terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu cativo, tu cativas, ele cativa...

      Os significados misturaram-se em uma espécie de espiral e os sinônimos saltaram aos meus olhos como faíscas que refletiam luzes e tentavam me mostrar clareza. Mas havia assim, tanta dúvida? Pela primeira vez então, eu fiquei confuso em relação a tal fato. Tive visões imaginárias que me provocaram o estômago, a ansiedade, a minha raiva interior: imaginava cenas e queria fugir delas o quanto antes, antes que eu causasse uma destruição. Mas a destruição fora interna, em forma de perdas. Perde-se certezas, perde-se a noção de confiança plena. Novamente a culpa é minha?

    Tentei camuflar a minha falta de capacidade de não suprir as "chamadas carências" com uma distração qualquer. Sou incapaz, sou menos, sou diminuído pelas minhas dúvidas. Não sou completo. Como ser completo? Como competir com o frescor de novas possibilidades? Esqueci do quanto nunca tive esta necessidade. Fui apenas observando, fui tentando compreender, e observando, tentando decifrar, e observando. Tantos afetuosos elogios, diferentes risos, tanta proximidade e necessidade de outras energias. Afinal, talvez mais do que outras pessoas,  entendo que somos todos carregados de desejos. Como pude então não saber filtrar estas percepções. 

     Os sinônimos foram sacudidos em frente a mim como se saltassem do dicionário, falavam sobre encantamento, sobre sedução, sobre atração. Então, confundi as palavras, troquei o entendimento que eu tinha sobre elas e me retirei. Um tanto resistente talvez para alguém que levanta tanto a bandeira da liberdade e da livre escolha como eu. Tive medo, como se fosse sofrer uma espécie de morte de sentimentos. Não queria velá-los. Mágoas me jogariam novamente em um cômodo onde já passei um tempo perdido de vida. Retornei então à minha covardia e me mantive aqui, quando tudo o que deveria ter feito era ter deixado seguir.

     Precisando retornar ao meu eu. Resiliência.