quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A minha imagem

     Eu não olharia para mim se fosse outra pessoa. Sendo mais direto, não sentiria atração. Por isso entendo o porquê passei parte da minha vida interessado por pessoas que não me queriam: eu não fazia o "tipo" delas. Depois encontrei alguém que me amava tal como eu era e a história se modificou. Porém o amor destoa nossa visão pois nos interessamos por outras particularidades das pessoas e isso as torna mais bonitas. Isso não é rejeição própria, de forma alguma, apenas faz parte de uma análise, autodepreciação externa. Com o passar deste mesmo tempo, consegui ser mais crítico com aquilo que vejo no espelho e que geralmente não gosto (na grande maioria das vezes). Nunca me preocupei tanto porque entendo que somos arranjos temporários e este corpo, deixaremos aqui. Mas hoje em dia, relembrando com maturidade de algumas situações passadas, consigo compreender o que antes parecia  apenas derrota: compreendo o não interesse, entendo a esnobação, aceito o meu lugar.

    Estas frases soltas aqui não falam de desconforto ou de desajuste em minha própria pele. Após os trinta anos não apenas revi conceitos como também baixei a guarda para algumas constatações. Minha expressão é velha embora eu persista em carregar a minha fajuta bandeira da juventude. Olho para tantos outros rostos e observo o oposto, percebo suavidade e beleza neles. Esqueço a história, as experiências, a inteligência, a espiritualidade ou seja lá o que for que me torna uma pessoa interessante: é de aparência que falo aqui. É sempre necessário que nossas verdades profundas emerjam para que possamos nos desapegar daquilo que nos incomoda. Ao pensar na minha própria imagem e me comparar com outras, o meu processo de desapego melhora quando percebo o que não conseguirei ser. Imperfeição! O que sempre me atraiu nas pessoas foram (são) as suas imperfeições, mas falo isso apenas porque me convém.

     Vez por outra esqueço que a imagem não é assim tão importante. Vez por outra me dou assim, menos importância e engulo o meu ego. Vez por outra lembro que nada é exatamente o que parece. Minha condição de aceitação ressurge aqui.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

É o teu amor que me acompanha,
que é mar,
que é sol,
que é zelo,
que é grande.

Não quero ver o teu olhar triste,
espécie e meia de derrota,
o teu pavor de ficar só.
Nem ser a razão de teus planos desfeitos,
dissipados.
O nada, o vácuo, o se, o tão.

Prendo os desejos dentro de meu corpo,
não me alegra encontrar liberdade assim,
se em ti houver tristeza.
Permaneço.

A vida,
a história,
os anos,
o feliz encontro.

É o teu amor que me acompanha,
que é terra,
que é sólido,
que é forte,
que é imensidão.

Quero então ver o sorriso dos teus olhos.
                                                       Tua alegria cabe em mim.