segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Sobre desejos e vida

     Ciclo quase encerrando e eu sempre divago sobre a  minha última temporada: este foi um tempo inquieto para os meus desejos (de todos os tipos). Alguns sufoquei e deixei trancado porque julguei ser melhor assim, outros deixei acontecer de forma natural porque havia uma necessidade para que assim fosse. Não há como viver sem desejo, ainda que o budismo me ensine que os desejos são a causa maior de nosso sofrimento. Todo desejo gera uma emoção diferente dentro de nós, estas emoções são como válvulas de escape, que ora nos dão prazer, ora nos causam tristeza.Os desejos são na verdade aquilo que nos move e também aquilo que nos destrói. Como se fossem nosso combustível, mas que precisamos ter o controle absoluto para que eles não explodam. Controlar: há um verbo mais difícil de se conjugar? Ao mesmo tempo, é loucura pensar em normalidade quando se está na casa dos trinta anos! Meu espirito precisa "experienciar" constantemente, como se tais experiências fossem uma espécie de "fonte da juventude" que me revigoram e me fazem continuar a seguir em frente. Ainda que em muitos destes experimentos, meus erros estourem mais que os acertos, mas no final das contas, tudo é aprendizado. Pós trinta anos meus instintos ficaram mais aflorados, pós trinta anos minha verdade emergiu de forma mais clara. Sair da casa dos vinte foi decisivo para mim já que enquanto temos vinte e poucos anos, temos uma necessidade estúpida de provar quem somos e o que somos capazes de fazer tanto emocional, psicológico quanto sexualmente. Com o passar do tempo, percebe-se que "provar, ter de" são ações que podem ser excluídas da nossa lista de afazeres, a vida torna-se mais leve. Ainda sobre os desejos, preciso confessar que eles estão para o meu espirito assim como o alimento está para o meu corpo, são eles que me movimentam.


      Nestes tempos, há sempre essa reavaliação da vida, do caminho, da jornada... Estou num momento de ter um cuidado grandioso com as minhas amizades e talvez "AMIZADE" seja a palavra que definiu meu ano. Conhecer novas pessoas e me interessar e me envolver com suas histórias de vida e sentimentos de jornada, é algo que me fascina e me deixa entusiasmado. Estamos em diferentes níveis de evolução e de idade, mas aprendemos e ensinamos em tempo integral, somos professores e alunos, sempre vai depender do momento, estamos conectados de forma que os aprendizados somam pontos em nossa existência. Já as amizades antigas fazem com que o sentimento seja cultivado com muito amor. Ainda estou à procura daquele desejo impresso na experiência de Jack Kerouac descrito em "Na estrada (On the Road)", ainda estou à procura daquela amizade e paixão pela vida entre Sal Paradise e Dean Moriarty, uma amizade que me inspira, mas quando pareço ter encontrado há sempre um obstáculo. Cada coisa há seu tempo, talvez...


      Esta paixão pela vida me impulsiona! De tempos em tempos, de qualquer forma, após vagar por aqui ou por ali, preciso retornar ao meu casulo, à minha casca. Por isso retornar para um encontro com as pessoas que me conhecem desde sempre, para um colo, sempre me faz bem. A contagem para estar em contato com a minha família e também com o meu silêncio logo por estes dias quando retorno para visitar a cidade onde sempre morei, está ansiosa demais. Uma parada após tanto trabalho é sempre necessária para voltar aquilo que chamo de centralidade. Já os desejos caminham junto comigo e não me deixam só. Impossível viver sem eles, impossível viver sem sentir a pulsação da paixão pela vida e pelas pessoas ao seu redor. No final das contas não há vida sem desejo.

     Mais um ciclo encerrado. Muita vida para o próximo! Gratidão...


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Som do ano: https://www.youtube.com/watch?v=pUK6HlzNWEg

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domingo, 2 de novembro de 2014

Sentimentos em liberdade

      Minha religião sempre foi a liberdade! Ainda assim, por muito tempo deixei partes importantes de quem fundamentalmente sou, trancadas dentro de mim. Sou livre, mas de alguma forma, era como se fosse impedido por minhas próprias regras internas de estar aberto a mostrar tais partes. Eu senti - principalmente nos últimos anos - que fui me acostumando com a forma boa como as pessoas ao meu redor me compreendiam, e fui também me acostumando com elogios como "Ser de luz", "Energia de luz", "Pessoa do bem" vindos de pessoas as quais eu estabelecia diferentes níveis de conexões. Não, ainda longe disso, não sou feito apenas de luz, eu também carrego em mim escuridão (a qual inclusive, não pretendo me desfazer porque também sinto que ela é necessária), porém tenho me percebido muito mais aberto do que já me senti durante toda a minha vida e acredito que esta liberdade transparente do sentir esteja contribuindo de forma positiva para a minha jornada. Me sinto ainda mais apaixonado pelas pessoas, pelas experiências e pela vida. Nunca antes senti este desejo incondicional de usufruir  tudo o que eu puder enquanto eu estiver neste plano. Tenho acreditado cada vez mais nas trocas genuínas que a vida me oferece e tenho me sentido gratidão por isso. No momento, esta existência não tem me bastado: eu precisaria de mais, de muito mais tempo. Mas o tempo independe de minha vontade. Então continuo a minha caminhada com meus pensamentos cada vez mais em expansão, absorvendo o que posso quando tenho o entendimento de que tudo é passageiro. Somos do mundo. Liberdade é o que tenho de melhor para oferecer para quem seguir comigo. Aliás, os sentimentos devem estar sempre em liberdade. Isso, eu já aprendi...

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Tristeza passageira

       O Budismo me ensinou que todos os estados emocionais pelos quais passamos é passageiro, seja a felicidade, seja a angústia... Passei as últimas semanas em um estado pleno de boa felicidade, com uma nova perspectiva da vida e com minha energia emergindo de forma positiva. Há dois dias este estado - então passageiro - ficou para trás e a minha negação as coisas que sinto voltaram junto com  a ideia de que preciso me manter afastado. Absolutamente, esta minha "entorpecência" nas relações me leva sempre a um caminho de solidão. Me sinto inadequado em meu corpo.
       ...
       Esperando este estado, também passar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sintonia

     Estou no caminho do entendimento das relações, sejam elas de qualquer tipo: familiares, amorosas, relações de amizades, paixões... Começo agora a compreender o tempo necessário que passamos com as pessoas deste nosso grupo: é o tempo de evolução para ambos os lados. Enquanto estamos no processo de evolução em conjunto, nos mantemos ao lado de nossas companhias, porém, após este processo temos a necessidade inconsciente de procurar um novo abrigo, novas energias. Nossas relações são trocas, genuínas trocas de energia. E são nossas energias que na verdade, nos conduzem em nossa estrada. Importante claro, entender que a evolução em conjunto está beneficiando a evolução individual de cada ser, já que nosso propósito neste plano é individual. Talvez por conta disso, vamos tendo uma relação cada vez mais sólida com algumas pessoas ao longo de nossa vida e vamos rompendo com outras. Estamos em diferentes camadas de consciência e evolução: há um difícil equilíbrio a ser mantido. Se olharmos para dentro, saberemos com quais destas companhias nosso grau de conexão é mais forte e por usufruirmos de algo chamado sintonia, vamos tendo diferentes conexões durante a nossa jornada. Todas estas relações, absolutamente todas elas tem suma importância para o desenvolvimento de nossa clareza como seres.
    É com esta clareza que escrevo agora: lúcido. Minha consciência está neste momento em um "estado de lucidez". As nossas relações são seguramente a fonte principal que alimentam nossos passos lentos para a evolução. Embora eu também aceite a nossa solitude como tempo necessário para o que chamo de "organização espiritual". Nosso desprendimento e desapego também fazem parte da etapa evolutiva. Tudo tem um tempo de duração, nada permanece. Cabe a nós perceber este movimento. O que não cabe mais a nós é sentir culpa por conta de todos estes processos: somos livres, viemos livres e voltaremos sós.  Entretanto, eu acredito nas conexões espirituais com determinadas pessoas que a vida me apresenta e me sinto apaixonado por viver quando isso acontece. É desta forma que a partir de agora seguirei, observando melhor a minha sintonia com as pessoas que convivo, tentando aceitar o afastamento natural com algumas delas e sempre me interessando por aquelas que tem chegado em minha vida: eu sempre sinto a luz. Talvez este seja o melhor tempo para  dividir a minha jornada, a qual julgo sempre solitária, com estas outras pessoas. Eu sempre serei um observador e profundo admirador de outras histórias. A verdade e a liberdade do sentir, me fascina. Este é o caminho...este é o caminho.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Estar vivo

       A morte de alguém próximo sempre me indaga a devaneios. Morte é uma palavra pesada, prefiro usar uma terminologia da conscienciologia que trata a morte como uma "dessoma" (soma = corpo, dessoma = o espírito (a consciência) se desligando do corpo físico). Sim, eu acredito que a minha consciência continuará a existir mesmo após a minha dessoma. Desta vez, eu havia pensado em escrever este meu devaneio de uma forma mais humana do que espiritual, mas não consigo. Não consigo porque tudo está conectado de uma forma tão profunda que seria impossível separar os fatos. Eu já tenho uma compreensão melhor da dessoma. Compreender mais, não significa estar preparado para tal. Aceito mas fico submerso em medos.  Tenho medo de partir sem ter completado a minha evolução, medo de partir sem ter usufruido de toda a potencialidade que meu espirito poderia usufruir, medo de não ter seguido alguns desejos há tempos  trancados em mim, medo de ter dramatizado demais quando tudo na verdade poderá ser ainda mais simples do que se pode imaginar.

     Mas nossa partida não deixará jamais de ser triste.  A energia de quem está indo nos fará falta, a nossa energia fará falta para quem fica. Nossas existências são chances que nos são cedidas e nós, caminhamos a passos tão lentos que retornamos diversas vezes para tentarmos fechar os ciclos. Quando eu era mais novo, por volta dos meus dezesseis/dezessete anos, estupidamente pensava que viver por sessenta anos neste universo já estaria de bom tamanho. Errei duas vezes: primeiro porque não sou digno de escolher o meu tempo, segundo porque o tempo é fundamental para esta nossa jornada. Hoje, preciso de mais, de muito mais, eu preciso do tempo suficiente para que a minha caminhada esteja completa. Me perco, mais do que me encontro. Mas estar em sintonia com minhas verdades interiores me dá ânimo para seguir adiante.

     Estou em uma linda fase da vida: a fase da compreensão das coisas. Penso que estamos todos em uma jornada solitária e linda, e já escrevi esta mesma frase tempos atrás. Solitária porque mesmo que estejamos em conexão com outras consciências, a evolução é individual. Linda, porque estas mesmas consciências (pessoas) que vamos encontrando em nossa vida, tornam esta experiência mais rica, porque acabamos sentindo paixão e amor pela maioria delas com intensidades diferentes. Sinto ser privelegiado em estar aproveitando a minha existência. Não quero partir sem antes ter sugado o melhor que há em mim mesmo. Espero ainda que a minha maturidade não engula a minha juventude antes de chegar ao final.

    Tempo de olhar para a vida e agradecer estar vivo.

   

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Fotografia+liberdade+estrada+erotismo: impossível não seguir viagem!

     Théo Gosselin é o nome dele: um jovem fotógrafo/artista francês que fez com que eu me prendesse de maneira viciante no seu trabalho. Isso tudo porque, inspirado pelo livro/fime "On the road" ele pegou a estrada com alguns amigos e saiu fotografando o cotidiano deles de uma maneira bem intimista, aura folk e com uma estética que tanto aprecio. "On the road" por si só, já é um vício para mim, mas nos registros de Gosselin ainda consigo perceber mais duas inspirações intrínsecas que me agradam por inteiro: "Into the wild" (a história mais inspiradora na minha vida) e "The Dreamers" com seu erotismo voyeur na medida certa, também um de meus filmes favoritos.
As fotografias de Gosselin, são na verdade uma ode à liberdade, de todo o tipo. As pessoas estão inteiramente vulneráveis à sua lente, a paisagem complementa o sentido, a fotografia exprime o espírito livre.
 
Théo Gosselin portanto, se torna mais uma inspiração em minha jornada. Admiro todo ser que ama a liberdade tanto quanto amo. Eu bem poderia pegar carona para fazer parte deste trabalho. Sinto desejo de estrada. Aliás, a estrada vive em mim.
 
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Sinta-se à vontade para viajar com Gosselin:
 


 
 







 
 
 

domingo, 6 de julho de 2014

Por uma vida mais rural

     Quando eu era menor e ainda morava com meus pais, nossa casa ficava próxima ao mato. O mato, na verdade, ficava atrás de casa. Neste mato, passei parte de minha infância e pré adolescência e as lembranças deste tempo são muitas. De uma certa forma, aquele mato era um pouco mágico para mim: consigo hoje, compreender os porquês. Era de lá que conseguíamos lenha para manter o fogão aceso e minha mãe cozinhar a nossa alimentação, por exemplo, tempo em que não tínhamos fogão a gás. Era de lá também, que colhíamos frutas como laranjas e bergamotas em "taperas" espalhadas por alguns pontos e era pra lá que eu "fugia" sempre que queria ficar só (a solitude opcional me acompanha desde que tenho entendimento de vida). Andar pelo mato me ajudava - ainda que na época, eu não tinha exatamente a noção disso - a manter um certo equilíbrio mental. Recordo de passagens pessoalmente tristes, com minhas desilusões juvenis, onde fazer tal caminhada servia para que eu conseguisse aliviar os meus pensamentos. Passado a adolescência, pouca importância dei àquele mato e logo mudei para uma cidade maior onde o concreto tomava o lugar das árvores. Mas, passado mais algum tempo, estava eu de volta às minhas raízes.
    Após nos tornarmos "adultos",  principalmente quando embarcamos em uma jornada interior carregada de buscas, vamos entendendo quem realmente somos e compreendendo a nossa verdadeira essência. Vem deste pensamento, esta ligação que, de alguns bons anos pra cá, percebi ter com o mato, com a Natureza, com esta energia. Quando mais jovem, talvez eu não estivesse preparado para entender qual era a dimensão espiritual deste contato. Mais ainda: qual é a dimensão espiritual de seguir uma jornada mais próxima de sua verdadeira essência.
    Explico: algumas pessoas mais próximas (e escolhidas por mim), são "sabedoras" de meus devaneios, questionamentos e períodos internos difíceis. Tenho vivido há algum tempo imerso em minha procura constante de alívio. O tipo de vida da "Cidade Grande" teve um impacto destruidor em minha saúde mental, por sorte, não me perdi. Sofro de ansiedade constante por conta disso. Quer dizer, muito por conta disso, também por outras razões, mas o fato é que o estilo de vida que eu desejava aos vinte e poucos anos, já não me agrada mais. Não quero mais tomar remédio, quero tomar ar. O que tem importância na "Cidade Grande" é distante demais de meus desejos. Volto a essência das coisas: pretendo levar uma vida mais rural, mais natural, próximo ao mato, próximo a quem sou. Olhar para dentro e perguntar diversas vezes "o que faz com que eu me sinta tão mal mesmo quando aparentemente tudo na vida se encaminha bem?" e dentre algumas respostas entender que o tipo de vida que levo precisa ser modificado enquanto há tempo, me fez querer mudar a rota.
    Em tempo que ainda não estipulei (não muito longe), estarei deixando o apartamento onde moro, dentro da cidade, próximo ao barulho de uma perimetral. Na verdade, estarei fazendo uma troca. Quero uma casa no interior, onde eu possa ter sossego, possa colocar os pés na terra, na grama, ter uma pequena horta, usar os temperos para fazer comida como se fosse espécie de terapia e me estabelecer numa vida mais saudável. Ter animais, colher fruta do pé, coisas tão simples que eu já tinha antes e que agora tem valor imensurável pra mim. Morar em um lugar que seja um pouco mais afastado da cidade porém, sem me desintegrar dela. É deste equilíbrio que necessito, porque ainda preciso muito da vida urbana embora meu espirito queira a aquietação que o vento do campo proporciona.
    Que mais se pode fazer a não ser ir mudando os caminhos?
    Quando a vida não muda, mudamos nós.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Loucura real

      Um certo filósofo - leia-se Sr. Nietzsche - disse certa vez que  "a arte existe para que a nossa verdade não nos destrua". Em minha insanidade, a loucura da arte me livra da loucura do comum.  A loucura comum está presa no que é humano. A loucura comum, enlouquece-se de coisas banais. A loucura comum, se alimenta de falta: falta de dinheiro, falta de amor recíproco, falta de quem já morreu, falta de dinheiro, falta de realizações, falta de sonhos, falta de dinheiro, falta de acertos, falta de oportunidades, falta de dinheiro. Estou repetindo muito dinheiro? O dinheiro, a meu ver, é o maior causador da loucura humana em sua ânsia desenfreada de preencher suas lacunas, tão estúpidas, tão vazias, com distração. O mal do século não é a depressão, é o dinheiro. O dinheiro, nos desvia de nosso foco, nos tira a atenção. Quando o temos, conseguimos sentir a tal felicidade momentânea, não exatamente por tudo o que conseguimos fazer através dele, mas pela segurança financeira, a qual nos faz andar sem balançar na linha. Quando não o temos, a preocupação nos consome de tal forma que nos tira o sono, porque precisamos dele para continuar no nosso modo de sobrevivência, no nosso casulo criado. Queremos estar seguros, estar no controle, sempre esquecendo que é quando saímos de nossa zona de conforto que realmente passamos de fase no jogo da vida.

      Tenho vivido em minha própria mentira interna há um bom tempo. Mentira, porque tenho meu discurso pronto na ponta da língua para falar e/ou escrever textos onde tento inspirar quem lê (os poucos), mesmo que através de meus devaneios, a ir pelo caminho de vida simples, de entendimento de sua jornada espiritual porém fico transtornado emocionalmente e psicologicamente  se o dinheiro me falta. O medo me deprime. Como posso ser então um anti-sociedade do "ter de - adquirir"? Como posso ser contra o sistema capitalista? Antes de me julgar porém, lembre-se de qual farsa carrega dentro de si. Para tanto hoje, pós terapia, pós consulta psiquiátrica, pós períodos de isolamento internos devastadores, tenho minha ansiedade remediada - dobrada. Enquanto eu viver dentro deste sistema onde eu mesmo me inclui, eu sofrerei de ansiedade eternamente e isso me violentará como Ser. Porque a vida tem sido cara demais para os propósitos que sinto estarem escorregando de meus dedos. Então trabalho, trabalho, trabalho esperando retorno.

      Volto a arte. Ontem fui a um encontro onde muito se falou da arte e suas possibilidades. Entendo o que Nietzsche quis dizer sobre a arte e o confronto com nossa realidade, e, acredito que a arte em minha vida, seja realmente um fuga. Arte em suas diversas vertentes, eu preciso desta loucura, loucura de gente criativamente doida, assim eu consigo me reencontrar em essência. Eu preciso ver cores, eu preciso ouvir música, eu preciso assistir a películas, porque também me encontro naquilo que não é meu, mas parece ser. Em silêncio, eu também consigo reencontrar a minha essência anterior a me tornar quem sou hoje, porém logo tenho de retornar para o modo de vida que escolhi ter. Eis o preço que terei de pagar.

     Assumo agora a minha maior hipocrisia. Talvez esteja eu, entre os grandes.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Meu Ser Inferior

     Há um Ser fechado que habita em mim.
     
    Eu compreendo a minha luz, as minhas buscas, o meu processo espiritual evolutivo (a passos severamente lentos), mas me deparo sempre com o meu eu fechado. Tenho defeitos múltiplos. Tenho pecados - múltiplos. Tenho pecado. Vez por outra me sinto ainda primitivo: é importante desconstruirmos nossa imagem, cortar a casca, tirar as lascas e chegar ao âmago. Por quem além de nós mesmos nossa imagem é talhada para o olhar do outro?

    Quando me deparo em conversa com o meu próprio espírito, me sinto inferior, principalmente quando tento compreender os porquês de carregá-lo em meu corpo e não consigo chegar em respostas melhores do que obviedades. Embora aqui, não seja o caso de  estarmos separados nem em desconexão e sim de às vezes nos perdermos um do outro. Absolutamente sempre que encaminho a minha jornada por algo que seja atraído pelo o que é humano e material, eu retorno ao meu interior para relacionar se isto também faz parte de meu aprendizado espiritual ou apenas indica que desviei a rota de meus propósitos me adequando- além do que me é permitido - ao que é Terreno. Talvez seja apenas devaneio.

    Ontem a tarde, me acolhi em meu canto espiritual Zen, como sempre faço, em meu pequeno ritual de abertura de energia e luz, e entrei em um profundo silêncio. Há barulho demais em minha cabeça e preciso evocar o silêncio. Ainda não consigo me desligar dos rituais: da minha vela acesa, dos incensos de ervas, meus Budas, daquele filtro dos sonhos, sementes indígenas, das plantas, do verde... Quando chego nesta parte da casa construída para minhas reflexões, consigo me conectar melhor com os meus amparadores e acredito que meus amparos estão sendo muito generosos comigo, pois de alguma forma me ajudam a impedir que meus próprios pensamentos me agridam. Eles surgem no momento em que o meu Ser Inferior Fechado emerge, e o trabalho é constante e árduo procurando mudanças. Eu sou luz e escuridão. Eu estou sempre numa estrada chamada "busca". Na simplicidade das coisas é que encontro sentido de vida e é na vibração daquilo que somos diante da natureza que compreendo a minha energia.

     Pensamento deste dia: quem é o meu espírito? Quem carrego eu?



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Suposto ex-viciado em paixão

     O título acima é a tradução livre para o nome de um de meus álbuns favoritos: o disco Supposed Former Infatuation Junkie (1998), da cantora Alanis Morissette. Porém, não traz nenhuma outra referência ao que escrevo a não ser a ideia das causas da paixão em nosso estado emocional. Aqui neste caso, tratado como a paixão em relacionamentos "amorosos" entre duas ou mais pessoas. Posso dizer que, duas ou três vezes o sentimento da paixão aconteceu comigo, (uma destas de forma devastadora). Com o passar dos anos e, depois de estar vivendo com a pessoa que escolhi estar há quase dez, percebo o quanto a paixão  alterava a minha percepção sobre as pessoas as quais eu me envolvia. A realidade era encoberta por meu próprio comportamento ingênuo e sentimental.
    A paixão faz com que negamos a nós mesmos em uma espécie de devoção e adoração ao outro. É como se prestássemos um tributo a este em tempo integral. A paixão denota uma importância desesperada à outra pessoa e uma beleza descabida, absolutamente. E este sentimento vicia. Vicia e nos torna profundamente dependentes. Porque em certos casos, tentamos romper com esta ilusão - sim, porque hoje, considero que a paixão seja uma ilusão - mas enxergar aquela pessoa em frente aos nossos olhos é sentir a adrenalina aumentar consideravelmente. E nós procuramos por esta sensação. É uma etapa pateticamente doentia, mas queremos sentir a pulsação acelerada. Erroneamente pensamos que estamos sentindo vida, mas aqui, estamos nos condenando à uma sentença dramática: a sermos objetos.
     Hoje em dia, quando encontro ou simplesmente vejo alguém pelo qual nutri este tipo de sentimento, principalmente com a pessoa pela qual caí no abismo doentio de sentimento platônico (nunca tocado), me dou conta do quanto eu era completamente esmagado pela minha própria falta de atenção e amor próprio. Consigo perceber que o pedestal em que as colocava, agora, fica na mesma altura de meus olhos, por ter os meus pés no chão. A paixão, gerou dores perfurantes em mim e ao invés de me aproximar, me distanciava de quem eu tanto "queria ter" e de mim mesmo. Sinto que na verdade eu era excluído pela minha própria falta de habilidade emocional e baixa autoestima.

    Como já escrevi há pouco tempo atrás, hoje relembro das paixões não resolvidas, dos "nãos", do pensamento direcionado da outra pessoa à mim (o qual eu entendia como: eu não fazia parte do seu grupo, não fazia o seu tipo), relembro de algumas situações passadas e consigo compreender o que antes parecia  apenas derrota: compreendo o "não", entendo a esnobação, aceito o meu lugar - absolutamente eu não era uma pessoa interessante para se estar.

    Mas o tempo, este "Senhor" que ora atrapalha ora ajuda, vai lapidando em nós os fragmentos que não nos cabem mais: me sinto polido agora, eu entendo o brilho, o meu lado ensolarado. Eu apenas considero que existem algumas recordações que podem (e devem) seguir com nós durante nossas vidas não para nos machucarmos, mas para nos servir. Todas as pessoas pelas quais me envolvi ou pelas quais senti paixão, todas estas pessoas tem importância no molde que fui dando à minha personalidade.

    Curado.
    ...

sábado, 8 de março de 2014

Gastrite

Tua gastrite vem da bactéria invisível que habita a tua incapacidade
de deixar para trás partes da tua vida que já não fazem sentido.

Tal bactéria paira na inércia da tua falta de coragem.

O que queima em teu estômago são fagulhas de inquietações.
O que queima em teu estômago são desejos presos.
O que queima em teu estômago é um calo criado por tua mania de continuar a fazer
coisas das quais sente náuseas.

Tua gastrite vem de um fungo invisível que habita a tua ausência
em estar em partes da vida que deseja.

Tal fungo se alimenta de tristeza.
[abismo]

O que queima em teu estômago é o remédio que usa para poder ter sono.
O que queima em teu estômago é a sobrecarga em teu trabalho [quanto tempo mais?].
O que queima em teu estômago é o fogo daquilo que não disse.

Tua gastrite se alojou no cérebro.
[sem voz]

O que queima em teu estômago são imagens não vividas.
O que queima em teu estômago é o rumo que o consumo da vida tomou.
O que queima em teu estômago é a semente que nasce daquilo que
deixa de fazer [por pensar nos outros].

O que queima em teu estômago é aquilo que está sentindo falta.

Teus pensamentos te perfuram.
Tua gastrite inexiste.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Crescido

     Definitivamente eu não soube como lidar com a chegada da vida adulta. Aqui, poderia dizer "ponto final", mas preciso discorrer sobre o tema. Meu total e angustiante despreparo fora camuflado com a responsabilidade que carrego desde a adolescência, porém tal responsabilidade não foi suficiente para enfrentar este mundo de gigantes sendo eu tão menor. A famosa maturidade, tão enaltecida por tantos, chegou em torno de pouco mais de quatro anos atrás, quando resolvi mudar para a cidade onde vivo hoje. Foi aqui que, sem me dar conta, fui adentrando a este mundo e esmagando o meu verdadeiro eu.
     A vida adulta, a qual eu não estava preparado para enfrentar, costura hoje no meu dia a dia uma colcha de retalhos nada atraente, em tons cinza que se mostram em um desinteressante degrade. Eu previa tantas cores. Sendo uma pessoa pacífica, eu esqueci de aprender quais armas eu teria de utilizar para esta tão árdua batalha e trouxe apenas a minha mochila. Neste espaço de tempo, me perdi. Minha fajuta bandeira da juventude ficou presa em alguma parte do labirinto e os círculos quadrados nos quais caminho em repetição estão me deixando cada vez mais longe dela. Não consigo voltar.
     Nesta cidade onde me tornei adulto, me estabeleci. A tal responsabilidade que mencionei anteriormente, me permite analisar que todo este despreparo fora apenas culpa minha. Eu assumo. Todos as outras pessoas as quais conheço souberam facilmente a lidar com suas vidas adultas. Eu não soube. Fato este, exemplificado por todos os sintomas psicológicos e disfunções no organismo que senti em decorrer deste tipo de vida no qual cai. Os tipos de prioridades me deixam devastado. Reflito diariamente sobre o meu planejamento interior e acordo com o brilho da tela em minha frente sobre a mesa em meu trabalho. Não era esta a luz que tanto desejava.
     No emaranhado de relações humanas que vou tendo, tento preservar a minha sensatez. Principalmente quando estou dentro de um jogo em que todos querem ganhar e usufruir de alguma forma de nossos erros. Por sobrevivência os lobos estão cada vez mais famintos e a rede de interesses esta cada vez maior e desprovida de verdade. Cuido para não corromper a minha essência. Ainda assim, erro absurdamente mais vezes do que quando era mais jovem e erros adultos, fazem sofrer tão mais.
    Estou me sentindo inadequado em frente ao espelho, dentro deste corpo, desta jornada, com estas pessoas. Voltei a sentir dores. Retomei meu pensamento febril de ter outro modo de vida. A fuga nunca pareceu tão próxima.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Ele


Vez por outra ele precisava de sua solitude.
...
Vez por outra precisava ter muitas relações sociais.
...
De vez em quando, necessitava voltar a falar suas frases no singular.
...
De tanto falar "nós", ele tinha medo de perder-se de si mesmo.
...
Ele poderia surtar por não poder mais ter espaço para ser apenas ele.
...
Ele tinha o cuidado de tentar não magoar o outro, por conta de seus desejos.
...
Ele já havia perdido a esperança  sobre o entendimento pleno do outro sobre o seu jeito de ser.
...
De vez em quando, ensaiava viagens solitárias sem sucesso.
...
Seus desejos eram na verdade tão simples, sua mente complicava tudo.
...
A vontade de estar sozinho mais vezes do que de costume, estava ali na verdade para salvar as suas relações.
...
Antes que ele desistisse.
...
Antes que o sentido se perdesse.
...
Tempo solitário e tempo em conexão equivalia a felicidade.
...
Na maioria das vezes, enquanto estava em seu trabalho, ele pensava que sua vida poderia ser outra.
...
Vez por outra se deixava sonhar. Não muito.
...
Todo o tempo, pensava em liberdade.
...
Ou teria mais liberdade ou abandonaria a si mesmo.
...
Ou abandonaria a si mesmo.
...
Todo o tempo, ele pensava em liberdade.
...
Todo o tempo, ele pensava.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Status Libertatis (II)

     Ando interessado pela possibilidade de explorar mais da vida. Trago comigo uma vontade romantizada e constante de liberdade e solitude ao mesmo tempo em que sinto paixão em conhecer as pessoas, suas idiossincrasias e o quão tais individualidades podem influenciar os meus pensamentos e ações como o observador que sou. Sinto desejo de ver a alquimia mística de seus rostos e suas distintas formas de encarar esta vida. Sinto proximidade com meu espírito quanto estou perto de outros espíritos viajantes e inquietos tal quão emergisse de meu interior uma explosão de cores e luzes cheirando a flores.
     Não escrevo este texto sob o efeito de erva! Não hoje. Estou disposto a me permitir mergulhar mais neste processo de conectividade com diferentes energias: a substância necessária. Tenho anseio de uma vida simples porém com todas as experimentações necessárias para a abertura de minhas visões, sejam elas vistas como alucinações transitórias ou não. A doença paira na normalidade.
     Ando interessado naquilo que me transporta para diferentes lugares, inclusive dentro de mim. Sejam desejos ou medos. Não se permitir nesta viagem é destruir a possibilidade de evolução e cair em alienação. A troca de material não palpável com pessoas será parte fundamental desta nova etapa externa. Eu quero adentrar à um mundo no qual apenas aprecio teoricamente. A ideia  é  interagir mais com pessoas, sejam mais jovens ou mais sábias, interessar-se por suas experiências e dividir as minhas, para manter a mente como se fossem olhos sempre abertos.
    Eu tenho curiosidade sobre os caminhos que me levarão até onde devo ir. Pedindo carona...
   

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Desencontro

     Quando tento caminhar em direção ao meu eu antigo há uma espécie de desvio de rota: não consigo mais olhar de frente para aquele outro, ele não consegue mais me fitar os olhos. As ruas se dividem em uma bifurcação, nos vemos mas passamos lado a lado em desencontro.

     Há um fio que amarra ambos, mas não os aproxima, não os une. São dois agora tamanha diferença.

    Quando tento avistar o meu eu antigo, aqui do alto desta montanha, tal qual um homem que observa um pássaro que sobrevoa o raso, o vejo então entre nuvens. Meu eu antigo era nublado. Ele era incapaz de se ver no futuro, ele enfrentava medos internos que pareciam nunca desaparecer. O tal "querer",  a vontade de mudar de lugar, não era acompanhado de qualquer ação.

   Há um sentimento que amarra ambos - e até os aproxima - só não os une. As peças não mais se encaixam.

    Quando tento estender a mão para o meu eu antigo, não o alcanço. Ele não aceita ajuda e é incapaz de controlar o seu orgulho. Ele ainda é aquele: está lá sentado, em sua tão grande pedra, olhando a cidade imerso em sua vida pequena. Ele jamais imaginou que se tornaria eu.

    Que linda distância é esta?




domingo, 12 de janeiro de 2014

Energia e Liberdade

     As palavras do título acima são duas companhias que, há algum tempo, caminham comigo em minha jornada. Indispensáveis para este novo ciclo que se inicia, é com elas que continuo adiante. Nenhum outro registro é melhor do que a fotografia abaixo para indicar meu estado de espírito neste momento. Os bons ventos sentidos neste dia serão meus guias. Quero saber absorver tudo o que vier de positivo e saber lidar com tudo o que vier de negativo: compreendo que ambos chegarão até mim. Pós trinta anos, me sinto mais preparado para encarar a vida. Desta vez, sem planos. Longa estrada.