segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Sobre desejos e vida

     Ciclo quase encerrando e eu sempre divago sobre a  minha última temporada: este foi um tempo inquieto para os meus desejos (de todos os tipos). Alguns sufoquei e deixei trancado porque julguei ser melhor assim, outros deixei acontecer de forma natural porque havia uma necessidade para que assim fosse. Não há como viver sem desejo, ainda que o budismo me ensine que os desejos são a causa maior de nosso sofrimento. Todo desejo gera uma emoção diferente dentro de nós, estas emoções são como válvulas de escape, que ora nos dão prazer, ora nos causam tristeza.Os desejos são na verdade aquilo que nos move e também aquilo que nos destrói. Como se fossem nosso combustível, mas que precisamos ter o controle absoluto para que eles não explodam. Controlar: há um verbo mais difícil de se conjugar? Ao mesmo tempo, é loucura pensar em normalidade quando se está na casa dos trinta anos! Meu espirito precisa "experienciar" constantemente, como se tais experiências fossem uma espécie de "fonte da juventude" que me revigoram e me fazem continuar a seguir em frente. Ainda que em muitos destes experimentos, meus erros estourem mais que os acertos, mas no final das contas, tudo é aprendizado. Pós trinta anos meus instintos ficaram mais aflorados, pós trinta anos minha verdade emergiu de forma mais clara. Sair da casa dos vinte foi decisivo para mim já que enquanto temos vinte e poucos anos, temos uma necessidade estúpida de provar quem somos e o que somos capazes de fazer tanto emocional, psicológico quanto sexualmente. Com o passar do tempo, percebe-se que "provar, ter de" são ações que podem ser excluídas da nossa lista de afazeres, a vida torna-se mais leve. Ainda sobre os desejos, preciso confessar que eles estão para o meu espirito assim como o alimento está para o meu corpo, são eles que me movimentam.


      Nestes tempos, há sempre essa reavaliação da vida, do caminho, da jornada... Estou num momento de ter um cuidado grandioso com as minhas amizades e talvez "AMIZADE" seja a palavra que definiu meu ano. Conhecer novas pessoas e me interessar e me envolver com suas histórias de vida e sentimentos de jornada, é algo que me fascina e me deixa entusiasmado. Estamos em diferentes níveis de evolução e de idade, mas aprendemos e ensinamos em tempo integral, somos professores e alunos, sempre vai depender do momento, estamos conectados de forma que os aprendizados somam pontos em nossa existência. Já as amizades antigas fazem com que o sentimento seja cultivado com muito amor. Ainda estou à procura daquele desejo impresso na experiência de Jack Kerouac descrito em "Na estrada (On the Road)", ainda estou à procura daquela amizade e paixão pela vida entre Sal Paradise e Dean Moriarty, uma amizade que me inspira, mas quando pareço ter encontrado há sempre um obstáculo. Cada coisa há seu tempo, talvez...


      Esta paixão pela vida me impulsiona! De tempos em tempos, de qualquer forma, após vagar por aqui ou por ali, preciso retornar ao meu casulo, à minha casca. Por isso retornar para um encontro com as pessoas que me conhecem desde sempre, para um colo, sempre me faz bem. A contagem para estar em contato com a minha família e também com o meu silêncio logo por estes dias quando retorno para visitar a cidade onde sempre morei, está ansiosa demais. Uma parada após tanto trabalho é sempre necessária para voltar aquilo que chamo de centralidade. Já os desejos caminham junto comigo e não me deixam só. Impossível viver sem eles, impossível viver sem sentir a pulsação da paixão pela vida e pelas pessoas ao seu redor. No final das contas não há vida sem desejo.

     Mais um ciclo encerrado. Muita vida para o próximo! Gratidão...


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Som do ano: https://www.youtube.com/watch?v=pUK6HlzNWEg

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