sábado, 15 de agosto de 2015

Pensamento, sentimento, energia

     Aquela velha história de que atraímos o que pensamos nem sempre pode ser considerada uma regra. Se assim fosse, reuniríamos apenas todos os nossos bons pensamentos e deixaríamos em repeat numa espécie de telão dentro de nossa mente para usufruirmos somente daquilo que é necessário para nos sentirmos felizes. Mas na vida real, não é bem assim que funciona. Isso porque não há tanto tempo para simplesmente parar a descarga de diferentes  pensamentos que produzimos por minuto, o que existe é aquele nosso momento zen num final de dia ou num final de semana, onde paramos por alguns instantes. Mas se vivermos esta vida dentro das limitações da sociedade, dificilmente teremos mais tempo do que isso para nos desligarmos. Sem me desdizer, o que acredito é que tudo é energia e que sim, o que pensamos gera um sentimento e se transforma em energia, seja boa ou ruim. Se treinarmos o que pensamos, conseguiremos trabalhar melhor a nossa energia e desta forma estaremos mais abertos a receber coisas positivas. Mas discordo do fato de que nossos pensamentos negativos - os quais também considero necessários para o equilíbrio de nossa condição emocional - atraiam apenas situações negativas para a nossa vida. Sinto que até mesmo em meio aos pensamentos mais turbulentos, eu consiga absorver boas energias que chegam sempre ao meu redor, por exemplo. Há algo maior do que isso ao nosso redor.

     Esta análise surgiu porque durante esta semana em minhas horas de folga, consegui observar as pessoas andando pelas ruas e percebi que em sua grande maioria, o pensamento delas não me pareciam nada positivos por suas feições: rostos preocupados, geralmente olhando para baixo, como se tentassem alinhar os pensamentos numa espécie de diálogo interior, repassando histórias, lembranças ou outras tantas situações cotidianas: as contas, o trabalho, uma discussão, uma carência, um desentendimento, uma vontade de sentar e conversar com alguém que não podiam...não sei...Mas a maioria das expressões que observei não me pareciam nada positivas.  Pelas paradas de ônibus coletivo, as pessoas olham distantes para algum ponto enquanto pensamentos borbulham em suas cabeças. Poucas pessoas estão visivelmente felizes, com um sorriso natural no rosto. Ninguém está completo, isto é fato. Ninguém se sente inteiro: todos temos lacunas em aberto, espaços vazios,  desejos inapropriados e muita, muita luta interna.

    "Luta interna" tem aparecido de alguns textos pra cá, cuspido pelo meu subconsciente. Somos espíritos tão cheios de questionamentos e tentamos sempre andar na trilha certa nunca porém tendo a exata certeza do final deste caminho. Somos tão fortes para algumas situações da vida, tão fracos para outras. Desejamos um equilíbrio quase utópico. Enxergamos cada pessoa ou grupos de pessoas carregando suas diferentes verdades: não sabemos ao certo se a nossa verdade é válida, se existe mais de uma verdade ou se na verdade não existe verdade alguma. Percebo que muitas vezes gasto uma energia valiosa pensando nisso. Busco alívio na maior parte do tempo. Algumas de minhas inquietudes de certa forma me fazem sofrer, outras me trazem serenidade.

     Durante as últimas duas semanas mergulhei numa imensidão entupida de vazio, e entendi a minha inferioridade, até a aceitei. Sozinho, senti a completa sensação de que somos facilmente substituídos em nossas relações sejam elas quais forem,  e também me dei uns bons "tapas na cara" para que meu espírito pudesse se recompor e eu retornasse para um caminho onde a minha atenção se voltasse mais para mim do que para o outro. É em tempos como este que consigo renascer novamente, em tempos assim que consigo libertar a essência daquele que realmente eu sou. Todas estas passagens fazem parte do meu aprendizado. Feliz, triste, inteiro e vazio, sou igual a outros tantos... não carrego nada de especial e aceito esta condição.