sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Desencontro

     Quando tento caminhar em direção ao meu eu antigo há uma espécie de desvio de rota: não consigo mais olhar de frente para aquele outro, ele não consegue mais me fitar os olhos. As ruas se dividem em uma bifurcação, nos vemos mas passamos lado a lado em desencontro.

     Há um fio que amarra ambos, mas não os aproxima, não os une. São dois agora tamanha diferença.

    Quando tento avistar o meu eu antigo, aqui do alto desta montanha, tal qual um homem que observa um pássaro que sobrevoa o raso, o vejo então entre nuvens. Meu eu antigo era nublado. Ele era incapaz de se ver no futuro, ele enfrentava medos internos que pareciam nunca desaparecer. O tal "querer",  a vontade de mudar de lugar, não era acompanhado de qualquer ação.

   Há um sentimento que amarra ambos - e até os aproxima - só não os une. As peças não mais se encaixam.

    Quando tento estender a mão para o meu eu antigo, não o alcanço. Ele não aceita ajuda e é incapaz de controlar o seu orgulho. Ele ainda é aquele: está lá sentado, em sua tão grande pedra, olhando a cidade imerso em sua vida pequena. Ele jamais imaginou que se tornaria eu.

    Que linda distância é esta?




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