domingo, 6 de julho de 2014

Por uma vida mais rural

     Quando eu era menor e ainda morava com meus pais, nossa casa ficava próxima ao mato. O mato, na verdade, ficava atrás de casa. Neste mato, passei parte de minha infância e pré adolescência e as lembranças deste tempo são muitas. De uma certa forma, aquele mato era um pouco mágico para mim: consigo hoje, compreender os porquês. Era de lá que conseguíamos lenha para manter o fogão aceso e minha mãe cozinhar a nossa alimentação, por exemplo, tempo em que não tínhamos fogão a gás. Era de lá também, que colhíamos frutas como laranjas e bergamotas em "taperas" espalhadas por alguns pontos e era pra lá que eu "fugia" sempre que queria ficar só (a solitude opcional me acompanha desde que tenho entendimento de vida). Andar pelo mato me ajudava - ainda que na época, eu não tinha exatamente a noção disso - a manter um certo equilíbrio mental. Recordo de passagens pessoalmente tristes, com minhas desilusões juvenis, onde fazer tal caminhada servia para que eu conseguisse aliviar os meus pensamentos. Passado a adolescência, pouca importância dei àquele mato e logo mudei para uma cidade maior onde o concreto tomava o lugar das árvores. Mas, passado mais algum tempo, estava eu de volta às minhas raízes.
    Após nos tornarmos "adultos",  principalmente quando embarcamos em uma jornada interior carregada de buscas, vamos entendendo quem realmente somos e compreendendo a nossa verdadeira essência. Vem deste pensamento, esta ligação que, de alguns bons anos pra cá, percebi ter com o mato, com a Natureza, com esta energia. Quando mais jovem, talvez eu não estivesse preparado para entender qual era a dimensão espiritual deste contato. Mais ainda: qual é a dimensão espiritual de seguir uma jornada mais próxima de sua verdadeira essência.
    Explico: algumas pessoas mais próximas (e escolhidas por mim), são "sabedoras" de meus devaneios, questionamentos e períodos internos difíceis. Tenho vivido há algum tempo imerso em minha procura constante de alívio. O tipo de vida da "Cidade Grande" teve um impacto destruidor em minha saúde mental, por sorte, não me perdi. Sofro de ansiedade constante por conta disso. Quer dizer, muito por conta disso, também por outras razões, mas o fato é que o estilo de vida que eu desejava aos vinte e poucos anos, já não me agrada mais. Não quero mais tomar remédio, quero tomar ar. O que tem importância na "Cidade Grande" é distante demais de meus desejos. Volto a essência das coisas: pretendo levar uma vida mais rural, mais natural, próximo ao mato, próximo a quem sou. Olhar para dentro e perguntar diversas vezes "o que faz com que eu me sinta tão mal mesmo quando aparentemente tudo na vida se encaminha bem?" e dentre algumas respostas entender que o tipo de vida que levo precisa ser modificado enquanto há tempo, me fez querer mudar a rota.
    Em tempo que ainda não estipulei (não muito longe), estarei deixando o apartamento onde moro, dentro da cidade, próximo ao barulho de uma perimetral. Na verdade, estarei fazendo uma troca. Quero uma casa no interior, onde eu possa ter sossego, possa colocar os pés na terra, na grama, ter uma pequena horta, usar os temperos para fazer comida como se fosse espécie de terapia e me estabelecer numa vida mais saudável. Ter animais, colher fruta do pé, coisas tão simples que eu já tinha antes e que agora tem valor imensurável pra mim. Morar em um lugar que seja um pouco mais afastado da cidade porém, sem me desintegrar dela. É deste equilíbrio que necessito, porque ainda preciso muito da vida urbana embora meu espirito queira a aquietação que o vento do campo proporciona.
    Que mais se pode fazer a não ser ir mudando os caminhos?
    Quando a vida não muda, mudamos nós.

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