segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Tristeza passageira

       O Budismo me ensinou que todos os estados emocionais pelos quais passamos é passageiro, seja a felicidade, seja a angústia... Passei as últimas semanas em um estado pleno de boa felicidade, com uma nova perspectiva da vida e com minha energia emergindo de forma positiva. Há dois dias este estado - então passageiro - ficou para trás e a minha negação as coisas que sinto voltaram junto com  a ideia de que preciso me manter afastado. Absolutamente, esta minha "entorpecência" nas relações me leva sempre a um caminho de solidão. Me sinto inadequado em meu corpo.
       ...
       Esperando este estado, também passar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sintonia

     Estou no caminho do entendimento das relações, sejam elas de qualquer tipo: familiares, amorosas, relações de amizades, paixões... Começo agora a compreender o tempo necessário que passamos com as pessoas deste nosso grupo: é o tempo de evolução para ambos os lados. Enquanto estamos no processo de evolução em conjunto, nos mantemos ao lado de nossas companhias, porém, após este processo temos a necessidade inconsciente de procurar um novo abrigo, novas energias. Nossas relações são trocas, genuínas trocas de energia. E são nossas energias que na verdade, nos conduzem em nossa estrada. Importante claro, entender que a evolução em conjunto está beneficiando a evolução individual de cada ser, já que nosso propósito neste plano é individual. Talvez por conta disso, vamos tendo uma relação cada vez mais sólida com algumas pessoas ao longo de nossa vida e vamos rompendo com outras. Estamos em diferentes camadas de consciência e evolução: há um difícil equilíbrio a ser mantido. Se olharmos para dentro, saberemos com quais destas companhias nosso grau de conexão é mais forte e por usufruirmos de algo chamado sintonia, vamos tendo diferentes conexões durante a nossa jornada. Todas estas relações, absolutamente todas elas tem suma importância para o desenvolvimento de nossa clareza como seres.
    É com esta clareza que escrevo agora: lúcido. Minha consciência está neste momento em um "estado de lucidez". As nossas relações são seguramente a fonte principal que alimentam nossos passos lentos para a evolução. Embora eu também aceite a nossa solitude como tempo necessário para o que chamo de "organização espiritual". Nosso desprendimento e desapego também fazem parte da etapa evolutiva. Tudo tem um tempo de duração, nada permanece. Cabe a nós perceber este movimento. O que não cabe mais a nós é sentir culpa por conta de todos estes processos: somos livres, viemos livres e voltaremos sós.  Entretanto, eu acredito nas conexões espirituais com determinadas pessoas que a vida me apresenta e me sinto apaixonado por viver quando isso acontece. É desta forma que a partir de agora seguirei, observando melhor a minha sintonia com as pessoas que convivo, tentando aceitar o afastamento natural com algumas delas e sempre me interessando por aquelas que tem chegado em minha vida: eu sempre sinto a luz. Talvez este seja o melhor tempo para  dividir a minha jornada, a qual julgo sempre solitária, com estas outras pessoas. Eu sempre serei um observador e profundo admirador de outras histórias. A verdade e a liberdade do sentir, me fascina. Este é o caminho...este é o caminho.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Estar vivo

       A morte de alguém próximo sempre me indaga a devaneios. Morte é uma palavra pesada, prefiro usar uma terminologia da conscienciologia que trata a morte como uma "dessoma" (soma = corpo, dessoma = o espírito (a consciência) se desligando do corpo físico). Sim, eu acredito que a minha consciência continuará a existir mesmo após a minha dessoma. Desta vez, eu havia pensado em escrever este meu devaneio de uma forma mais humana do que espiritual, mas não consigo. Não consigo porque tudo está conectado de uma forma tão profunda que seria impossível separar os fatos. Eu já tenho uma compreensão melhor da dessoma. Compreender mais, não significa estar preparado para tal. Aceito mas fico submerso em medos.  Tenho medo de partir sem ter completado a minha evolução, medo de partir sem ter usufruido de toda a potencialidade que meu espirito poderia usufruir, medo de não ter seguido alguns desejos há tempos  trancados em mim, medo de ter dramatizado demais quando tudo na verdade poderá ser ainda mais simples do que se pode imaginar.

     Mas nossa partida não deixará jamais de ser triste.  A energia de quem está indo nos fará falta, a nossa energia fará falta para quem fica. Nossas existências são chances que nos são cedidas e nós, caminhamos a passos tão lentos que retornamos diversas vezes para tentarmos fechar os ciclos. Quando eu era mais novo, por volta dos meus dezesseis/dezessete anos, estupidamente pensava que viver por sessenta anos neste universo já estaria de bom tamanho. Errei duas vezes: primeiro porque não sou digno de escolher o meu tempo, segundo porque o tempo é fundamental para esta nossa jornada. Hoje, preciso de mais, de muito mais, eu preciso do tempo suficiente para que a minha caminhada esteja completa. Me perco, mais do que me encontro. Mas estar em sintonia com minhas verdades interiores me dá ânimo para seguir adiante.

     Estou em uma linda fase da vida: a fase da compreensão das coisas. Penso que estamos todos em uma jornada solitária e linda, e já escrevi esta mesma frase tempos atrás. Solitária porque mesmo que estejamos em conexão com outras consciências, a evolução é individual. Linda, porque estas mesmas consciências (pessoas) que vamos encontrando em nossa vida, tornam esta experiência mais rica, porque acabamos sentindo paixão e amor pela maioria delas com intensidades diferentes. Sinto ser privelegiado em estar aproveitando a minha existência. Não quero partir sem antes ter sugado o melhor que há em mim mesmo. Espero ainda que a minha maturidade não engula a minha juventude antes de chegar ao final.

    Tempo de olhar para a vida e agradecer estar vivo.