quarta-feira, 16 de maio de 2012

A estupidez da sociedade

        Outro dia alguém comentou sobre a filha de outra pessoa que estava apenas com vinte e três anos e já havia passado no Doutorado além de ter sido promovida na empresa onde trabalha, ao cargo de Diretora. Dizia isso, não de maneira a perceber a grande capacidade dessa menina/mulher (o que realmente merece méritos), mas como se isso fosse o caminho correto da vida, esquecendo-se de que cada pessoa caminha em seu próprio tempo. É aquilo que sempre falo sobre a estupidez que habita esta sociedade. Você "tem de" seguir o módulo, a receita pronta: nascer, crescer, estudar, graduar-se, especializar-se, ter um mestrado, um doutorado, ter uma profissão, trabalhar, casar, ter filhos, ter bens materiais, alguma posição, status e ser feliz para sempre! Até parece propaganda de Tv americana, mas é a realidade da sociedade manipuladora inclusive de países de terceiro mundo como o nosso. Que receita mais fajuta e desgastada. Há uma necessidade em categorizar as pessoas e suas funções. O que afinal é "se dar bem" na vida? Difícil resposta quando isso depende da marca de roupa que você usa! Esse tipo de sociedade que "pensa grande" no fundo é primitiva demais e ainda segue uma linha, um padrão. E eu sempre fugindo e tentando me esquivar daquilo que não quero absorver. Dessa gente consumista que mascara sua personalidade por conta do olhar do outro (elas precisam se inserir no "grupo", certo?!). Qual é o seu cargo? Onde trabalha? Quanto ganha afinal? Sei que meu modo de encarar a vida é constantemente julgado, mas não vejo isso de maneira negativa quando também sou um observador dessa maneira capitalista que muitos vivem e que em nada me atrai. E como escrevi dias atrás, não quero nada além daquilo que me pertence. Se é que algo me pertence! Prefiro fugir desse sistema embora eu ainda dependa dele, o que de certo modo me torna hipócrita. Ao menos então, consciente de tudo aquilo que não quero seguir, me tornar ou ser! Sociedade, siga sem mim...continue seguindo sem mim!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Convivendo com todas as minhas partes

       Quase trinta! Quase na linha vermelha. Escrevo isso desde os vinte e sete anos pelo que lembro. Sempre disse à mim mesmo que os trinta anos eram a idade limite: quando chegasse lá, já queria saber pelo menos que estrada seguir na vida. Penso que adiantei alguns anos esta descoberta. Embora seja um ser mutante, a base de minhas escolhas está fundamentada. Escolhas,começo por elas, sempre me fizeram tão mal e com que me punisse aos extremos. Hoje definitivamente elas não têm mais me intimidado: cada escolha foi gerada por uma circunstância e foi a opção naquele devido momento, desse modo não preciso estar preso à elas. Não preciso estar preso a nada que cause danos à minha saúde interior. Isso inclui pessoas ou situações! Talvez seja por isso que eu tenha me tornado uma pessoa mais seletiva com o passar dos anos. Dia de aniversário pra mim é um dia de reflexão de ciclo. Sempre analiso tudo. E como eu queria ser uma pessoa menos analítica. Deus sabe! Mas entendo isso também como parte de quem sou. Permito-me alguns devaneios quando penso em como estou eu até aqui por exemplo. Espiritualmente sinto que estou em meu caminho e busco a clareza em todas as coisas que faço. Me sinto grato a maior parte do tempo e sei que meus amparos estão sempre me colocando na direção da melhor verdade. Emocionalmente ainda há tanto a ser ajustado, principalmente minhas dualidades e ambivalências as quais julgo como casos terapêuticos. Ao mesmo tempo, sou um observador de todas as minhas partes, de tudo aquilo que compõe minha personalidade. 

       É que sou tantos! Sou esclarecido e carrego dúvidas múltiplas dentro de mim. Sou o profissional internamente exigente e que busca melhorar e se especializar no que faz e também sou o riponga que curte “se deixar levar” sem pressões, ver o sol sentado em algum lugar com grama e buscar a paz. Sou o filho que liga para a mãe o tempo todo e quer mostrar o quanto ela é importante e se sinta amada e o filho que já não tem mais o pai, mas que sabe que ele está em uma camada espiritual cheia de luz e com ele tem outro tipo de conversa. Sou alguém que está presente sempre que necessário e também o cara que quer ficar distante e sem ninguém por perto muitas das vezes. Sou uma pessoa que necessita de silêncio e outra que “curte” o som alto das bandas que aprecia dentro dos ouvidos. Me sinto tão responsável e às vezes sou totalmente distraído. Penso demais. Demais mesmo. Por conta disso tenho um péssimo sono. Estou sempre lutando contra um certo tipo de “sociedade” que está na cabeça da maioria das pessoas: “ter de, adquirir, bens materiais, status, dinheiro, posições”. Mas sei que preciso aprender a lidar melhor com esta náusea, com este tipo de coisa que não encontro sentido. Meus valores são outros. Não quero nada além daquilo que me pertença. Se é que alguma coisa me pertence! Há dentro de mim alegria e tristeza, e engraçado, ultimamente elas têm trocado de lugar muito rapidamente. Preciso dispensar esta freqüência. Sou tão bem cuidado, tenho um amor que me faz sentir especial e único. Na verdade eu sou único. Não gostaria de ser outra pessoa que não eu mesmo, apesar de admirar tantas. Aprendo observando o estilo de vida dos outros. Aplico em minha vida tudo que sinto que irá contribuir para a minha evolução. Me conheço muito. Durante estes anos, o processo de autoconhecimento foi fundamental para ser quem eu sou hoje. 

       E quem eu realmente sou? Haja filosofia para explicar isso. Prefiro, para não me estender demais, apenas dizer que aprendi a aceitar tudo que vem de mim. Minhas qualidades, meus defeitos, minha luz e minha escuridão. Meu choro e meu riso. Minha liberdade. Minha humanidade. Minha profunda busca. Minha jornada interior. Sou construído de muitas partes. E o mais curioso é que quando se é um pouco mais jovem, geralmente tentamos podar, ou esconder partes nossas porque ainda não sabemos a melhor maneira de apresentá-las ao público. No agora, percebi que não preciso exorcizar nenhuma destas partes, porque se sou todas estas partes é porque há espaço para todas elas dentro de mim. Pedidos? Sim: que eu saiba levar a vida de forma mais leve, sem tantas preocupações e pressões interna. Que eu consiga ser menos exigente comigo mesmo. E pare tanto de pensar. “Desligar a mente e relaxar”. Que eu viva o momento presente onde tudo faz mais sentido e é onde estou. Que meu amor, meus amigos, minha família estejam comigo na medida do possível sem que isso afete o cotidiano de suas vidas (sou tão grato ao amor de cada um). Que minhas buscas continuem de forma sadia. Que eu seja guiado por seres de luz onde estiver. Que eu saiba aproveitar a simplicidade da vida. E que sejam então bem vindos os meus vinte e nove anos!