sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A entrega

   Hoje, conversando com  uma pessoa iluminada, ouvi atenciosamente frases que ficaram perambulando em meu pensamento durante o dia todo. Em uma conversa onde falei menos para estar totalmente atento ao que me era dito, "a fala" sobre as nossas dúvidas ficou saltando pra lá e pra cá como se estivesse em uma tela em frente a mim: "A dúvida gera uma falta, a dúvida gera o abismo". Nesta fase em que me encontro, sinto que são as minhas dúvidas que secam a minha boa energia. Obviamente já há um trabalho interno acontecendo para a reversão disso, mas divago: tudo é movimento! E movimentos são necessários se entendermos que todos eles tem algo a nos esclarecer. São estas etapas que na verdade nos dão a chance maior para estudarmos a nós mesmos. Faço parte, talvez de uma minoria, que acredita que o autoconhecimento é que vai conseguir conduzir as nossas outras relações. A medida que mais me conheço, a medida que mais tento acessar informações que ainda estão ocultas mas ao meu alcance, a medida em que consigo estabelecer uma relação de amor comigo mesmo entendendo sempre o meu corpo apenas como a caixa que carrega o meu espírito (a minha consciência), então consigo me relacionar de forma positiva com as pessoas ao meu redor, consigo trocar experiências, consigo oferecer ajuda, receber ajuda e entrar na onda da reciprocidade. Esta abertura é gerada por um grau mútuo de evolução.

     As relações, sejam amorosas, familiares ou de amizade, trazem em si extremos: me sinto conectado através das relações, me sinto desconectado através das relações, e sei, dentro de mim, que são elas que me trarão os aprendizados necessários nesta existência. O que me dispersa, é nem sempre entender qual é o meu lugar dentro destas, onde me situo, qual a minha verdadeira importância. Desta forma, quando me entrego demais entendo também o momento de me retirar ou de deixar uma outra pessoa aproveitar aquele momento, negando a mim mesmo de certa forma. Algumas experiências negativas do passado, ainda geram em mim alguns conflitos internos e por consequência destes, alguns limites e meu lado observador antes tão saudável, hoje tem me conduzido para análises que eu não gostaria de estar tendo, mas que chegam de alguma forma, por algum veículo. Conversando com uma amiga esta semana, falávamos sobre estarmos bem com nós mesmos sendo que é quando não estamos que acabamos nos comparando com outras pessoas e encontrando nelas uma superioridade. Esquecemos que nos intitulamos indivíduos exatamente por sermos únicos e esquecemos também a beleza de nossas diferenças. Nos comparar com outro indivíduo é praticamente impossível porque estamos em diferentes degraus emocionais, psicológicos, sexuais, espirituais. Sempre encontraremos em uma pessoa o que não encontraremos em outra e nunca encontraremos em outra pessoa o que tínhamos na anterior. Nascemos em ambientes diferentes, tivemos condições diferentes, formações diferentes, informações diferentes, experiências diferentes. O que quero dizer com isso é quando conseguimos entender estas diferenças no outro, aceitamos a nossa singularidade e a beleza interior que carregamos. Cada pessoa nos oferecerá uma gama de sentimentos, emoções e prazeres diferentes. Para cada uma delas ofereceremos o que dispusermos naquele momento específico da vida que as encontrarmos. Tudo tem um tempo - início/fim - e depois seguiremos a nossa jornada sozinhos. 
    
    Ainda tenho uma longa estrada de aprendizados pela frente, mas deixar a minha verdade emergir é parte daquilo que busco: alinhar o meu caminho, estar no caminho - ainda que não o chame de "correto" devido aos meus tantos deslizes. Quero deixar sentimentos bons por onde eu passar, quero que o outro sinta que a experiência de evolução que teve comigo em alguma época de sua vida tenha sido válida, seja por algo que vivenciamos juntos, seja por alguma ajuda que pude oferecer, seja por uma reflexão que proporcionei, seja pelo amor que doei ou por um conjunto de fatores que fez com que houvesse um encontro entre nós neste plano. Assim seguirei em paz...

   Que minhas dúvidas sejam passageiras. Tão logo, eu retorne ao meu eu.

   


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

De volta à realidade

       De aproximadamente um ano pra cá me tornei uma pessoa mais vulnerável e por conta disso,  mais sensível. Tenho confrontado a mim mesmo com este lado novo,  até então desconhecido (e o desconhecido de imediato sempre assusta).  O fato é que por conta dessa sensibilidade alguns acontecimentos que antes não eram nem levados em consideração,  hoje "tomam" proporções maiores dentro de mim e de certa forma não me fazem bem. Este incômodo interior acaba por me deixar alguns dias pensativo,  intitulo estes meus dias como "período de isolamento interno" - sempre necessários. Em tempos como este o estudo do autoconhecimento se torna ainda mais intenso. Uma das hipóteses por exemplo,  que encontrei para tentar explicar tais sentimentos é pela intensidade que me envolvo nas relações (embora eu já tivesse aprendido a não esperar mais do que a mim também é oferecido). Sou um observador atento do que as "entrelinhas" querem me dizer,  eu tento entender o que o subconsciente da outra pessoa prefere exaltar em determinados momentos. Uso dois exemplos simples: se alguém não o incluiu em alguma situação em que você  desejava estar junto é porque de fato o esqueceu naquele momento específico e isso pode te trazer algum tipo de reflexão tal como se você é prioridade ou segunda opção ou se alguém que você ama age de uma maneira que não costumava agir, é sinal que o subconsciente está a mandar alertas de que algo poderá mudar. Essas entrelinhas,  embora hipotéticas, me interessam.

       Não lido bem com "me sentir excluído": trauma antigo. Muitos "nãos" soa como rejeição.  Me faz sentir tão  fechado para alguém com uma mente tão aberta.  Acredito que minha força interior venha do fato de eu admitir estas coisas,  não esconder meus defeitos e de não disfarçar como me sinto - a transparência do sentir. Se eu fingir agora que estou me sentindo seguro e que não estar no controle de minhas emoções me deixa em um lugar confortável não conseguirei chegar a uma resolução interna para exorcisar esta insegurança - um terreno novo,  nada fértil.  A insegurança a meu ver,  é um estado negativo que desiquilibra a nossa energia.  Embora também,  eu já tenha escrito diversas vezes sobre a minha  escuridão carregada de erros e "pecados sem perdão" - não carrego nenhuma auréola não! Mas eu sempre acredito que a minha luz prevalece. Somos o histórico que carregamos.  Nesta fase tenho seguido um caminho menos centrado e mais torto em minha busca de evolução e o escritor Jack Kerouac tem sido inspiração constante.   Histórias como a de "Na Estrada" comprovam que a maneira como nos perdemos no meio do caminho são  extremamente transformadoras alí, logo a frente. Por isso preciso "experienciar ".  Inclusive degustar estes sentimentos não bons.  O que me incomoda apenas,  é o fato de perder vida quando estou assim nesses períodos porque minha mente acaba trabalhando em análises  profundas dos porquês. E eu não  posso perder vida,  eu amo me sentir vivo e estar nesta oportunidade de jornada.  Nenhuma outra experiência é mais linda do que esta!

       Portanto,  aos poucos estou estudando métodos que me ajudem a diminuir o que venho sentindo,  é um processo lento mas que já iniciei.  Percebi por exemplo, que viajar para algum lugar quando algo não está bem internamente me ajuda a sair do foco e isso faz com que eu preste atenção nas histórias das outras pessoas e deixe o que me perturba cada vez com menos importância. A estrada é meu remédio e ter contato com pessoas diferentes alimenta o meu saber,  alimenta o meu espirito. Somos tão pequenos,  somos tão grandes. Por esses dias,  percebi que estou voltando a minha realidade,  andei por aqui e por ali,  me abri plenamente para o novo,  estabeleci confianças novamente,  deixei meu coração e sentimentos falarem mais alto.  Mas agora,  volto a mim,  volto pro meu espaço,  pro meu seguro (auto proteção). Espero absolutamente não ter magoado qualquer pessoa nesse período.

       Como um turista agora,  passeio por dentro de minhas próprias emoções. 






sábado, 10 de janeiro de 2015

A vida é uma estrada: sobre amizade e gratidão

     De alguns anos para cá me tornei muito interessado em espiritualidade e em tudo que envolve a minha vida nesse sentido. Desta forma, acredito que muitas coisas que acontecem tem um propósito maior do que me é permitido conhecer. Assim são com os encontros especiais que tenho com outros seres, encontros estes que só me fazem compreender o sentido maior de outras existências podendo assim acreditar que são na verdade "reencontros". Reencontrei portando, em minha jornada atual um Ser de Luz que chegou com a sua amizade pura e repleta de boa energia para melhorar o meu caminho. Como não celebrar este tipo de união? Como não crer que há algo que nos une que é invisível aos olhos e desperta nosso desejo de conhecimento?  Eu percebo claramente quando tenho uma conexão espiritual com outra pessoa e a vida me presenteou com pessoas lindas ao meu redor onde cada uma delas contribui para meu crescimento como Ser, seja na família, amigos, amores, colegas de trabalho, pessoas de rápida passagem... Porém, eu sinto internamente quando há muito mais que uma simples afinidade energética ou de sentimentos, eu sinto quando este afeto é ligado por uma profunda conexão espiritual e nesses meus trinta e poucos anos vividos neste plano, eu conto nos dedos de apenas uma mão, aquelas pessoas que sinto ter esta linda união espiritual. Este irmão que chegou para deixar meu mundo mais feliz, é a quinta pessoa que reencontro nesta jornada. Meu lado sensitivo me faz perceber isso de forma bastante clara. Certos encontros não são por acaso, acontecem porque devem acontecer.

     Sinto que nossos espíritos se encontraram para ajudar um ao outro, se estava programado não sei, prefiro talvez pensar que seja um presente dos amparos. Há um desejo forte de seguir a caminhada juntos, porque o sentimento de amizade que nos une é tão forte que fica impossível pensar neste momento em uma vida longe um do outro, embora o tempo a se passar junto sempre será indefinido: passamos com as pessoas o tempo necessário para a evolução de cada um, depois as energias procuram outro lugar para repousar. Prefiro pensar assim, para que não haja sofrimento nas separações que a vida ainda me trará. Tive grandes amigos, aqueles do peito, alguns ainda mantenho outros seguiram caminhos diferentes e ter o entendimento que ficamos juntos o ciclo que precisávamos, faz com que eu não sinta tristeza e encare isso de forma madura e natural. Às vezes, por força do hábito ainda escrevo a palavra "sempre" mesmo já tendo entendido que "sempre" é longe demais para se pensar. Prefiro então, aproveitar o momento que me é oferecido e sugar tudo o que posso de bom destas relações. Amizade para mim é troca, uma genuína troca de saberes e aprendizados onde ambos conseguem ajudar e estarem abertos e vulneráveis a serem ajudados. Amizade sobretudo tem de ser liberdade.

     Havia um desejo de visitar o Templo Budista em Três Coroas/RS com este irmão espiritual  e este desejo aconteceu há um dias atrás. Este templo se tornou muito importante em minha jornada e é onde vez por outra recorro, dessa forma eu queria apresentar à ele este lugar. Na verdade, posso dizer que não vou mais ao Templo para procurar algo. Até porque nos finais de semana que é quando geralmente consigo ir, as pessoas visitam muito este lugar, então é impossível "meditar" por lá. Também não sou praticante de meditação (minha ansiedade agora medicada, não permite). Não carrego nenhuma obrigação de estar com a mente preparada, nenhum ritual misterioso para chegar lá. Não vou exatamente para fugir de algo ou para buscar nada. Paz? Descobri agora, até mesmo depois de ir até lá, que a paz está dentro de nós, não importa o quão silencioso ou barulhento seja o lugar. "Não é o que sinto por estar no Templo, é como me sinto depois que visito o Templo". É a Energia que sinto revigorar a partir do outro dia e que potencializa a minha semana toda, até meu mês. Mas de alguma maneira este lugar é muito especial. É onde minha espiritualidade de certa forma fica mais aflorada. Durante os últimos anos tudo o que mais tenho feito é buscar o autoconhecimento, entender que sou um Ser feito metade de luz e metade de escuridão me ajuda a encontrar o equilíbrio. Aceito os meus defeitos múltiplos, encaro de frente as minhas fraquezas principalmente em relação aos desejos (de todos os tipos, emocionais, materiais, sexuais...), entendo que costumeiramente erro e que isso faz parte de meu crescimento, já que de forma alguma meus erros estão expostos para magoar outra pessoa, sei que carrego "pecados" e sentimentos ruins mas que também contribuo com a minha luz, minhas qualidades e bondade para ajudar outras pessoas em diversas situações. Depois destes anos de estudo sobre mim mesmo, me sinto mais confortável a contribuir com o que aprendi. E ainda estou no caminho mais difícil que é praticar o meu desapego.

     Desta vez porém, enquanto estava no Templo com este amigo já tão importante, fiz apenas uma única coisa, sem mesmo ele saber: mentalizei gratidão por tê-lo encontrado, pensei na energia que nos une e desejei somente as melhores intenções para a sua jornada. Há uma diferença na idade terrena mas acredito na idade do espírito, na sintonia das energias, acredito que nossas consciências pertencem a mesma camada espiritual. Nosso reencontro somente fez bem um ao outro e trouxe uma felicidade de paz interior para ambos: ganhamos muito ao trocar experiências. A maior energia que posso doar a alguém é aquela que carrega o sentimento do amor: e eu me preocupo com o seu caminho, com a sua vida, com as suas dúvidas... Desejo estar por perto para poder ajudá-lo quando necessitar de minhas palavras e de meu abraço. E eu sou profundamente grato aos amparos por esta possibilidade que me foi concedida novamente quando eu já havia passado pela triste experiência de perder a confiança. Há tanto agora a aproveitar, tanto a fazer nesta linda oportunidade que é a vida. Vamos "coletar momentos, não coisas", a felicidade sempre será melhor quando compartilhada. A vida é uma estrada... E minha estrada está mais feliz agora. Que nossos amparos abençoem a nossa jornada!

     Com pensamentos de amor e gratidão meu novo ciclo inicia aqui...


Templo Budista Khadro Ling em Três Coroas/RS, 09.01.2015: Juliano e eu.
Minha oração: https://www.youtube.com/watch?v=maVKTZchxiA