sábado, 19 de setembro de 2015

Sobre sentir-se do lado de fora, não enfeitar sentimentos e não criar expectativas

       Entender a minha inferioridade me ajuda a cuspir o meu ego: não sou bom para tudo em minhas relações de amizade. Preciso aceitar este fato antes de sentir qualquer mágoa. Mas o que fazer quando nos sentimos deixados do lado de fora em certas situações além de tentar entender para quais momentos servimos e em qual momento nossa companhia pode ser descartada? O sentimento de exclusão/negação acaba por perfurar a minha energia e destrói com a minha auto estima, faz com que eu me sinta tão para baixo que levo dias a retornar à escalada. Então releio as palavras que recebi para tentar compreender mas continuo sentindo que não as merecia (palavras que brotaram muito além do assunto), ouço argumentos que não me convencem e lembro que eu estou ali, sempre pronto para qualquer situação, todas as situações, sempre reservando o primeiro lugar e fico perdidamente pensativo e longe. Sem drama, sem mais enfeitar sentimentos... Eu tento, mas não considero justo.

       A necessidade deste momento é refletir sobre "expectativas": parar de esperar do outro aquilo que desejo que aconteça e saber esperar do outro aquilo que jamais pensaria que pudesse esperar. Por vezes, acabo me fechando numa espécie de proteção por medo de ser machucado, eu infelizmente, mesmo nesta altura da vida, ainda não sei lidar com as mágoas, elas demoram a deixar a minha mente, o meu corpo e meu espirito e acabam por anular as minhas melhores partes.

      Se a minha maior busca é pelo equilíbrio espiritual, energético, emocional e psicológico eu preciso vasculhar dentro de mim tudo o que me ajuda e tudo o que me magoa e colocar cada sentimento que eu encontre em seu devido lugar. Eu sei que logo, tudo passa, inclusive a vida passa. Falar abertamente sobre este assunto, mostrando onde se encontram as minhas fraquezas é uma forma de encontrar um caminho que me leve até a cura. Escrever sobre isso é apenas uma forma de me libertar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um céu para os meus voos

     Quando passei da linha dos trinta anos, tudo pareceu ter ficado mais confortável, o meu entendimento das situações ficou menos dramático, a minha maneira de encarar a vida e até a aceitação dos conflitos das relações humanas, pareceu ter ganhado outro peso, outra relevância. Pareceu: nas últimas semanas desaprendi e retornei à casa um tanto confusa dos vinte anos.

      Eu sinto sobretudo, que em minhas relações, fui me incluindo em grupos que nem tinham tanto em comum comigo. Meu espirito livre me permite se aventurar nestas relações e sempre pensar na hipótese de sugar delas novos aprendizados e energias e doar à elas algum conhecimento e energia. Aquela troca genuína que deve acontecer naturalmente. Mas adentrando nestes chamados grupos, percebi o quanto deslocado eu comecei a me sentir: são outras direções, outros sentidos, outras predileções sexuais e eu ali ao lado, tão desajustado, tentando encaixar um retângulo em um círculo, tentando parecer o mais próximo, tentando agir igual. Falha minha. Os choques de realidade sempre chegam em seu tempo e gritam para que eu acorde.

     Expectativas, desejos, sentimentos, apoios, atenção e ajuda, intensidade e sintonia, às vezes colidem. E não parece ser justo com nós. Penso então que a relação de como nos sentimos em algumas situações nunca está naquilo que o outro nos fez ou deixou de fazer: sempre estará na forma como lidamos com aquilo que o outro fez ou deixou de fazer. É difícil aceitar esta responsabilidade, assumir esta responsabilidade, pois exige uma maturidade emocional acima do limite do topo, mas uma hora ou outra, ela precisa prevalecer.

       A gente costuma projetar nos outros os erros e as falhas: não prestamos atenção muitas vezes, na maneira que podemos levemente machucar a outra pessoa e devíamos prestar mais atenção nas pequenas coisas que fazemos e em como elas podem ser consideradas maiores dependendo em como atingem. Como seres humanos, nosso ego muitas vezes esgota a possibilidade de enxergar o outro, porque geralmente nossas preocupações são egoístas e tendem a favorecer apenas a nós próprios: tudo tem de ser do nosso jeito, na hora em que consideramos melhor, quando queremos...sem considerar tanto a outra parte.

      Estranhamente, toda vez que encontro um chão em minhas relações (de todos os tipos), ele se abre em minha frente. Eu percebi que não tenho me considerado tanto quanto deveria dentro delas e tenho estendido uma ponte maior para que estas outras pessoas atravessem. Eu, enquanto isso, fico preso nas nuvens e é aqui que deve haver a minha maior mudança: talvez o chão e a terra firme não sejam assim tão necessários neste momento. Eu preciso é de um céu para os meus voos...eu preciso sentir que as pessoas em minhas relações me ofereçam um céu para meus tantos voos. Sem queda livre.