sexta-feira, 18 de abril de 2014

Suposto ex-viciado em paixão

     O título acima é a tradução livre para o nome de um de meus álbuns favoritos: o disco Supposed Former Infatuation Junkie (1998), da cantora Alanis Morissette. Porém, não traz nenhuma outra referência ao que escrevo a não ser a ideia das causas da paixão em nosso estado emocional. Aqui neste caso, tratado como a paixão em relacionamentos "amorosos" entre duas ou mais pessoas. Posso dizer que, duas ou três vezes o sentimento da paixão aconteceu comigo, (uma destas de forma devastadora). Com o passar dos anos e, depois de estar vivendo com a pessoa que escolhi estar há quase dez, percebo o quanto a paixão  alterava a minha percepção sobre as pessoas as quais eu me envolvia. A realidade era encoberta por meu próprio comportamento ingênuo e sentimental.
    A paixão faz com que negamos a nós mesmos em uma espécie de devoção e adoração ao outro. É como se prestássemos um tributo a este em tempo integral. A paixão denota uma importância desesperada à outra pessoa e uma beleza descabida, absolutamente. E este sentimento vicia. Vicia e nos torna profundamente dependentes. Porque em certos casos, tentamos romper com esta ilusão - sim, porque hoje, considero que a paixão seja uma ilusão - mas enxergar aquela pessoa em frente aos nossos olhos é sentir a adrenalina aumentar consideravelmente. E nós procuramos por esta sensação. É uma etapa pateticamente doentia, mas queremos sentir a pulsação acelerada. Erroneamente pensamos que estamos sentindo vida, mas aqui, estamos nos condenando à uma sentença dramática: a sermos objetos.
     Hoje em dia, quando encontro ou simplesmente vejo alguém pelo qual nutri este tipo de sentimento, principalmente com a pessoa pela qual caí no abismo doentio de sentimento platônico (nunca tocado), me dou conta do quanto eu era completamente esmagado pela minha própria falta de atenção e amor próprio. Consigo perceber que o pedestal em que as colocava, agora, fica na mesma altura de meus olhos, por ter os meus pés no chão. A paixão, gerou dores perfurantes em mim e ao invés de me aproximar, me distanciava de quem eu tanto "queria ter" e de mim mesmo. Sinto que na verdade eu era excluído pela minha própria falta de habilidade emocional e baixa autoestima.

    Como já escrevi há pouco tempo atrás, hoje relembro das paixões não resolvidas, dos "nãos", do pensamento direcionado da outra pessoa à mim (o qual eu entendia como: eu não fazia parte do seu grupo, não fazia o seu tipo), relembro de algumas situações passadas e consigo compreender o que antes parecia  apenas derrota: compreendo o "não", entendo a esnobação, aceito o meu lugar - absolutamente eu não era uma pessoa interessante para se estar.

    Mas o tempo, este "Senhor" que ora atrapalha ora ajuda, vai lapidando em nós os fragmentos que não nos cabem mais: me sinto polido agora, eu entendo o brilho, o meu lado ensolarado. Eu apenas considero que existem algumas recordações que podem (e devem) seguir com nós durante nossas vidas não para nos machucarmos, mas para nos servir. Todas as pessoas pelas quais me envolvi ou pelas quais senti paixão, todas estas pessoas tem importância no molde que fui dando à minha personalidade.

    Curado.
    ...

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