quarta-feira, 11 de junho de 2014

Loucura real

      Um certo filósofo - leia-se Sr. Nietzsche - disse certa vez que  "a arte existe para que a nossa verdade não nos destrua". Em minha insanidade, a loucura da arte me livra da loucura do comum.  A loucura comum está presa no que é humano. A loucura comum, enlouquece-se de coisas banais. A loucura comum, se alimenta de falta: falta de dinheiro, falta de amor recíproco, falta de quem já morreu, falta de dinheiro, falta de realizações, falta de sonhos, falta de dinheiro, falta de acertos, falta de oportunidades, falta de dinheiro. Estou repetindo muito dinheiro? O dinheiro, a meu ver, é o maior causador da loucura humana em sua ânsia desenfreada de preencher suas lacunas, tão estúpidas, tão vazias, com distração. O mal do século não é a depressão, é o dinheiro. O dinheiro, nos desvia de nosso foco, nos tira a atenção. Quando o temos, conseguimos sentir a tal felicidade momentânea, não exatamente por tudo o que conseguimos fazer através dele, mas pela segurança financeira, a qual nos faz andar sem balançar na linha. Quando não o temos, a preocupação nos consome de tal forma que nos tira o sono, porque precisamos dele para continuar no nosso modo de sobrevivência, no nosso casulo criado. Queremos estar seguros, estar no controle, sempre esquecendo que é quando saímos de nossa zona de conforto que realmente passamos de fase no jogo da vida.

      Tenho vivido em minha própria mentira interna há um bom tempo. Mentira, porque tenho meu discurso pronto na ponta da língua para falar e/ou escrever textos onde tento inspirar quem lê (os poucos), mesmo que através de meus devaneios, a ir pelo caminho de vida simples, de entendimento de sua jornada espiritual porém fico transtornado emocionalmente e psicologicamente  se o dinheiro me falta. O medo me deprime. Como posso ser então um anti-sociedade do "ter de - adquirir"? Como posso ser contra o sistema capitalista? Antes de me julgar porém, lembre-se de qual farsa carrega dentro de si. Para tanto hoje, pós terapia, pós consulta psiquiátrica, pós períodos de isolamento internos devastadores, tenho minha ansiedade remediada - dobrada. Enquanto eu viver dentro deste sistema onde eu mesmo me inclui, eu sofrerei de ansiedade eternamente e isso me violentará como Ser. Porque a vida tem sido cara demais para os propósitos que sinto estarem escorregando de meus dedos. Então trabalho, trabalho, trabalho esperando retorno.

      Volto a arte. Ontem fui a um encontro onde muito se falou da arte e suas possibilidades. Entendo o que Nietzsche quis dizer sobre a arte e o confronto com nossa realidade, e, acredito que a arte em minha vida, seja realmente um fuga. Arte em suas diversas vertentes, eu preciso desta loucura, loucura de gente criativamente doida, assim eu consigo me reencontrar em essência. Eu preciso ver cores, eu preciso ouvir música, eu preciso assistir a películas, porque também me encontro naquilo que não é meu, mas parece ser. Em silêncio, eu também consigo reencontrar a minha essência anterior a me tornar quem sou hoje, porém logo tenho de retornar para o modo de vida que escolhi ter. Eis o preço que terei de pagar.

     Assumo agora a minha maior hipocrisia. Talvez esteja eu, entre os grandes.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Meu Ser Inferior

     Há um Ser fechado que habita em mim.
     
    Eu compreendo a minha luz, as minhas buscas, o meu processo espiritual evolutivo (a passos severamente lentos), mas me deparo sempre com o meu eu fechado. Tenho defeitos múltiplos. Tenho pecados - múltiplos. Tenho pecado. Vez por outra me sinto ainda primitivo: é importante desconstruirmos nossa imagem, cortar a casca, tirar as lascas e chegar ao âmago. Por quem além de nós mesmos nossa imagem é talhada para o olhar do outro?

    Quando me deparo em conversa com o meu próprio espírito, me sinto inferior, principalmente quando tento compreender os porquês de carregá-lo em meu corpo e não consigo chegar em respostas melhores do que obviedades. Embora aqui, não seja o caso de  estarmos separados nem em desconexão e sim de às vezes nos perdermos um do outro. Absolutamente sempre que encaminho a minha jornada por algo que seja atraído pelo o que é humano e material, eu retorno ao meu interior para relacionar se isto também faz parte de meu aprendizado espiritual ou apenas indica que desviei a rota de meus propósitos me adequando- além do que me é permitido - ao que é Terreno. Talvez seja apenas devaneio.

    Ontem a tarde, me acolhi em meu canto espiritual Zen, como sempre faço, em meu pequeno ritual de abertura de energia e luz, e entrei em um profundo silêncio. Há barulho demais em minha cabeça e preciso evocar o silêncio. Ainda não consigo me desligar dos rituais: da minha vela acesa, dos incensos de ervas, meus Budas, daquele filtro dos sonhos, sementes indígenas, das plantas, do verde... Quando chego nesta parte da casa construída para minhas reflexões, consigo me conectar melhor com os meus amparadores e acredito que meus amparos estão sendo muito generosos comigo, pois de alguma forma me ajudam a impedir que meus próprios pensamentos me agridam. Eles surgem no momento em que o meu Ser Inferior Fechado emerge, e o trabalho é constante e árduo procurando mudanças. Eu sou luz e escuridão. Eu estou sempre numa estrada chamada "busca". Na simplicidade das coisas é que encontro sentido de vida e é na vibração daquilo que somos diante da natureza que compreendo a minha energia.

     Pensamento deste dia: quem é o meu espírito? Quem carrego eu?