quinta-feira, 28 de março de 2013

Do que se é capaz

     Em retrospecto, me vejo hoje, com um abismo de diferença entre quem eu era e quem sou.  Passos largos voltando cinco anos atrás. Mas o que ainda sou capaz de fazer que já não deveria mais?
Em outros tempos, minha natureza responsável, preocupada, pacífica, contruída de amor, divinamente deixou que meus demônios controlassem a situação descontrolada e eu falhei. Sou hoje constituído de tal falha, que não me deixa, que está vivendo em mim.
     Eu diria que, sei lidar bem melhor com as mágoas  que o outro me causa, não sabendo como amenizar aquelas que eu próprio causo. Carrego em mim certa estupidez. E não há nada a fazer com aquilo que o outro não consegue esquecer e te aponta, que sabe que está intrínseco a ti. Incrivelmente este tipo de dor, dói mais. Como então, ainda ver o reflexo no espelho da mesma forma? Quem realmente se é?
    Não confiável, desprezível, imaturo, irresponsável, egoísta...
    Sou então capaz de ser quem jamais se pensou que eu fosse.
 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Quase trinta: Capítulo II - Liberdade

     Em meu braço direito, a tattoo "Status Libertatis" (em latim), faz  referência ao que intitulo "uma de minhas maiores buscas para manter a minha paranóia emocional equilibrada": o estado de liberdade! Vim parar aqui livre demais! Tão livre que às vezes nem meu próprio corpo consegue segurar o espírito que carrega dentro dele - vago por aí, na maior parte do tempo inconscientemente. Tenho mais necessidade de espaço do que alimentar.  De alguns anos pra cá - talvez nos últimos cinco - me percebi assim e daqui para pior (ou melhor). Ter meus momentos solitários nunca foi problema, os chamo de "encontro".
 
     Não gosto de nada que me prenda, nada que esteja fora do limite da minha aceitação, nada que me sufoque, nada que me pressione. Nada que deixe meu estômago incômodo. Por conta disso, às vezes me afasto. Corpo presente em pensamentos distantes. Por vezes muitas, me sinto egoísta sendo assim. Por vezes outras, transfiro esse egoísmo ao outro, quando não há entendimento do que realmente me faz bem. Sabores e dissabores das relações humanas. Mas qual o grande sentido de estar aqui a não ser a evolução própria?

     Concedo esta mesma liberdade a qual tanto necessito à todas as pessoas ao meu redor: não suporto cobranças, portanto não as faço, não gosto de obrigações, então deixo as pessoas naturalmente decidirem, não sou de insistir nem de pedir explicações e com isso apenas gostaria destas mesmas não-ações comigo. Quem está comigo aliás, está sempre em liberdade.
 
     A liberdade para a solidão e para a companhia. A liberdade de seguir e voltar. A liberdade de fazer e de não.  A liberdade de ficar e de partir.  A liberdade de ser, sem magoar ninguém, sem prejudicar quem quer que seja, sem deixar de ser pelo outro. A liberdade da fala e do silêncio. A liberdade de não querer ter filhos e a de realmente não ter filhos. Todo o tipo de liberdade me interessa! E nesta etapa, já me acostumei com os tantos julgamentos vindos de fora.

     Cada vez mais próximo de chegar aos trinta anos, estou me percebendo mutante. E estou pra lá de interessado nestas constantes mudanças. Aliás,  também tenho refletido aquilo que deveria estar seguindo e não estou, as minhas poucas próprias regras das quais usufruo menos do que teria de. A brevidade do tempo me assusta, quero então caber dentro de minha própria vida. Nada mais. É assim que tornarei a minha jornada mais interessante.