domingo, 25 de novembro de 2012

Te empresto a minha alegria...

      Quando passo por períodos mais escuros, temporadas inseguras e algumas preocupações múltiplas, como nesta última fase, esqueço de algumas outras partes que também me compõem. Principalmente a parte alegre e leve que também faz parte de mim. Hoje acordei com uma sensação muito boa e com aquele velho sentimento de gratidão que habita em mim. Senti uma vontade grandiosa de viver mais e de forma mais feliz. Lembrei de algo que eu disse à mim mesmo no período em que meu pai começou a fazer um tratamento contra o câncer anos atrás: "nenhuma fase é pior do que quando alguém que você ama está doente, ou que você mesmo está passando por uma doença". Tudo fica desestabilizado. Meu pai acabou falecendo e não se curando a tempo, e eu continuo aqui. Só de pensar que não possuo doença nenhuma, a vibração de energia deve ser a melhor possível. Tentar preservar ao máximo este corpo, como um instrumento que comporta meu espírito nesta passagem é um dever. Lembrar disso me fez "acordar" um pouco. Sou grato por ser saudável e por não estar passando novamente por nenhum tipo de doença grave na família ou com qualquer pessoa que amo, inclusive eu mesmo. As reclamações precisam parar. E ninguém precisa chegar a um estágio de enfermidade para ver o quanto é bom e importante viver por aqui, neste plano. Quanta coisa!!!! Não é necessário se dar conta disso apenas em momentos em que o medo de deixar de existir invade o seu estômago.
     Lembro inclusive, que na época em que meu pai faleceu, eu não pude estar presente por conta do trabalho que estava intenso e acumulado porque haviam menos funcionários do que o necessário para aquela época do ano. Acabei pedindo liberação no dia  de sua piora e o resultado foi que não cheguei a tempo de encontrá-lo ainda com vida. Não há agora (como havia antes) necessariamente um sentimento de culpa nisso porque estive muito presente mesmo estando longe fisicamente e tampouco presenteio esta culpa à qualquer outra pessoa. Apenas prometi a mim mesmo, me doar menos e comecei a perceber qual realmente era meu tempo de importância  quando as escolhas futuras foram acontecendo. Não posso dizer que sou um ser que "não cobro" por minhas fiéis ajudas, pelos tempos ruins em que eu estive junto e não me acovardei a deixar ninguém na mão,  pois apenas não costumo verbalizar o que internamente sinto que deveria ser diferente. O trabalho é extremamente necessário em nossas vidas é a fonte de onde nascem nossas conquistas e nossos esforços tendem a ser reconhecidos. Mas parece que durante a semana sua vida é apenas aquela que está lá em seu trabalho, por exemplo. Temos de tomar cuidado para não nos tornarmos também aquela pessoa unicamente. O trabalho, o seu tempo nele, as pessoas com quem convive, ocupam uma parte pequena entre todas as outras que você têm.  E na vida, tudo é passageiro, não!?  Nada precisa ser levado assim, tão a sério. Precisamos saber balancear as medidas. Rir mais, se importar menos. Caso contrário, nos tornamos seres pesados e deixamos de aproveitar as tantas outras ocasiões que esta vida nos proporciona.
    É importante fazer este tipo de comparação de seus próprios momentos: Do que você relamava antes? Do que você reclama agora? Do que você se alegrava antes? Do que se alegra agora? Me senti tão bem ao acordar nesta manhã ensolarada! Pensei nas tantas pessoas que tenho e nas várias etapas vividas. Tão bom ter um amor e este amor estando viajando a trabalho, poder sentir aquela doce saudade. Sentir o quanto sou amado tanto por ela tanto quanto por outras pessoas ao meu redor. Olhando para algumas fotos presas no mural, percebi a quantidade de pessoas bacanas que tenho na vida, cada uma com sua importância específica. Posso me sentir feliz com a minha jornada, guardando as tantas experiências que tive numa espécie de bolsa imaginária. As tantas coisas passadas que foram moldando quem eu sou e a índole que tenho.
    Posso dizer sim, que bateu uma saudade das festas, das alegrias, das pessoas cheias de boas energias, das dançinhas até o chão e do meu copo de bebida sempre a mão. Saudade de um riso solto, fácil. De meu próprio jeito de divertir os outros e de me divertir com eles,  do meu senso de humor afiado e das tantas boas conversas nas mesas dos barzinhos. Das minhas viagens, das temporadas boas com a família, das risadas com meus sobrinhos, dos banhos de chuva...E o que me deixa ainda melhor é que posso viver tudo isso ainda mais e mais vezes e devo sentir uma felicidade extrema por tantos momentos bons que passaram e que ainda virão. A vida não é só festejar, ok, também não é apenas preocupações.
    Levantei da cama e sentei em uma cadeira na sacada enquanto tomava o café da manhã. Respirei ar puro e contemplei o dia incrível que estava fazendo lá fora. Agradeci aos amparos por não ser uma pessoa sozinha, pelo meu corpo saudável, pelas pessoas que tenho, pela vida que vivo, pelas oportunidades que estou tendo nestas experiências mundanas. Hoje, celebro a vida e visão perfeita de poder enxergar além do que se vê. E a vista deste dia lindo, que observo pela janela desta sacada, nunca foi tão significativa...

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