segunda-feira, 16 de julho de 2012

Como alguém se torna o que é?

        Faço parte daqueles que assistiram ao filme "Na estrada (On the road)" sem antes ter lido o livro. Faço parte também agora, daqueles que após o filme, querem o livro de qualquer maneira (já encomendado)! Se bem que no meu caso, para que me interessasse, não foi necessário mais do que algumas cenas do trailer do filme e este parágrafo rasgado, retirado do livro, reescrito e encontrado em qualquer site sobre a obra: "Porque as únicas pessoas que me interessam são os loucos. Os loucos por viver, loucos por falar , loucos para serem salvos. Os que desejam tudo ao mesmo tempo..." Através do filme, fica ainda mais visível a fascinação do escritor Jack Kerouac em observar formas de vida alternativas e interessantes. E obviamente, fazer parte delas. E estamos falando dos anos 50. Para uma breve interação, em abril de 1951, sob o efeito de benzendrina e café, e inspirado pelo jazz, Jack Kerouac escreveu a primeira versão do que viria a ser On the Road. Kerouac escrevia em prosa espontânea, como ele chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. O manuscrito original foi rejeitado por diversas editoras, mas em 1957, On the Road foi finalmente publicado, após inúmeras alterações exigidas pelos editores. O livro, de inspiração autobiográfica, descreve as viagens através dos Estados Unidos e México de Sal Paradise (Jack Kerouac) e Dean Moriarty (Neal Cassady). Ao contar a história de como os dois amigos atravessaram os Estados Unidos, Kerouac inaugurou um novo tipo de prosa, que funciona como uma trilha sonora interna ao livro, que vai se desprendendo das palavras, das frases, dos blocos de texto. Essa escrita que tem o ritmo das ruas une a realidade ao sonho, transformando o que era uma viagem em uma busca espiritual. Sobretudo, também mostra o outro lado do "sonho americano", sua desilusão. O livro se tornou um clássico Beatnik (Geração Beat_Movimento sócio-cultural nos anos 50 e 60 caracterizado pelo estilo de vida anti-materialista) e influenciou personalidades como Bob Dylan, só para citar um exemplo ilustre.

      A atmosfera transcendentalista do filme, nos conduz pelos caminhos descritos no livro. Uma viagem louca pela louca estrada da vida. Sem julgamentos do que é certo, errado, banal ou poético: a viagem interior fora necessária! Alguns protagonistas a usufruíram e a canalizaram de forma positiva, outros caíram no abismo da solidão. Se trata do despertar do espírito. Como alguém se torna o que é senão por suas experiências e sabedoria adquirida por conta destas? Posso ter entendido o filme de forma errônea, mas sobretudo o filme fala de paixão. Da chama acessa. Paixão por viver intensamente. E como julgar esta "rota" se o caminho a seguir é uma escolha individual de cada ser? Filmes sobre "fugas/buscas" me interessam. Não poderia ter sido diferente com este! Assim como em "Na Natureza Selvagem (Into the Wild), onde inclusive "Na estrada" tem o mesmo diretor de fotografia, ou "Diários de Motocicleta" tendo o mesmo diretor Walter Salles, este filme tem novamente uma conexão com pensamentos meus que estão sempre querendo sair, me pedindo para serem expulsos. Filmes como estes, funcionam como um brinde a tudo que não é "morno" na vida! E logo após assisti-los, o questionamento pessoal vem com força: "E eu, o que ainda estou fazendo aqui, dentro de mim? Ando percebendo que o "grande barato" da vida é descobrir com nossas experiências, cada uma das novas partes de que somos formados nós! Nem que seja para olhar para estas e não gostar. "On the Road" te leva caminho adentro! Intelectuais ao avesso, experimentações libertárias, longa estrada e uma viagem além de si! Já não bastam falsos inícios...

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