sexta-feira, 12 de abril de 2013

Quase trinta: Capítulo III - Coragem

     Engraçado como o tempo vai afastando certos medos. É piegas eu sei, falar isso. Mas chega-se em uma etapa da vida, onde na verdade, a idade vai encorajando nossos atos. Obviamente, nossas experiências contribuem para tanto. Vamos nos tornando quem de fato somos. Mas já antes não éramos? Acontece que quando estamos na casa dos vinte anos, temos uma espécie de urgência em  mostrar serviço. Temos a necessidade de relatar o que sabemos, esclarecer que temos uma maturidade a frente de nosso próprio tempo e que mesmo nesta idade mutante, já adquirimos uma boa dose de sabedoria. Temos tendência a sermos proativos, de assumirmos posições, de termos muitas opiniões formadas, respostas prontas e de sermos dedicados como se tivéssemos que provar constantemente nossas capacidades: profissionais, emocionais, sexuais e todos os outros "ais" que couberem aqui. Chega a ser exaustivo! Não nos damos conta de que estamos apenas tecendo a nossa personalidade e nos envolvendo com aquilo que nem sempre faz parte do que realmente somos ou pretendemos ser. Estamos seguindo uma linha, embora nossa rebeldia juvenil garanta que não!
     Acontece que, em menos de um mês estarei deixando a tão mágica "casa dos vinte". Meus "trintões" já estão quase batendo à porta e sabe o que é mais interessante? O fato de eu estar em uma fase receptiva à eles. Este não é o momento para ter qualquer tipo de crise, ao contrário, parece que as coisas estão ficando cada vez mais esclarecidas, mais palpáveis, mais próximas a mim. Clareza! Algo que tanto busquei! A nova Era que iniciará há pouco tempo, não me assusta mais. Já não sou mais o garoto de onze anos de idade que acreditava que uma pessoa de trinta anos, era na verdade uma pessoa bem, bem mais velha, que já deveria estar estruturada financeiramente, casada, com filhos e feliz. Tenho orgulho de não ter seguido "a receita padrão" imposta pela sociedade, de não ter me tornado parte de uma família modelo não convincente, como estas que estampam as embalagens de margarina do nosso café da manhã do dia a dia.

     Sigo, em liberdade.
     Eu não preciso camuflar como sou, como sinto, como vejo, como penso. Eu simplesmente estou eu e aceito esta condição. Tirando qualquer roupagem, trato a minha nudez com devoção.