segunda-feira, 3 de junho de 2013

"Obrigado consequência, obrigado, obrigado silêncio"

     Retornei para um visita ao Templo Budista Khadro Ling em Três Coroas (RS) com o tempo fechado e chuvoso, tanto fora quanto dentro de mim. Carregando uma certa dose de tristeza por conta de um último acontecimento. Fui a viagem toda ouvindo Beirut, e como sempre com suas músicas, regressando à algumas existências passadas e inclusive no meu passado mais próximo, fonte de algumas reflexões. Mas antes das reflexões: Três Coroas é uma cidadezinha, quase um lugarejo.  Mas o que me atrai sempre para lá (já voltei algumas vezes), não é somente o Templo, é como me sinto dando uma simples caminhada pelas ruas pela manhã. Não sei exatamente explicar, mas o ar lá é outro, meus pulmões renovam-se com o melhor oxigênio. A própria escolha da construção do Templo, naquela localização, embora no alto da montanha (ou morro acima), fora justamente pela ENERGIA concentrada naquele lugar.

       Nas primeiras vezes que fui para lá, passava a noite em uma pousada ao redor da cidade. Hoje, encontrei uma casa simples, de família, na cidade mesmo que também funciona como pousada, onde tem tudo o que eu preciso: uma cama boa para dormir e um café da manhã ao acordar, além do valor bem mais acessível: "Pousada Raio de Sol". Desta vez, um bebê ao quarto ao lado, por volta de três meses de idade, chorou algumas vezes e acabei acordando a noite, o que não foi tão bom. Quando amanheceu o conheci e ao tentar me comunicar com ele, do meu jeito, ele abriu um sorriso tão lindo que o perdoei na mesma hora. Como resistir? Chego sempre aos sábados e volto no Domingo. Fiquei surpreso ao passar em frente a "Panquecaria Liverpool" e ela não estar mais lá. Era a distração para a noite do Sábado, antes da concentração para subir para o Templo. Pedindo informações para um morador da cidade, ele confirma que a Liverpool fechou, mas me indica um lugar para tomar um café chamado "Maria Boneca & Café com Bolacha". Muito grato pela dica: encontrei um lugarzinho cheio de encanto e tive um papo tão bom com os proprietários sobre viagens e afins. Parada obrigatória agora, todas as vezes que eu retornar.


       No Centro Budista, não há estabelecimentos com alimentação, então, ou leva-se "lanches" para passar o dia lá em cima, ou primeiro você almoça na cidade antes de subir. Vai depender do tempo que se deseja passar no Templo. Nestes bons "achados" da cidade, há um lugar chamado "Meu Cantinho, comida caseira".  E detalhe, com a comida feita no fogão a lenha, uma das melhores comidas caseira que já comi na vida. Impossível comer uma vez só e após esta bela refeição, se não tiver carro (meu caso), é só pegar um Táxi e se direcionar ao Centro, onde até o caminho para chegar até  lá é agradável.


      Quando cheguei ao Templo, o tempo já estava ensolarado e calor ( e incrivelmente quando fui embora, havia neblina e frio). Desta vez, fui sozinho. Precisava há muito tempo deste tempo solitário lá, por opção. Por meses esperei por isso. Minha namorada tem sido linda com sua compreensão e coração apoiador, por estar entendendo os meus momentos de solitude, já que sinto mais necessidade de espaço do que alimentar. Usufruir de minha liberdade é algo que me faz bem. No meio do caminho, houve até um convite à uma grande amiga dessa jornada, hoje afastados devido à alguns acontecimentos, o convite era para passarmos este tempo juntos lá, já que talvez pudesse ser um bom momento para conversarmos, avaliarmos a situação e nos entendermos novamente, para seguirmos bem, adiante. Mas cada coisa tem seu tempo e seu lugar, e então os amparos me conduziram "sozinho" até lá. No ano passado, cheguei no Templo em um momento perturbador. O ano de 2012 definitivamente foi um dos piores que eu já havia passado após ter mudado de cidade. Escolhas erradas, problemas familiares, falta de dinheiro, faculdade trancada, deprimido, minha namorada com problemas de saúde, havia "me despedido" de meu pai que faleceu no final de 2011, e inclusive, passei o Dia dos Pais no Templo, como uma forma de estar mais perto, mais conectado. Tudo contribuiu para agravar a minha situação e acabei procurando ajuda de uma Terapeuta para encontrar a saída, sendo que a lembrança mais vivida que tenho do meu ano de 2012, é de minha cabeça encostada no vidro na janela do ônibus enquanto eu chorava durante o caminho de casa, após sair do trabalho. Antes que o ano terminasse, tive ainda uma crise de coluna, diagnosticado com Hérnia de disco (uma estourada e duas por estourar) passei o Natal e Ano Novo em cima da cama, travado,  não podendo caminhar. Em férias, doente, sem poder viajar e logo após as férias, sem poder trabalhar novamente. Minha namorada, como sempre, suportou tudo junto comigo mais esta etapa, até as coisas começarem a melhorar e este outro novo e bom ciclo começar...

        Gosto de fazer estas análises. Elas são importantes para avaliarmos "as voltas que a vida dá", e o que traz esperança é que um ciclo se fecha sempre que outro se inicia. Ninguém passará nosso sofrimento por nós. O que é nosso, vem pra nós, sem que seja necessário o outro torcer contra. Tantas fases ruins, tantos aprendizados. Mas, de tudo, o psicológico e o emocional tendem a estar oscilando mais entre as nuvens e o chão, porém a saúde do corpo, esta caixa que acomoda o nosso espírito, é sempre mais delicada. Há quase seis meses, ainda não me recuperei. Voltei a andar normalmente quase três meses depois e agora faço fisioterapia além de tomar alguns remédios para fugir da dor e principalmente da cirurgia na coluna (por mais simples que possa parecer). Ainda sinto minhas pernas pesadas, não posso andar muito, nem sentar por muito tempo. Não posso carregar peso e nesta volta ao Templo, somente com o pouco peso de minha mochila, já senti minhas pernas doerem. Tenho me cuidado mas é difícil olhar para si tendo limitações. Voltei também para agradecer este processo de cura, apesar de lenta e lembrar do tempo em que eu não tinha doença alguma.

        Na verdade, não vou mais ao Templo para procurar algo. Até porque nos finais de semana, as pessoas visitam muito este lugar, então é impossível "meditar" por lá. Também não sou praticante de meditação (minha ansiedade agora medicada, não permite). Não carrego nenhuma obrigação de estar com a mente preparada, nenhum ritual misterioso para chegar lá. Não vou exatamente para fugir de algo ou para buscar nada. Paz? Descobri agora, até mesmo depois de ir até lá, que a paz está dentro de nós, não importa o quão silencioso ou barulhento seja o lugar. "Não é o que sinto por estar no Templo, é como me sinto depois que visito o Templo". É a Energia que sinto revigorar a partir do outro dia e que potencializa a minha semana toda, até meu mês. É como estou me sentindo agora, em casa, no meu silêncio, tomando o meu chá enquanto escrevo estas palavras após ter estado lá. É por esta sensação. Sabe, o jeito como nos sentimos após um banho no inverno, uma ducha quente?  É este calor afetuoso dentro do coração.


        Outro dia li uma declaração de um homem por volta de seus setenta anos em que ele dizia que quanto mais velho ficava, mais ele percebia que queria ter menos coisas, mais queria se desapegar. Agora, entrei nos meus trinta e tenho a mesma sensação, não quero envelhecer para perceber isso. Acredito que há algum tempo iniciei o meu processo de desprendimento. Ainda caio sim nas armadilhas da sociedade e do capitalismo (a casa própria, a comodidade), mas não me apego, e é aí que está a chave para continuar a minha vida por aqui, neste plano. Aqui, quero ter mais é experiências e estou fascinado por tudo o que tenho vivido. Enriqueço é com  maneira como me sinto após cada uma destas experiências, após cada viagem por exemplo (com ou sem dinheiro), após descobrir o que é novo, após absorver as informações visíveis, audíveis, invisíveis e inaudíveis. Me sinto abençoado com tanto amor que recebo das pessoas próximas a mim. Pessoas que me aceitam tal qual eu sou, que entendem a simplicidade com que vivo meus dias, que me ajudam sem cobranças, que me desejam o bem. Já não entendo mais qualquer tipo de amor que não me ofereça liberdade.


         Exercitar a compaixão é ainda a tarefa mais árdua a que a filosofia budista ensina. Como sentir compaixão pelas pessoas quando elas te agridem, te machucam, te ofendem, te julgam de forma errada ou ainda, desejam o seu mal, torcendo para que sua vida retorne em suas voltas para pior? Em minha caminhada, em minha lenta caminhada pela evolução, admito que posso até sentir doses de compaixão aqui ou ali, mas plenamente é algo que ainda não consegui encontrar. É difícil e requer muito treinamento interior. Intimamente, ainda penso na lei do retorno: o que pensamos/desejamos para o bem retorna à nós tanto quanto o que pensamos/desejamos como mal agouro para outras pessoas. Para amenizar a minha falta de compaixão, exercito a minha bondade e carrego em mim muita aceitação (não ganho nenhuma compensação por conta disso, mas me faz sentir melhor). Eu ainda tento visualizar qual é o fio que separa/junta a raiva do amor. Eu nunca dispenso a minha raiva interior, pois sinto que é ela que faz com que, em todas as relações, as outras pessoas não passem por cima de meus valores, ela faz parte de minha reação. E eu até penso que se nossa raiva for canalizada para uma outra vertente, ela pode ser sim vista de forma positiva. Se sinto raiva por alguma situação que não seja tão importante, produzo mais em meu trabalho por exemplo. Mas se a canalizo de forma errada, isso pode gerar rancor e consequentemente tristeza dentro de mim, o que acaba me anulando. De qualquer forma, se eu negar que sinto raiva, isso afetará cada vez mais o meu processo de entendimento de quem eu sou, de como sinto, do porque sinto. Desta vez, estranhamente, quis agradecer as coisas ruins da vida, das relações: as mágoas, as decepções e principalmente AS CONSEQUÊNCIAS já que após cada explosão em um desentendimento, sabemos exatamente o que cada indivíduo pensa de nós através de seu julgamento. Não fosse pelas consequências do ato deles dizerem, viveríamos na linha das aparências, fingindo compreensão. Nada sai por impulso, o impulso na verdade, apenas libera algo que já estava lá, preso. E pode revelar a nossa imaturidade emocional, sem que isso seja uma regra, obviamente. O que o indivíduo pensa sobre nós ou o que pensamos sobre uma outra pessoa, não significa nenhuma verdade absoluta, até porque verdades absolutas não existem.

       As minhas não resoluções, me levam para um caminho confuso. O jeito ruim como me sinto após qualquer desavença, revela na verdade a luz que existe em mim, como um ser do bem. Tenho receio apenas de partir para a outra camada espiritual e chegando lá, descobrir que tudo aquilo que não resolvi era na verdade muito fácil de ter sido resolvido, menos dramático do que tornei. E que estes ainda são traços antigos que eu deveria ter vindo e mudar, mas que me afastaram novamente desta etapa. Se não tenho a capacidade de resolver um problema no sentido microcósmico em minhas relações, com um amigo, com alguém da minha família, alguém muito próximo, como poderei então não compreender as razões de conflitos maiores  (macros) e a intolerância, as tantas brigas que geram inclusive guerras entre as nações, por exemplo. Esta é uma reflexão que a filosofia budista quer que tenhamos o entendimento pleno. Perceber que  nossas próprias ações são base para ações maiores em todas as nossas relações.


         Se eu pudesse dar um único conselho à todas as pessoas próximas a mim, eu diria para olhar cada vez mais para dentro de si mesmas, para o seu eu interior, para o seu ego (o eu superior), para o seu eu inferior, e com esta coragem libertadora, compreender a transparência do sentir. Olhar para si e entender quem você é, reconhecer quem você é, não quem você mostra ser para os outros: quem você é sozinho com os seus pensamentos, quem só você vê, quem só você conhece sem disfarce na imagem refletida no espelho. Olhar para dentro de si não só para perceber o seu lado bom,  a sua luz, a sua boa energia, aquilo que todos queremos ser e ter, esta é a parte fácil. Olhar para dentro de si e mexer no abismo, olhar para dentro daquilo que é ruim,  que é profano, aquilo que é incômodo, que é egoísmo, olhar para aquilo que você não aceita sentir,  olhar para dentro e perceber que também há escuridão, há uma parte tomada por sentimentos ruins. Durante a vida, é nosso autoconhecimento que permitirá entender que é por tudo aquilo que está dentro de nós que vamos desempenhando diferentes papéis com as pessoas. Isso porque, o que mostramos para algumas não mostramos para outras e por isso temos diferentes níveis de conexões. Oscilamos entre o bem e o mal no julgamento alheio: para alguns somos ótimos irmãos, para outros péssimos colegas de trabalho, para alguns somos os melhores filhos do mundo, para outros os piores amigos do universo. Embora ainda, ao meu ver, este rótulo "bonzinho/mal", aconteça porque na verdade não somos responsáveis por suprir a necessidade do outro e que  este empurra para nós. O que temos é o poder de decidir qual o caminho seguir e desejar que este seja o caminho da melhor verdade.

       Sigo então a minha jornada cada vez mais livre, cada vez mais em desapego, cada vez mais interessado em descobrir o que me faz bem e longe de quem quer que seja que de alguma maneira me faz sentir mal. Carrego em mim erros grandiosos e toda a responsabilidade daquilo que me pertence, das dores que eu já causei à algumas pessoas. Só não carrego mais culpa e não adianta qualquer pessoa tentar causar. Não quero que ninguém mais a qual eu tive qualquer desentendimento, carregue ainda qualquer sentimento desse tipo. Os atritos estão em nossa vida por algum motivo que vamos descobrir somente depois, lá na frente. Tudo é aprendizado. A aceitação e o respeito pelas escolhas de cada um são chaves importantes para manter as boas relações. Obviamente, precisamos de esclarecimentos, entender que cada pessoa tem suas razões e que estas, não cabem a uma só. Sempre que me afastei de alguém é porque tive motivos fortes para tanto (não seria necessário criar outras estórias). Assim como as pessoas que se afastaram de minha vida, tiveram os seus bons motivos. Não há mais pesos para serem carregados, eles foram divididos como deveriam ser. Minha conduta de compreensão, também tem limite de tolerância e o que eu já não aceito mais é que tais pesos passados, sejam apenas colocados nas minhas costas. Sempre há dois (ou até mais) lados em uma situação e apontar o dedo sem conhecimento de cada causa, não ajuda em nada. Percebi também que não adianta querer se explicar o tempo inteiro, há pessoas que simplesmente não entendem, não mudarão o seu pensamento só por nossos argumentos ou compreendem apenas aquilo que convém à elas. Preferem que o outro carregue o fardo todo, querem sair imune, nunca admitem as suas próprias falhas como se apenas o outro fosse o culpado, apenas o outro estivesse errado, apenas o outro fosse o responsável pelas partes ruins. Não entendo mais amores que são cheios de cobranças, a procura deve ser natural. Assumo as minhas escolhas na vida tais como elas estão, prefiro levar a vida assim, me prefiro assim (não pretendo retornar a quem eu era e talvez quem sou hoje já não agrade mais algumas pessoas). Mas se não há aceitação pela parte do outro, há toda a liberdade de se  afastar, seguir o seu caminho, mas me deixar seguir o meu, me deixar seguir em frente (assim como faço).  Há dores que nos machucam, outras que nos modificam (eu, me tornei outro).  Não há rancor nestas palavras, não há raiva, elas querem reencontrar amor, leveza: os esclarecimentos que conduzem ao entendimento. Me sinto triste, muito triste  por não ter conseguido levar adiante relações com pessoas importantes na minha vida. Eu as perdi, elas me perderam, eu reconheço as minhas falhas. Fechei a porta da intimidade dentro de meu mundo interior e ainda sinto medo de abrir, por proteção. Nunca no entanto, fui mal agradecido à estas pessoas de que me afastei. Me sinto grato pelo tempo que passamos juntos, pela vida que vivemos juntos, pela ajuda que elas me ofereceram e pela ajuda (que elas sabem), também ofereci à elas. Amor e amizade, sempre serão trocas, genuínas trocas. Tenho a total compreensão daquilo que fiz e que de alguma maneira magoou estas pessoas, mas sinto também que ofereci uma gama de coisas boas às suas vidas enquanto vivemos juntos. Se for bom para todos, que um dia saibamos encontrar o caminho de volta.  Tenho no entanto ainda, os melhores amigos da vida, que carrego comigo e que me carregam com eles, que estão por perto mesmo longe. Me sinto abençoado por dividirem suas vidas comigo e por compreenderem a minha jornada. Tenho ainda uma família amada, a qual hoje consegui retribuir muito da ajuda e mais ainda do amor de uma vida toda. Tenho ainda um amor que me ama, que me cuida, sem condições. Conheci tantas pessoas lindas em meu caminho... Mas não posso ficar.

      Tantas coisas preciosas neste plano, mas não posso ficar.

    Tenho hoje o profundo entendimento da morte na vida, desta passagem a qual todos estamos tendo aqui. Acredito fielmente em outras existências e compreendo que sou "além daqui". Queria apenas ter uma vida bonita antes de ir para a outra camada. Uma vida que não passasse despercebida, que não fosse em vão, que deixasse alguma história, alguma inspiração. Venho escrevendo há um longo tempo, devaneios de minha jornada interior, quem sabe após minha partida, estes textos façam algum sentido. Minha tristeza, minha melancolia, minha alegria, minhas ajudas, minha bondade, minha raiva, minha escuridão, minha luz, meu amor, minhas palavras...tudo o que fez/faz com que esta minha jornada seja interessante. Me perco em minhas teorias, "sempre soam melhor no papel". Estou me colocando no caminho da prática, tentando encontrar a cura. Sempre que volto do Templo, fico assim: contemplativo de minha própria vida. Estou certo de que a felicidade é uma de minhas maiores procuras já que todas as minhas buscas no final das contas são para que eu mesmo me veja sorrir.
       Citando Thoreau novamente, embora em outro contexto: "Ao invés de amor, de dinheiro e até de fé, me deem verdade", não exatamente assim, mas nunca antes isso fez tanto sentido. Olho para dentro de mim e encontro as minhas verdades, mas quero encontrar todas aquelas que ainda não encontrei e assim vou seguindo a jornada nesta profunda experiência evolutiva que é a vida.
   Sigo só, embora já tenha aprendido que a felicidade só é verdadeira quando compartilhada.
        Enviando pensamentos de amor e luz...

Uma canção para ilustrar todas estas palavras, "Arc", Eddie Vedder, neste mantra que entendo como um ritual de passagem, como um processo de entendimento do espirito ao partir deste plano e chegar na outra camada. No meu tempo, no meu dia, eu quero olhar para trás e me sentir em paz: https://www.youtube.com/watch?v=maVKTZchxiA