terça-feira, 5 de maio de 2015

Diálogo

     Após aquela conversa,  senti um certo desconforto e uma sensação de distanciamento. Eu estava ouvindo uma grande diferença de pensamento entre nós sobre desejos. Eu estava sentindo pela primeira vez,  que talvez nosso caminho não era tão parecido quanto eu pensei ser (ou que quis tanto que fosse) e senti um certo vazio por isso. Eu havia passado tanto tempo a procura de alguém como eu: obviamente não igual a mim,  mas com uma visão sobre vida,  espiritualidade e prazeres semelhantes e, dessa forma,   me senti triste por pensar que na verdade,  poderia não ser quem eu já  havia encontrado.  Naquela conversa os pontos de interesses foram divergentes e não haveria nada de mal em uma inconformidade de pensamentos,  não fosse tamanha vontade que habitava em mim de que pudéssemos ser de algum modo, compatíveis em tudo. Mas que pretensão era a minha?  Favorecer o meu ego? Pensar que eu deveria estar como primeira opção em todas as experiências?  Como,  se o que posso oferecer de melhor ao outro é a liberdade? 

     Se aquela conversa,  me fez sentir um pouco rejeitado e até comparado, também me fez rever o meu pensamento de respeitar a condição e os desejos do outro de eu não ser a melhor escolha e desse outro sentir-se confortável com o fato de encontrar em outra pessoa uma afinidade maior e gostos iguais.  As minhas diferenças ora me favorecem,  ora me fazem sentir desajustado,  mas ainda me prefiro assim.  Pude compreender durante estes dias de reflexão sobre este assunto, que este meu entendimento pode ser aplicado em outras situações em minha jornada.  Me conforta ao menos,  o fato de eu conseguir sugar de uma conversa com respostas inesperadas,  um novo aprendizado e perceber que a maneira como algo me afeta também me ajuda a ajustar o que não está tão bom em mim (analisar meu comportamento e ciúmes por exemplo)  e,  por fim,  aceitar a minha própria condição.

     Entendo que assim é o meu caminho,  tudo o que faço, falo, ouço ou observo tem muita intensidade e talvez por conta disso algumas coisas ganham uma importância maior do que deveriam.  Nenhuma outra importância porém,  neste caso,  é maior do que a de saber dos outros sentimentos maiores que envolvem esta relação espiritual. Talvez eu apenas precise aceitar que nem tudo o que eu desejo deve se tornar real. 

     De resto,  muito amor.