quinta-feira, 21 de maio de 2015

Onze ciclos: uma linda jornada

De alguns anos pra cá,  trato todas as fases e tempos de minha vida,  como ciclos. Desta forma,  meu entendimento,  principalmente sobre relações (de todos os tipos) se torna mais claro.  Perceber com esta clareza o tempo necessário que temos com a outra pessoa para evoluirmos juntos e que esta nossa jornada juntos depende de fatores emocionais,  psicológicos, filosóficos e ainda de afinidades e sentimentos múltiplos,  é também compreender o tipo de troca e aprendizados destas relações.

       Quanto de nós pode ser modificado pelo outro? 

      Há onze ciclos atrás fui modificado quase que por completo no encontro espiritual com a minha parceira evolutiva. Tenho a certeza absoluta que nosso (re) encontro aconteceu para ajudarmos um ao outro a evoluir em todos os potenciais por se tratar de uma continuidade de outras existências. No início deste encontro,  houve ainda a certeza de que o  sentimento envolvido nos manteria conectados por muitos anos.  Mas ainda lembro de uma frase que escrevi no primeiro texto sobre este assunto: "...é algo para muito tempo ou para lembrar com a saudade mais bonita se um dia acabar..."  E,  com este pensamento vivi todos esses onze anos de união,  sem a pretensão de que estivéssemos engessados naquele "para sempre" inexistente. Não acredito em nada que tenha que durar mais do que o tempo necessário: o tempo onde ambos estão felizes, enquanto há energia em sintonia. O melhor caminho sempre foi a liberdade,  a vontade de permanecer juntos pelo simples fato de querer continuar ou de buscar em outra pessoa uma nova forma de felicidade. 

        Assim funcionam os ciclos.

     Eu posso dizer que nunca encontrei (nem encontrarei) alguém que me doasse tamanho amor. Nesse tempo,  eu tive suporte,  encontrei o melhor colo para meus dias ruins, a melhor companheira de viagem,  a pessoa que mais compreendeu os meus chamados "Períodos de Isolamento Interno"(que foram tantos). Encontrei, de uma certa forma,  a pessoa que conseguiu entender quem eu sou, meu espirito livre, meus desejos diferentes, minha visão da vida,  minha tendência à solitude, meus devaneios e minhas tantas buscas espirituais. Alguém que me ajudou a amadurecer, ajudou  em minhas conquistas, em me tornar quem hoje sou. Fui amado, fui perdoado - cometi grandes erros. Carrego falhas,  não consegui suprir algumas carências,  alguns períodos de reclamações: não sou completo. Mas, olhando para trás,  numa espécie de fita onde aperto o "Rewind"  e depois o "Play" e assisto nossos vídeos em câmera lenta,  tudo o que mais vejo são os nossos risos. Fomos complementos. E em determinados momentos de nossa relação, fomos um só.

       Me sinto grato e abençoado por ter experimentado um amor assim. Sinto sobretudo, que nossa conexão espiritual, faz com que eu compreenda nosso caminho ainda juntos. Mesmo que não seja em uma relação amorosa, eu sinto de qualquer forma, que não haveria como nos separar por completo. Nossos espíritos estarão juntos a fim de auxiliar um ao outro, com o propósito de amor para evolução. Não haveria forma melhor de falar sobre estes ciclos, senão com a palavra GRATIDÃO. Foi uma linda jornada.

          A nossa relação se tornou uma espécie de estado de espírito que sempre me acompanhará.

Machu Picchu - Peru (Março 2014)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Diálogo

     Após aquela conversa,  senti um certo desconforto e uma sensação de distanciamento. Eu estava ouvindo uma grande diferença de pensamento entre nós sobre desejos. Eu estava sentindo pela primeira vez,  que talvez nosso caminho não era tão parecido quanto eu pensei ser (ou que quis tanto que fosse) e senti um certo vazio por isso. Eu havia passado tanto tempo a procura de alguém como eu: obviamente não igual a mim,  mas com uma visão sobre vida,  espiritualidade e prazeres semelhantes e, dessa forma,   me senti triste por pensar que na verdade,  poderia não ser quem eu já  havia encontrado.  Naquela conversa os pontos de interesses foram divergentes e não haveria nada de mal em uma inconformidade de pensamentos,  não fosse tamanha vontade que habitava em mim de que pudéssemos ser de algum modo, compatíveis em tudo. Mas que pretensão era a minha?  Favorecer o meu ego? Pensar que eu deveria estar como primeira opção em todas as experiências?  Como,  se o que posso oferecer de melhor ao outro é a liberdade? 

     Se aquela conversa,  me fez sentir um pouco rejeitado e até comparado, também me fez rever o meu pensamento de respeitar a condição e os desejos do outro de eu não ser a melhor escolha e desse outro sentir-se confortável com o fato de encontrar em outra pessoa uma afinidade maior e gostos iguais.  As minhas diferenças ora me favorecem,  ora me fazem sentir desajustado,  mas ainda me prefiro assim.  Pude compreender durante estes dias de reflexão sobre este assunto, que este meu entendimento pode ser aplicado em outras situações em minha jornada.  Me conforta ao menos,  o fato de eu conseguir sugar de uma conversa com respostas inesperadas,  um novo aprendizado e perceber que a maneira como algo me afeta também me ajuda a ajustar o que não está tão bom em mim (analisar meu comportamento e ciúmes por exemplo)  e,  por fim,  aceitar a minha própria condição.

     Entendo que assim é o meu caminho,  tudo o que faço, falo, ouço ou observo tem muita intensidade e talvez por conta disso algumas coisas ganham uma importância maior do que deveriam.  Nenhuma outra importância porém,  neste caso,  é maior do que a de saber dos outros sentimentos maiores que envolvem esta relação espiritual. Talvez eu apenas precise aceitar que nem tudo o que eu desejo deve se tornar real. 

     De resto,  muito amor.