempo de olhar para dentro e observar o que não é assim, tão bom. Hipocritamente, tenho há alguns anos explorado minhas buscas apenas na teoria. Será que realmente aplico tudo que leio, que vejo e aprendo? Tudo soa bem no papel. A mudança está além de nossas palavras. Palavras de nada adiantam sem ação. Quando estamos nestas fases escuras, percebemos o quanto temos que nos redimir. Certas situações, nos levam a esta redenção. Talvez, eu não seja tão diferente quanto eu pensava de algumas pessoas cujas ações eu sempre questionei. Tenho vivido um tempo de perdão a mim mesmo como remédio, como alguma cura. Tempo de olhar no espelho e tentar arrancar compaixão de algum espaço interno e escondido de dentro de mim e por mim mesmo. Tempo de analisar de verdade os conceitos enganosos de felicidade nesta vida. Tentar perceber quais destes conceitos eu estou seguindo e porquê. Tempo de pedir alegria emprestada a alguém. Tempo de inseguranças. Este está sendo um tempo em que deixei meu orgulho de lado e pedi ajuda: amor, terapia, amigos, conscienciologia...

          Nunca me senti tão fraco ao ponto de pedir atenção. Sendo que neste caso, cortei meu ego em pedaços e joguei fora. Nesta última temporada, não me senti tão feliz e embora eu não acredite na felicidade plena, me faltou inclusive espaços curtos para risos.  A volta ao Templo Budista, àquela montanha, àquela energia, aos pensamentos sagrados, desta vez me despertou! Sempre é uma boa hora para rever nossas questões internas. Olhar para dentro de si e perceber o que nos agrada e o que não. Desviar o caminho se for necessário, mas não sair fora dos trilhos, perceber a diferença. Nossos conflitos internos servem como combustível para nos levar a clareza depois. E tudo o que mais tenho desejado é Luz! Me confundo com meus próprios passos, eu sei. Mas isso acontece pelo fato de que acabo transitando em dois mundos ao mesmo tempo: o extrafísico e o terreno. E como chegar a um ponto de equilíbrio? Talvez um passo importante seria aceitar nossa condição. Não podemos esquecer de quem somos. Não podemos deixar de procurar entender o porque somos. Sobretudo, não podemos esquecer que em nossa jornada espiritual, viemos para uma experiência humana. E que esta experiência, apesar de todas as pessoas que vamos encontrando por nosso caminho e que são importantes para nossa evolução, é de fato uma jornada solitária de aprendizado. O que mais acredito no momento é que ainda tenho um bom tempo terreno para cumprir as minhas tarefas. E só o que peço é que até lá, eu seja sempre acompanhado pelos bons seres de amparo e atraído pelo caminho da melhor verdade. Sigo só, nunca sozinho! Enviando pensamentos de amor e luz...

sábado, 28 de julho de 2012

Nota sem tom

"Eis minha vida no agora, tornando-se em um punhado de tristes profundas canções."

sábado, 21 de julho de 2012

SUMIU

Pra onde foi a alegria que estava bem aqui?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Como alguém se torna o que é?

        Faço parte daqueles que assistiram ao filme "Na estrada (On the road)" sem antes ter lido o livro. Faço parte também agora, daqueles que após o filme, querem o livro de qualquer maneira (já encomendado)! Se bem que no meu caso, para que me interessasse, não foi necessário mais do que algumas cenas do trailer do filme e este parágrafo rasgado, retirado do livro, reescrito e encontrado em qualquer site sobre a obra: "Porque as únicas pessoas que me interessam são os loucos. Os loucos por viver, loucos por falar , loucos para serem salvos. Os que desejam tudo ao mesmo tempo..." Através do filme, fica ainda mais visível a fascinação do escritor Jack Kerouac em observar formas de vida alternativas e interessantes. E obviamente, fazer parte delas. E estamos falando dos anos 50. Para uma breve interação, em abril de 1951, sob o efeito de benzendrina e café, e inspirado pelo jazz, Jack Kerouac escreveu a primeira versão do que viria a ser On the Road. Kerouac escrevia em prosa espontânea, como ele chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. O manuscrito original foi rejeitado por diversas editoras, mas em 1957, On the Road foi finalmente publicado, após inúmeras alterações exigidas pelos editores. O livro, de inspiração autobiográfica, descreve as viagens através dos Estados Unidos e México de Sal Paradise (Jack Kerouac) e Dean Moriarty (Neal Cassady). Ao contar a história de como os dois amigos atravessaram os Estados Unidos, Kerouac inaugurou um novo tipo de prosa, que funciona como uma trilha sonora interna ao livro, que vai se desprendendo das palavras, das frases, dos blocos de texto. Essa escrita que tem o ritmo das ruas une a realidade ao sonho, transformando o que era uma viagem em uma busca espiritual. Sobretudo, também mostra o outro lado do "sonho americano", sua desilusão. O livro se tornou um clássico Beatnik (Geração Beat_Movimento sócio-cultural nos anos 50 e 60 caracterizado pelo estilo de vida anti-materialista) e influenciou personalidades como Bob Dylan, só para citar um exemplo ilustre.

      A atmosfera transcendentalista do filme, nos conduz pelos caminhos descritos no livro. Uma viagem louca pela louca estrada da vida. Sem julgamentos do que é certo, errado, banal ou poético: a viagem interior fora necessária! Alguns protagonistas a usufruíram e a canalizaram de forma positiva, outros caíram no abismo da solidão. Se trata do despertar do espírito. Como alguém se torna o que é senão por suas experiências e sabedoria adquirida por conta destas? Posso ter entendido o filme de forma errônea, mas sobretudo o filme fala de paixão. Da chama acessa. Paixão por viver intensamente. E como julgar esta "rota" se o caminho a seguir é uma escolha individual de cada ser? Filmes sobre "fugas/buscas" me interessam. Não poderia ter sido diferente com este! Assim como em "Na Natureza Selvagem (Into the Wild), onde inclusive "Na estrada" tem o mesmo diretor de fotografia, ou "Diários de Motocicleta" tendo o mesmo diretor Walter Salles, este filme tem novamente uma conexão com pensamentos meus que estão sempre querendo sair, me pedindo para serem expulsos. Filmes como estes, funcionam como um brinde a tudo que não é "morno" na vida! E logo após assisti-los, o questionamento pessoal vem com força: "E eu, o que ainda estou fazendo aqui, dentro de mim? Ando percebendo que o "grande barato" da vida é descobrir com nossas experiências, cada uma das novas partes de que somos formados nós! Nem que seja para olhar para estas e não gostar. "On the Road" te leva caminho adentro! Intelectuais ao avesso, experimentações libertárias, longa estrada e uma viagem além de si! Já não bastam falsos inícios...

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tanto muito

Ele tem escondido o sorriso (e ninguém sabe). Usando estas roupas sérias ( o quanto não é ele). Vestindo esta imagem (o quanto se arrepende). Lutando com seu cérebro (as noites que não dorme). Falando de experiências (o quanto sente dores). Ele "tem que" persuadir (a pressão além da auto cobrança). Sua vontade de não ir (o quanto está frustrado). Certezas erradas (o quanto ele chora).

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A estupidez da sociedade

        Outro dia alguém comentou sobre a filha de outra pessoa que estava apenas com vinte e três anos e já havia passado no Doutorado além de ter sido promovida na empresa onde trabalha, ao cargo de Diretora. Dizia isso, não de maneira a perceber a grande capacidade dessa menina/mulher (o que realmente merece méritos), mas como se isso fosse o caminho correto da vida, esquecendo-se de que cada pessoa caminha em seu próprio tempo. É aquilo que sempre falo sobre a estupidez que habita esta sociedade. Você "tem de" seguir o módulo, a receita pronta: nascer, crescer, estudar, graduar-se, especializar-se, ter um mestrado, um doutorado, ter uma profissão, trabalhar, casar, ter filhos, ter bens materiais, alguma posição, status e ser feliz para sempre! Até parece propaganda de Tv americana, mas é a realidade da sociedade manipuladora inclusive de países de terceiro mundo como o nosso. Que receita mais fajuta e desgastada. Há uma necessidade em categorizar as pessoas e suas funções. O que afinal é "se dar bem" na vida? Difícil resposta quando isso depende da marca de roupa que você usa! Esse tipo de sociedade que "pensa grande" no fundo é primitiva demais e ainda segue uma linha, um padrão. E eu sempre fugindo e tentando me esquivar daquilo que não quero absorver. Dessa gente consumista que mascara sua personalidade por conta do olhar do outro (elas precisam se inserir no "grupo", certo?!). Qual é o seu cargo? Onde trabalha? Quanto ganha afinal? Sei que meu modo de encarar a vida é constantemente julgado, mas não vejo isso de maneira negativa quando também sou um observador dessa maneira capitalista que muitos vivem e que em nada me atrai. E como escrevi dias atrás, não quero nada além daquilo que me pertence. Se é que algo me pertence! Prefiro fugir desse sistema embora eu ainda dependa dele, o que de certo modo me torna hipócrita. Ao menos então, consciente de tudo aquilo que não quero seguir, me tornar ou ser! Sociedade, siga sem mim...continue seguindo sem mim!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Convivendo com todas as minhas partes

       Quase trinta! Quase na linha vermelha. Escrevo isso desde os vinte e sete anos pelo que lembro. Sempre disse à mim mesmo que os trinta anos eram a idade limite: quando chegasse lá, já queria saber pelo menos que estrada seguir na vida. Penso que adiantei alguns anos esta descoberta. Embora seja um ser mutante, a base de minhas escolhas está fundamentada. Escolhas,começo por elas, sempre me fizeram tão mal e com que me punisse aos extremos. Hoje definitivamente elas não têm mais me intimidado: cada escolha foi gerada por uma circunstância e foi a opção naquele devido momento, desse modo não preciso estar preso à elas. Não preciso estar preso a nada que cause danos à minha saúde interior. Isso inclui pessoas ou situações! Talvez seja por isso que eu tenha me tornado uma pessoa mais seletiva com o passar dos anos. Dia de aniversário pra mim é um dia de reflexão de ciclo. Sempre analiso tudo. E como eu queria ser uma pessoa menos analítica. Deus sabe! Mas entendo isso também como parte de quem sou. Permito-me alguns devaneios quando penso em como estou eu até aqui por exemplo. Espiritualmente sinto que estou em meu caminho e busco a clareza em todas as coisas que faço. Me sinto grato a maior parte do tempo e sei que meus amparos estão sempre me colocando na direção da melhor verdade. Emocionalmente ainda há tanto a ser ajustado, principalmente minhas dualidades e ambivalências as quais julgo como casos terapêuticos. Ao mesmo tempo, sou um observador de todas as minhas partes, de tudo aquilo que compõe minha personalidade. 

       É que sou tantos! Sou esclarecido e carrego dúvidas múltiplas dentro de mim. Sou o profissional internamente exigente e que busca melhorar e se especializar no que faz e também sou o riponga que curte “se deixar levar” sem pressões, ver o sol sentado em algum lugar com grama e buscar a paz. Sou o filho que liga para a mãe o tempo todo e quer mostrar o quanto ela é importante e se sinta amada e o filho que já não tem mais o pai, mas que sabe que ele está em uma camada espiritual cheia de luz e com ele tem outro tipo de conversa. Sou alguém que está presente sempre que necessário e também o cara que quer ficar distante e sem ninguém por perto muitas das vezes. Sou uma pessoa que necessita de silêncio e outra que “curte” o som alto das bandas que aprecia dentro dos ouvidos. Me sinto tão responsável e às vezes sou totalmente distraído. Penso demais. Demais mesmo. Por conta disso tenho um péssimo sono. Estou sempre lutando contra um certo tipo de “sociedade” que está na cabeça da maioria das pessoas: “ter de, adquirir, bens materiais, status, dinheiro, posições”. Mas sei que preciso aprender a lidar melhor com esta náusea, com este tipo de coisa que não encontro sentido. Meus valores são outros. Não quero nada além daquilo que me pertença. Se é que alguma coisa me pertence! Há dentro de mim alegria e tristeza, e engraçado, ultimamente elas têm trocado de lugar muito rapidamente. Preciso dispensar esta freqüência. Sou tão bem cuidado, tenho um amor que me faz sentir especial e único. Na verdade eu sou único. Não gostaria de ser outra pessoa que não eu mesmo, apesar de admirar tantas. Aprendo observando o estilo de vida dos outros. Aplico em minha vida tudo que sinto que irá contribuir para a minha evolução. Me conheço muito. Durante estes anos, o processo de autoconhecimento foi fundamental para ser quem eu sou hoje. 

       E quem eu realmente sou? Haja filosofia para explicar isso. Prefiro, para não me estender demais, apenas dizer que aprendi a aceitar tudo que vem de mim. Minhas qualidades, meus defeitos, minha luz e minha escuridão. Meu choro e meu riso. Minha liberdade. Minha humanidade. Minha profunda busca. Minha jornada interior. Sou construído de muitas partes. E o mais curioso é que quando se é um pouco mais jovem, geralmente tentamos podar, ou esconder partes nossas porque ainda não sabemos a melhor maneira de apresentá-las ao público. No agora, percebi que não preciso exorcizar nenhuma destas partes, porque se sou todas estas partes é porque há espaço para todas elas dentro de mim. Pedidos? Sim: que eu saiba levar a vida de forma mais leve, sem tantas preocupações e pressões interna. Que eu consiga ser menos exigente comigo mesmo. E pare tanto de pensar. “Desligar a mente e relaxar”. Que eu viva o momento presente onde tudo faz mais sentido e é onde estou. Que meu amor, meus amigos, minha família estejam comigo na medida do possível sem que isso afete o cotidiano de suas vidas (sou tão grato ao amor de cada um). Que minhas buscas continuem de forma sadia. Que eu seja guiado por seres de luz onde estiver. Que eu saiba aproveitar a simplicidade da vida. E que sejam então bem vindos os meus vinte e nove anos!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Quanta vida se ganha ao pensar? Quanta vida se perde ao pensar?

      O novo ciclo iniciou com mudanças profundas. Trocas, aquisições, definições de caminho. Mas, estaria eu em um novo processo espiritual interno não concedendo tamanha importância e relevância à grandiosidade de cada coisa? Ou estaria eu em um processo humano, esbofetando a mim mesmo por minhas supostas ingratidões? Como? Como se nos últimos anos tudo o que mais tive foi a certeza dos valores que distribuo em situações diversas de minha jornada? Grato a vida que tenho, que levo! Espiritualmente tenho a total clareza de meus propósitos nesta existência. Sendo apenas humano, questiono minhas ações. Até porque de certa forma tenho tido uma inclinação a "este tipo de vida" que se leva por aqui e que tanto desprezo. Mas tento arduamente não me contaminar com a falsa criatura interior que habita ambiciosamente cada um de nós. Tal criatura que crê que tudo aqui é permanente e que este modo capitalista horrendo gera o status necessário para sua passagem neste plano. Misericórdia! Se sou ambicioso? Olhem para a minha "fuça"! Observem as minhas fugas! Não que eu queira pouco: é que o que pretendo conseguir não é nada palpável, chama-se Universo. E é com meu interior que venho trabalhando esta conquista. Conquistas, eis a questão! Ficamos felizes com a conquista da "casa própria", do carro novo, da roupa da vitrine, da nova proposta de emprego, felizes com a conquista do que será lucro, do que é ou se pode comprar, MATERIAL. Como somos estúpidos! Deveríamos preferir conquistar liberdade, respeito dos outros, conhecimento, serenidade para uma vida longa/curta, a conquista da mente expandida. E para tantos, tanto faz. Só que há uma brevidade em tudo que não é entendido sensivelmente. 

      De tempos em tempos me canso disso. De ter de perceber que minha própria vida co-depende de dinheiro para o suprimento de qualquer necessidade por ter entrado/estar neste sistema. Canso de ter de me preocupar com as "contas do amanhã" resultados dos erros do hoje. E minha mente como já escrevi algumas vezes, simplesmente não para de pensar. Sou um ser aberto às mudanças, ao novo e eu mudo frequentemente porque um de meus propósitos é exatamente este, mas nunca sem antes ter sofrido para definir minhas escolhas. Me cobro tanto quanto me penalizo. Mesmo entendendo que nem sempre percebemos que tais mudanças estão em nosso caminho por algum motivo que só descobriremos no depois. As escolhas na verdade, nos exigem profundos. Optamos por seguir em frente mas precisamos antes maturar esta ideia e internamente sentimos o luto pelo que deixamos para trás. Se algo nasce é porque algo morreu. Tenho "estado" longe, confesso: pensamentos distantes e silenciosos gritam dentro de mim,  ás vezes me agridem, outras me consolam. Da minha parte restou a escolha. Eu sei que nada é para sempre, nem as fases boas, nem as ruins. Tudo passa, passa a vida. Brindo hoje, a impermanência de quem sou!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Racional, emocional e espiritual

      Três caminhos mentais diferentes. Como uní-los? Como não trilhar um só? Nossas ações acabam por percorrer esses três estados e na verdade nunca conseguimos de fato repousar em um só deles. Agir sempre racionalmente? Ser guiado pela emoção e vulnerabilidade do momento? Acreditar que o espiritual é o ponto principal a ser pensado? Todas estas dúvidas fazem parte da complexidade que carregamos em nós. A pergunta principal já nem é mais "quem somos?" ou "porque viemos?". Trata de algo ainda mais profundo: "como estamos indo?". Minha intuição diz que, quando conseguirmos equilibrar os três estados, estaremos mais próximos do que deveremos atingir. Minha natureza me guia cada vez mais para minha jornada interior. Sou definitivamente motivado a buscar aquilo que sinto ser inerente ao meu espírito. Já não sei dizer das formas que eu já tive, dos rostos que já usei, as almas que já fui. Me refiro agora a tudo que eu não mais seria. Tudo o que eu realmente quero é ter tido sentido nessa existência. Para isso agora me dou o mundo!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Menos é MAIS

      Ciclo fechado. O novo surge. O mundo não acabou em 2012 como alguns temiam e creio que não irá acabar como alguns ainda temem. Ao menos, não este ano! A mudança é mais espiritual e de energia do que física, embora o físico esteja sendo lentamente destruído sim pelos menos evoluídos, mas este é outro assunto. Meu lema para este ciclo: menos é mais, definitivamente. Nos últimos dois anos estive bastante envolvido com determindas situações. Estou tirando um pouco de peso das minhas costas nesse momento. Estou me retirando é a frase certa. Em outras palavras ainda, contem menos comigo porque neste ano estarei mais interessado em coisas minhas. Se considerarem isso uma atitude egoísta, não farei a menor questão de fazê-los mudar de idéia. Família, principalmente, estarei mais ausente. Continuo colocando família em primeiro lugar na escala das importâncias da vida, mas chega um momento em que mesmo com as costas largas a sobrecarga é pesada demais. Estarei menos presente, menos a frente, resolvendo menos problemas, querendo saber menos ainda dos atritos que eles não têm a capacidade de sentar, conversar, dialogar: falar e ouvir, e resolver. Tenho dores demais para "tomar" a dor dos outros. Minhas palavras de harmonia e o que estava ao meu alcance fora feito. Muitas vezes uma visão de fora pode ajudar muito. Tentei demonstrar a minha, mas se meus pensamentos não conseguem interferir de forma positiva na mente de outra pessoa, o que posso eu fazer? Não é mais justo comigo absorver o que não é meu. Andei em uma fase tempinho atrás, em que eu tinha tanta coisa a fazer, a resolver por mim, que acredito que algumas pessoas simplesmente pensaram que "eu não tinha outra coisa a fazer a não ser tentar ajudar no problema delas". Acabei deixando muito do que era assunto meu, de lado. Obviamente há uma parte boa nisso, pois me sinto confortável e útil com o fato de conseguir ajudar, esclarecer, analisar, dar algum conselho ou até mesmo apontar que há sempre dois lados em uma situação. Talvez até seja pela minha maneira de ver o mundo, minha própria auto análise (falando em minhas experiências consigo ajudar de algum jeito) ou talvez pela minha mente aberta mas... Mas acontece que também me perco vez por outra e levo dias para me encontrar de novo, quem sabe meses. Também me sinto sozinho, recolhido, também preciso de apoio, de direção. Também sofro com minhas inquietações. Só não espalho, não grito. Conto aqui. 

      Decidi neste ciclo ter menos responsabilidade em quase tudo. Essa tarefa será árdua eu sei, sou responsável ao extremo, qualidade que chega a soar como defeito. Prejudica meu sono. Mas serei menos, bem menos... A começar, menos trabalho. Mesma dedicação, mas menos trabalho. Menos urgência, mais respiração. Existem dez coisas a serem feitas? Priorizarei três das quais conseguirei realmente fazer. Menos pressão. Menos importância ao que já não me interessa. Estarei menos atento aos outros. Cheguei em um ponto em que preciso focar em mim. É apenas isso. Senão vou endoidecer com tanta preocupação. E por favor, menos, bem menos preocupações. Diariamente somos torturados ou vamos nos torturando com tantas interrogações, com tantos pensamentos "em busca de" que acabamos por nos entupir de ansiedade. Precisamos saber jogar um pouco ao vento. Olhar pro céu e descobrirmos se o tal azul é mesmo doce. A vida não é aquilo que muda o tempo todo? As decisões serão boas ou ruins? As escolhas certas ou erradas? Quando saberemos? Nesta tarde, quase noite, com esse olhar distante: um carro agora, uma estrada longa, Heartbeats do José Gonzáles no repeat do som e como se fosse em câmera lenta, uma fuga de dois a três dias, um lugar desconhecido, uma nova energia, a mesma companhia, "um bocado" de silêncio... Chegar pra quê? Com o passar do tempo compreendemos que não adianta querer entender. Somos feitos de pedaços inacabados. E quando o Universo muda as perguntas, a dúvida esclarecida é a de que é inútil ter certezas. Aliás, menos certezas, bem menos certezas. Táxi!!!(?) De volta pra casa.