sábado, 13 de julho de 2013

Quem carrega a doença?

      Hoje pela manhã entrei no ônibus para ir ao trabalho e sentei ao lado de dois homens "já velhos senhores". Eles falavam baixo - mas em tom audível às pessoas ao redor - questionavam o trabalho "da motorista": mulher. Na verdade, sem rodeios, eles depreciavam a sua capacidade de forma nada gentil. Tirei os fones do ouvido para prestar atenção naquelas falas, confesso. Logo após, eles, sendo "velhos" questionavam o quanto os mais jovens não os respeitavam e quando cediam um lugar numa fila por exemplo, os olhavam de "forma feia". Foi aí que entendi o ponto: pessoas como eles, apenas acreditam no respeito que o outro tem de ter de forma que a sua discriminação ao próximo é considerada aceitável.

     Pessoas como eles, "fechados", fazem parte de uma mesma quantidade minoritária de pessoas que julgam a sua própria condição humana ou financeira ou religiosa ou racial ou sexual como "correta", às vezes  inclusive, se penduram "no nome de Deus" para justificar as suas razões. O que é diferente no outro, chega a ser rotulado como "doença": gays são doentes e "pretos" carregam a própria doença na cor. Nesta batalha de opiniões, confesso novamente, perco. O motivo de minha derrota é justa: minha visão de "doença" é aquilo que eles enxergam no próprio espelho quando se olham e se admiram. Preconceito, racismo, discriminação, intolerância é o que francamente acredito que seja doença. Mas desta forma, devolvo tal julgamento e é aí que me derroto. Não consigo aceitar como alguém que não tem respeito pela condição do outro ousa exigir qualquer tipo de respeito de quem quer que seja.

      Voltando aos "velhos senhores", eles lembravam inversamente o meu pai. Mesmo quando atingiu sua idade mais madura, meu pai era livre de qualquer preconceito. De todos os seus defeitos, este, nunca fez parte de sua vida. Meu pai, meu velho, era grandioso em seus pensamentos, tinha aceitação total da condição do outro. Nunca o ouvi falando a palavra "viado" por exemplo, nunca ouvi falando mal de alguém por conta de sua cor, nunca ouvi ele diminuindo qualquer pessoa por conta da condição humana desta: ele era são! Hoje, com meus trinta anos completados, me vejo cada vez mais parecido com ele e agradeço por ele ter me deixado ser tão livre em meus pensamentos: foi com ele que acredito agora, aprendi a ser um Ser aberto neste sentido. Ô pai! Se todos os velhos tivessem a sua sabedoria, seria o sinal de que a jornada de cada um não teria sido em vão. Saudade daquela fala carregada de aceitação, saudade do ser humano que ele foi. Aos outros "Senhores do Preconceito", medicação urgente.