domingo, 22 de março de 2015

Desejos e realidade

       Sou conhecedor de que são os desejos os principais responsáveis por nosso estado emocional. Sei que desta forma então, são os meus desejos internos mais uma vez que me deixam aqui, submerso nesse estado.  Desejos de todos os tipos: afetivos,  materiais,  sexuais... Alguns destes me violentam como ser espiritual,  outros me nutrem como ser humano.  Meu espírito/minha consciência, meu corpo/minha mente.  Todos se enfrentam numa batalha árdua entre as minhas inquietações. Minha cabeça pensa sem pausa em sentimentos, o lado profissional do cérebro analisa saídas e caminhos que preciso alinhar para continuar na estabilidade financeira terrena e meus hormônios pulsam eletricamente invadindo toda a minha pele a fim de serem expelidos a todo custo. Desejos e mais desejos, repito: de todos os tipos. O problema dos desejos não é exatamente a vontade que emerge de tal maneira a sair porta afora como se fosse no final das contas o mais importante de tudo em momentos específicos de nossa existência. O problema dos desejos é que eles deturpam a realidade e os desejos que deturpam a nossa realidade são aqueles que nos mantém desconectados com a nossa verdadeira alegria interior, eles acabam por nos deixarem tristes, passivos, não reativos. Percebemos isso quando aquilo/quem/o que desejamos está fora do nosso alcance, ou seja não nos é permitido. E mais uma vez a nossa ideia de felicidade escorre entre os dedos apenas pelo fato de não aceitarmos a nossa real condição naquele momento particular. Perseguimos por uma vida toda ou metade dela pelo menos, uma espécie de portal imaginário que nos teletransportará para a felicidade plena e esquecemos que a "tal felicidade completa", existindo, se tornará real a partir do momento em que conseguirmos parar de "desejar" e aceitarmos e nos contentarmos com tudo aquilo que já temos em mãos. Nada é nosso, ninguém é nosso, tudo aqui é emprestado e teremos de devolver ao fim de tudo.

       O alívio vem na medida em que compreendo que todo estado é passageiro e que inclusive os desejos findam.

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