quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Estar vivo

       A morte de alguém próximo sempre me indaga a devaneios. Morte é uma palavra pesada, prefiro usar uma terminologia da conscienciologia que trata a morte como uma "dessoma" (soma = corpo, dessoma = o espírito (a consciência) se desligando do corpo físico). Sim, eu acredito que a minha consciência continuará a existir mesmo após a minha dessoma. Desta vez, eu havia pensado em escrever este meu devaneio de uma forma mais humana do que espiritual, mas não consigo. Não consigo porque tudo está conectado de uma forma tão profunda que seria impossível separar os fatos. Eu já tenho uma compreensão melhor da dessoma. Compreender mais, não significa estar preparado para tal. Aceito mas fico submerso em medos.  Tenho medo de partir sem ter completado a minha evolução, medo de partir sem ter usufruido de toda a potencialidade que meu espirito poderia usufruir, medo de não ter seguido alguns desejos há tempos  trancados em mim, medo de ter dramatizado demais quando tudo na verdade poderá ser ainda mais simples do que se pode imaginar.

     Mas nossa partida não deixará jamais de ser triste.  A energia de quem está indo nos fará falta, a nossa energia fará falta para quem fica. Nossas existências são chances que nos são cedidas e nós, caminhamos a passos tão lentos que retornamos diversas vezes para tentarmos fechar os ciclos. Quando eu era mais novo, por volta dos meus dezesseis/dezessete anos, estupidamente pensava que viver por sessenta anos neste universo já estaria de bom tamanho. Errei duas vezes: primeiro porque não sou digno de escolher o meu tempo, segundo porque o tempo é fundamental para esta nossa jornada. Hoje, preciso de mais, de muito mais, eu preciso do tempo suficiente para que a minha caminhada esteja completa. Me perco, mais do que me encontro. Mas estar em sintonia com minhas verdades interiores me dá ânimo para seguir adiante.

     Estou em uma linda fase da vida: a fase da compreensão das coisas. Penso que estamos todos em uma jornada solitária e linda, e já escrevi esta mesma frase tempos atrás. Solitária porque mesmo que estejamos em conexão com outras consciências, a evolução é individual. Linda, porque estas mesmas consciências (pessoas) que vamos encontrando em nossa vida, tornam esta experiência mais rica, porque acabamos sentindo paixão e amor pela maioria delas com intensidades diferentes. Sinto ser privelegiado em estar aproveitando a minha existência. Não quero partir sem antes ter sugado o melhor que há em mim mesmo. Espero ainda que a minha maturidade não engula a minha juventude antes de chegar ao final.

    Tempo de olhar para a vida e agradecer estar vivo.

   

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