quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um céu para os meus voos

     Quando passei da linha dos trinta anos, tudo pareceu ter ficado mais confortável, o meu entendimento das situações ficou menos dramático, a minha maneira de encarar a vida e até a aceitação dos conflitos das relações humanas, pareceu ter ganhado outro peso, outra relevância. Pareceu: nas últimas semanas desaprendi e retornei à casa um tanto confusa dos vinte anos.

      Eu sinto sobretudo, que em minhas relações, fui me incluindo em grupos que nem tinham tanto em comum comigo. Meu espirito livre me permite se aventurar nestas relações e sempre pensar na hipótese de sugar delas novos aprendizados e energias e doar à elas algum conhecimento e energia. Aquela troca genuína que deve acontecer naturalmente. Mas adentrando nestes chamados grupos, percebi o quanto deslocado eu comecei a me sentir: são outras direções, outros sentidos, outras predileções sexuais e eu ali ao lado, tão desajustado, tentando encaixar um retângulo em um círculo, tentando parecer o mais próximo, tentando agir igual. Falha minha. Os choques de realidade sempre chegam em seu tempo e gritam para que eu acorde.

     Expectativas, desejos, sentimentos, apoios, atenção e ajuda, intensidade e sintonia, às vezes colidem. E não parece ser justo com nós. Penso então que a relação de como nos sentimos em algumas situações nunca está naquilo que o outro nos fez ou deixou de fazer: sempre estará na forma como lidamos com aquilo que o outro fez ou deixou de fazer. É difícil aceitar esta responsabilidade, assumir esta responsabilidade, pois exige uma maturidade emocional acima do limite do topo, mas uma hora ou outra, ela precisa prevalecer.

       A gente costuma projetar nos outros os erros e as falhas: não prestamos atenção muitas vezes, na maneira que podemos levemente machucar a outra pessoa e devíamos prestar mais atenção nas pequenas coisas que fazemos e em como elas podem ser consideradas maiores dependendo em como atingem. Como seres humanos, nosso ego muitas vezes esgota a possibilidade de enxergar o outro, porque geralmente nossas preocupações são egoístas e tendem a favorecer apenas a nós próprios: tudo tem de ser do nosso jeito, na hora em que consideramos melhor, quando queremos...sem considerar tanto a outra parte.

      Estranhamente, toda vez que encontro um chão em minhas relações (de todos os tipos), ele se abre em minha frente. Eu percebi que não tenho me considerado tanto quanto deveria dentro delas e tenho estendido uma ponte maior para que estas outras pessoas atravessem. Eu, enquanto isso, fico preso nas nuvens e é aqui que deve haver a minha maior mudança: talvez o chão e a terra firme não sejam assim tão necessários neste momento. Eu preciso é de um céu para os meus voos...eu preciso sentir que as pessoas em minhas relações me ofereçam um céu para meus tantos voos. Sem queda livre.