terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu cativo, tu cativas, ele cativa...

      Os significados misturaram-se em uma espécie de espiral e os sinônimos saltaram aos meus olhos como faíscas que refletiam luzes e tentavam me mostrar clareza. Mas havia assim, tanta dúvida? Pela primeira vez então, eu fiquei confuso em relação a tal fato. Tive visões imaginárias que me provocaram o estômago, a ansiedade, a minha raiva interior: imaginava cenas e queria fugir delas o quanto antes, antes que eu causasse uma destruição. Mas a destruição fora interna, em forma de perdas. Perde-se certezas, perde-se a noção de confiança plena. Novamente a culpa é minha?

    Tentei camuflar a minha falta de capacidade de não suprir as "chamadas carências" com uma distração qualquer. Sou incapaz, sou menos, sou diminuído pelas minhas dúvidas. Não sou completo. Como ser completo? Como competir com o frescor de novas possibilidades? Esqueci do quanto nunca tive esta necessidade. Fui apenas observando, fui tentando compreender, e observando, tentando decifrar, e observando. Tantos afetuosos elogios, diferentes risos, tanta proximidade e necessidade de outras energias. Afinal, talvez mais do que outras pessoas,  entendo que somos todos carregados de desejos. Como pude então não saber filtrar estas percepções. 

     Os sinônimos foram sacudidos em frente a mim como se saltassem do dicionário, falavam sobre encantamento, sobre sedução, sobre atração. Então, confundi as palavras, troquei o entendimento que eu tinha sobre elas e me retirei. Um tanto resistente talvez para alguém que levanta tanto a bandeira da liberdade e da livre escolha como eu. Tive medo, como se fosse sofrer uma espécie de morte de sentimentos. Não queria velá-los. Mágoas me jogariam novamente em um cômodo onde já passei um tempo perdido de vida. Retornei então à minha covardia e me mantive aqui, quando tudo o que deveria ter feito era ter deixado seguir.

     Precisando retornar ao meu eu. Resiliência.

      

quinta-feira, 23 de abril de 2015

(Re) Apresentação: A TRANSPARÊNCIA DO SENTIR: relatos de uma jornada interior (Um novo nome/ciclo para o mesmo blog)

     Antes de qualquer coisa: não sou escritor. Meus textos não seguem exatamente as normas da gramática e por vezes as minhas palavras soam repetitivas. Escrevo, porque esta é a minha forma favorita de expressão, escrevo porque preciso transferir para algum lugar - seja uma página de papel ou uma página da web – os retalhos de sentimentos que surgem em minhas divagações. Escrevo para remediar minhas doenças. Escrevo para me livrar de meus próprios sintomasEscrevo porque anseio ser lido.  Entendo obviamente, que escrever é desabafo em sua maior parte, não resolução. Porém, entendo também, que a forma como registro este “estar de cada coisa” vai de certa forma emoldurando a minha própria história. Sou fascinado por tudo que é autobiográfico: não haveria então melhor caminho a seguir com esta minha “assim chamada escrita”.
     Os primeiros registros de textos que escrevi são do ano de 1998 (dezesseis anos atrás). Posso dizer que a partir desta data até aproximadamente o ano de 2007, escrevia constantemente como se fosse uma espécie de diário, onde os textos não seguiam uma fórmula exata. Mesmo assim, estes textos foram todos postados em um blog pessoal que intitulei de “Palavras Pensadas: o som do sentido das coisas” (estando agora em modificação). Basicamente, eles se resumiam em inconformismos e amarguras, passando por paixões não recíprocas avassaladoras da juventude, mágoas destiladas por uma explosão de sentimentos imaturos e logo ali, diários sobre como as escolhas, o tempo e principalmente a minha relação com os meus empregos e a sociedade do “ter de, adquirir” me fizeram sofrer de algo que chamava de “síndrome do arrependimento e sofrimento antecipado”. Um muro de lamentações, grafitado sem cor alguma em desenhos tortos. Resolvi, portanto, enxugá-los aqui. Exceto àqueles que apesar da distância, foram decisivos e contribuíram para moldar a minha personalidade.
     De aproximadamente três anos pra cá, meus textos foram tomando outro rumo e retratando novos interesses. O fluxo de consciência encontrou outras vertentes e desaguou em outros mares. Neste momento a frase “a transparência do sentir” começou a aparecer constantemente em meus devaneios. Esta frase de uma maneira direta e bastante intensa, imprime uma nova direção para o que escrevo, tornando meus relatos com um nível cada vez maior de espiritualidade, psicologia emocional e consequentemente de consciência.  Falar abertamente, com a transparência do que sinto coloca meu Ser em busca constante de evolução. Embora a confusão de sentidos também me fascine: deixo nas entrelinhas espaços abertos para interpretações. Desta forma, aqui inicia um novo ciclo que começa com um novo título para estas tantas divagações escritas. Nasce portanto, “A transparência do sentir: relatos de uma jornada interior”.
     Não haverá nestas palavras, nada de extraordinário. Meus textos, meus devaneios, minhas divagações me servem como uma terapia. Meus relatos interiores de acontecimentos puramente cotidianos entrelaçados com as minhas relações (de todos os tipos) e minha visão sincera sobre estes assuntos sendo compartilhados de uma forma aberta através deste “canal” é uma maneira de, através de minhas próprias experiências, inspirar a quem ler a sentir a coragem libertadora de olhar para dentro de si e vasculhar tudo o que há lá, numa viagem profunda ao autoconhecimento. 
         A estrada é longa. Seguindo a jornada...
                                                                                             Cléo Medeiros 

                                                                                     

domingo, 12 de abril de 2015

Não igual a mim

      Entrei em um estágio mental onde mais uma vez criei ilusões e me abasteci energeticamente delas. Neste meu "mundo paralelo" criado - longe da realidade que eu desejava - fui sentindo doses diárias de felicidade e fui esquecendo de sair do imaginário. Fundamentalmente, desejei novamente aquilo que não me era permitido, mas ao negar tais desejos, era como se eu fosse jogado novamente ali, naquele lugar do qual eu nunca sai, então continuava... Me rendo ao fato de que a minha falta de coragem por vezes me fecha em outro quarto e que a minha vulnerabilidade emocional está comprovadamente ligada aos sentimentos que não consigo deixar. Procurei em outros uma semelhança maior a qual me fizesse sentir confortável com meus desejos e agora preciso aceitar o fato de que na verdade não há. Sou só. Aceitar a condição do outro é se libertar. Hoje não será necessário mais do que este parágrafo rasgado para ilustrar a minha história. Quem sabe um dia eu deixe as entrelinhas de lado. Quem sabe um dia...