sábado, 24 de setembro de 2016

Para onde o vento leva a minha oração?

     Eu posso dizer que há aproximadamente quinze anos atrás fui tocado por minha espiritualidade, ainda sem saber como conduzi-la dentro de mim. Primeiro houve o processo necessário da descrença, quando entendi a religião a qual fui batizado como um caminho que não me levava à minha verdadeira evolução. A visão do catolicismo com todos os seus dogmas, seus temores e suas penitências fizeram com que ao me afastar, eu entendesse o único poder o qual esta religião está envolvida: o poder político. Fui então, permeando outros caminhos. Eu posso ainda dizer inicialmente, que destes quinze anos os quais fui percebendo a minha espiritualidade, foram nos últimos nove anos que realmente adentrei para o meu mundo interior de forma mais completa e numa jornada repleta de buscas.

      Me interessei por algumas filosofias/religiões/ciências distintas umas das outras e neste processo, consegui filtrar de cada uma delas aquilo que me motivava a continuar a estrada, afinal não existem verdades espirituais absolutas, existem? Hoje, o pensamento mais concreto que tenho sobre a nossa inclinação a acreditar em algo que faça a nossa existência fazer sentido, é que estamos sempre a procura daquilo que amenize à nossa estadia por aqui, porque a nossa estadia por aqui é uma tanto difícil seja para quem acredita que haverá outras estadias, seja para aqueles que não acreditam em nenhuma possibilidade de outra vida além daqui. Como humanos, estamos diariamente em busca de alívios emocionais que nos levem à sanidade e há diferentes tipos de sanidade a serem perseguidas e que são absolutamente necessárias para continuarmos a caminhada: sanidade mental, sanidade espiritual, sanidade do corpo físico... Equilíbrio se torna portanto, a palavra mais poderosa em significado neste plano. É impossível separar a minha existência da espiritualidade. Ela é inerente a quem eu sou. Passei algum tempo inclusive, em uma certa turbulência interna por ter um pé neste plano e um no outro e desta forma tudo ficava mais confuso. Não havia uma entrega sem a clareza, até que a clareza chegou. Nesta miscelânea de religiosidades, culturas e filosofias tão diferentes em crenças, idéias e linhas de pensamento, qual é a verdade afinal? Se praticamente todos nós carregamos uma verdade dentro de si em que acredita e segue, como julgar a nossa verdade maior do que a do outro? Qual é a razão para discutirmos qual verdade prevalece se cada um de nós está em um tempo de evolução diferente?

     Em síntese a evolução espiritual é o que me permite acreditar na continuidade de nossa alma através do tempo. Alguns chamam de reencarnação, a volta do espirito a carne, ao corpo. Mas "acreditar" é uma palavra que prefiro trocar por "considerar", quando estou desconfiado de algo, estou considerando aquilo como possível mesmo sem uma comprovação, e mais uma vez o processo de descrença pode ajudar a clarear as coisas.  Considero que existam outras existências, e que estes antigos caminhos espirituais me trouxeram até este corpo que estou hoje e me levarão para os próximos. Reverencio desta forma os meus ancestrais.  Por considerar outras existências é que entendo que cada um de nós está em uma etapa diferente justamente por que estamos cumprindo o nosso caminho individual. Considero ainda que, por termos diferentes tempos de evolução - alguns adiantados outros atrasados - possam haver diferentes camadas espirituais para onde vamos após deixarmos o corpo físico e por isto acontece esta disparidade tão grande de pensamentos sobre existência. E se houver uma infinidade de camadas? E se houver uma infinidade de verdades ao invés de apenas uma?  Falei acima sobre caminho individual, eu entendo a nossa jornada como solitária, um linda, profunda e solitária jornada, onde por mais que tenhamos todas as pessoas para as trocas de experiências ou evolução em grupo, o aprendizado é individual, a absorção e aplicação é individual. Compreendo ainda, que as pessoas com as quais tenho uma maior conexão fazem parte de um grupo que pertence a uma mesma camada espiritual, por isso as afinidades energéticas são tão grandes e por isso acontecem os reencontros de alma por aqui.

    Em minhas práticas espirituais, sou adepto a pequenos rituais, como uma evocação de ENERGIA para aquele momento. Tenho em minha casa um local o qual chamo de '"Canto Zen", é onde eu costumo sentar e tentar me reintegrar com o que trago dentro de mim. Em meu canto o orientalismo se mistura com o indígena que se envolve com ritos latinos e abraçam plantas verdes, purificando as minhas mentalizações. As imagens e artefatos são apenas a transfiguração de uma intenção que é tornar este espaço filtros de energias positivas. Obviamente elas não carregam vida, mas se tornam instrumentos, simbologias que fortificam estas nossas intenções. Considero o pensamento em reflexão uma das armas mais poderosas para a evolução da mente, por conta disso, após tentativas frustradas de esvaziar meus pensamentos percebi que este campo energético não era de fácil acesso para mim, entendi assim uma parte importante de nossas práticas: aquilo que funciona e aquilo que não funciona é extremamente individual. Preciso do silêncio por diversas vezes porque no silêncio a nossa mente fala apenas o necessário para prestarmos atenção naquele devido momento, por outro lado, o barulho me é necessário, como músicas que me provocam o estômago com lembranças e sentimentos os quais preciso exorcizar: é um veículo intenso para esta catarse.  Percebo ainda a Natureza como o meu maior Templo, onde reconecto cada célula e onde as minhas práticas se revelam ainda mais puras. Energia sentida no vento, na água da cachoeira, na terra... E minha solitude ainda é o alimento necessário de meu espírito inquieto. Estar só, para dentro, por inteiro, me completa. Minhas orações, minhas rezas, não são orações e nem rezas, são palavras carregadas de energia com a melhor intenção, mentalizadas junto com a minha força interior. A energia que sai e se movimenta,  retorna à mim: na minha espiritualidade, repousa ela.

     Por fim, tudo é ENERGIA, acredito em energia como um poderoso aliado de nossa matéria e estou sempre tentando deixar a minha energia em harmonia com meu corpo, tento potencializá-la de uma forma a qual eu possa doar ou retribuir às pessoas ao meu redor. Sinto que estou rodeado de amparos (seres de luz, anjos, seja lá qual seja a versão ou nome que se dá à eles) e é com eles que tenho um diálogo mais direto, eles fazem esta ponte do real terreno com as tais camadas que mencionei acima, mundo paralelo. Vejo Deus como uma força divina inalcançável, enxergo Deus no Universo - o próprio Universo - não entendo esta palavra como um Ser palpável. Respeito todas as histórias sobre a Criação mas sinto que não estou aqui neste plano para desvendar este fato. Tudo já foi criado, tudo está pronto para que meu espírito avance, não se distraia, persiga a razão/propósito de estar aqui outra vez, se atente as intuições e tente deixar uma jornada inspiradora pelo caminho. A possibilidade da morte torna a vida mais encantada, temos um tempo calculado para o fim e este tempo é logo ali. A morte não me assusta, o que me assusta é a morte sem vida cumprida. Se eu considero a continuidade de meu espírito após deixar este corpo, se eu considero chegar em outra camada recebido por quem deixei lá ou seguiu antes de mim, se eu considero que é lá que o quebra-cabeça da jornada vai sendo montado com as peças que levamos daqui, e que haverá um prazo até um possível retorno, eu só não posso desperdiçar o curto tempo que tenho aqui. Eu preciso analisar, preciso questionar todas as coisas que estou fazendo e sentindo, as relações, os trabalhos, os planos, buscar que informações geram na minha jornada e então me perguntar diversas vezes: é para isso que estou aqui?  Muitas das respostas "não" já foram indicadas com luzes brilhantes. Estou no processo de desapego de todas as distrações que deixam a minha visão embaçada, principalmente no quanto a sociedade dispersa o nosso entendimento espiritual sobre a vida com convites que apenas nos levam para uma sensação vazia de felicidade material passageira.

     Nesta minha constante busca espiritual, descobri que é a alegria que nos guia neste plano. A alegria é a nossa armadura interior e é irmã da paz. Quase por isso deixei todas as minhas orações de lado e pus apenas um sorriso na alma. Mesmo com tantas dúvidas internas, mesmo com tantos questionamentos e aceitando a condição de que por muitas vezes vou me perder no caminho e que este perder-se é na verdade encontro, é reconexão, eu sinto profundamente dentro de mim que estou indo na direção correta e sigo esta estrada fluindo em energia, tendo a sensibilidade de perceber os meus parceiros evolutivos, interagindo com outros Seres de forma a expandir a mente em diálogos de troca, sem tempo para aquilo que é raso e sem profundidade de alma, precisando de muitos momentos os quais intitulei "Período de Isolamento Interno" para sacudir a poeira que acumula dentro e sobre tudo tentando arduamente melhorar o meu comportamento humano e a minha elevação espiritual. Dentro de mim, mora uma profunda gratidão por minha jornada. E eu reverencio o tempo que ainda me permite estar aqui. Nada tem sido em vão...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Funções e relações pessoais

    Com o entendimento de nossa existência neste plano, vamos nos dando conta dos papéis que representamos. Representação esta, no sentido literal da palavra. O que representamos para as pessoas que convivemos, o que elas representam para nós? Depois de alguns acontecimentos nestes últimos dias, me indago a refletir sobre este assunto.

    O que acontece é que cumprimos diferentes funções em nossas relações pessoais e precisamos ter a compreensão de que estamos no caminho de nossa evolução e que nossos acertos e erros estão ligados àquilo que conseguimos ou não desempenhar: podemos ser um grande amigo para os amigos mas falhar como namorados com nossos amores, podemos ser tios inspiradores e errarmos sendo pais. Nossa mãe pode ser a mãe mais amorosa que poderíamos ter mas não ser uma boa esposa, nossos irmãos podem ser bons homens e serem maridos ausentes, o seu amigo pode ser aquele o qual pode sempre contar e ser um funcionário a qual nenhuma empresa contrataria. E o que mais compreendo nessa análise toda, é que, ao entendermos que não vamos agradar a todas as pessoas as quais nos relacionamos, ficamos ciente de que estamos em constante processo de melhoria como Ser e conseguimos tirar das costas aquela mochila carregada de pedras. Eu nem sempre serei aquele o qual você precisa ter por perto e você poderá escolher entre manter esta relação ou afastar-se dela. Dependerá de vários fatores, principalmente quantos "sim" ou quantos "não" haverá entre nós e se há equilíbrio e dedicação mútua. 

     Exerceremos a nossa função e teremos de suportar todas as consequências pelas vezes em que não seremos completos para o outro, e vice e versa. As outras pessoas tem o direito de escolher se somos interessantes o suficiente para continuarmos em seu grupo de relacionamentos. Nós somos livres para decidir quais delas também continuam em nossa caminhada. A estrada fica mais bonita quando a clareza e leveza andam de mãos dadas, nunca esquecendo que a rota é a vida.




quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ativismo inconsciente e lúcido

     Anteriormente eu falava sobre os movimentos emocionais, psicológicos, espirituais que retornaram com força total em minha jornada, fazendo com que as teorias fossem deixadas de lado para que as ações tomassem as rédeas. Benditos sejam os movimentos! Este entendimento nos permite avançar. Durante os últimos dias passei por uma linda experiência coletiva, o que acendeu em mim uma chama ativista. Todos temos a potencialidade ao ativismo, utilizando esta palavra não apenas dentro do contexto dela, mas fluindo um pouco para outros significados, ativismo em prol de algo ou ativismo motivador: quando leio um livro que me inspira, quando ouço canções que me modificam, eu sinto que estes autores são ativistas, ainda que não saibam. Eles chegam em lugares dentro de nós que fazem acender uma luz, uma dúvida, uma força...

       Não se pode querer que as pessoas estejam abertas à sua luta, precisamos compreender. A sua luta é dada à você para que você consiga levar adiante com um grupo de pessoas que acredite na mesma causa. As outras pessoas estão formando outros grupos por causas em que acreditam. Há pessoas na batalha para ajudar crianças deficientes, outras ajudando os animais de rua, grupos atendendo mulheres violentadas, outras pessoas ainda fazendo verdadeiras doações de tempo viajando para outras localidades para voluntariados. Geralmente, temos o senso de ajudar à causas que são próximas ao que vivenciamos. Quando meu pai estava em tratamento contra um câncer, por exemplo, eu vivia cada uma das histórias daquelas pessoas neste complicado tratamento e sentia ânsia de ajudar. Toda luta e causa tem a sua importância, nem maior nem menor. Elas são necessárias para cada experiência individual, até se tornar coletiva. E este é o encanto.

       Eu estou engajado no movimento em prol de um bem maior que é pensar na NATUREZA como algo que nos foi emprestado e que precisamos deixar por aqui de uma forma que as outras gerações possam também usufruir. Eu estou enxergando de forma clara alguns fios condutores que me trouxeram até este momento da vida: o questionamento em relação à minha profissão que é tentar tornar o interior da casa das pessoas apto para ser melhor utilizado, a minha conexão com a natureza sempre a utilizando como o maior Templo a que tenho acesso... Mas, o que realmente eu posso fazer a mais em relação à isso para que me tire deste campo onde me parece tudo tão raso? O que posso fazer para modificar a parte em que considero vazia em minha profissão? Como posso agregar um significado maior á tudo isso? 

     Há um movimento sagrado chegando em meu caminho e eu quero ser digno de receber e levar adiante esta luta. Meus propósitos ganharam um sentido maior, e em minha jornada atual a minha meta é descartar tudo aquilo que não preenche os espaços: preenchendo tudo o que é vazio. Clareza, mais outra vez, muito obrigado! Eu estou saindo das lutas internas para o coletivo das lutas que podem mudar situações. E você, pelo o que está lutando?

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Movimento

     Se eu tivesse que escolher a palavra que considero mais bonita hoje, seria "jornada", no sentido amplo de viagem, caminhada, estrada, espiritualidade. Ela me sugere ainda "movimento" palavra  que adentrou em meus dias com muita força. Tudo inicia por um movimento, principalmente a saída da inércia. Se as pessoas me perguntassem como estou hoje, diria "em movimento", porque dizer estar bem ou não faz parte apenas de nossas respostas prontas, sem conteúdo, sendo uma forma bastante rasa de encerrar o assunto por ali. Quando estamos em movimento estamos avançando, fazendo nossas moléculas mexerem-se, nosso sangue circular mais potente, aumentando a nossa capacidade mental. E sobretudo, estamos deixando de apenas nutrir as nossas teorias, passamos a desenvolvê-las, carregando-as de força. Traçamos caminhos e desejamos ventura.

    Tenho concordado com uma frase pronta que diz: "Relaxe: nada está sob controle" que vejo  seguidamente vagando pelas redes sociais. Se acreditarmos por exemplo, que Deus exista realmente - pensando na hipótese de isto ser uma verdade absoluta que independa de qualquer religião ou filosofia - eu diria que Ele mesmo já perdeu o controle sobre as coisas há uma bocado de tempo. Principalmente sobre a humanidade. E ainda que, tudo "estivesse nas mãos de Deus", seria uma covardia tremenda de nossa parte não assumir as nossas responsabilidades diante das escolhas e da vida, não seria? Porém, se é difícil manter as coisas sob controle, relaxar é uma tarefa ainda mais complicada. Nesta jornada nos resta então, tentar atingir o equilíbrio, que é primo-irmão do controle e sendo de uma mesma família, também não se deixa seduzir tão fácil.

     Inicio agora, um dos meus maiores movimentos internos justamente pontuados na falta de controle e equilíbrio que tenho no tipo de vida que levo e, no quanto esta forma como estou vivendo não tem me ajudado energeticamente, ao contrário. Estou precisando sair desta rede a qual constantemente me deixa sufocado, como se a angústia flutuasse dentro de meu estômago não podendo ser expelida para lugar nenhum. Eu preciso cuspir isto para fora antes que meu corpo adoeça. A esta primeira etapa, chamo "Movimento"(emocional, psicológico e espiritual). É a partir de nossas ações que podemos modificar aquilo que queremos, caso contrário, perderemos a vida sem dar um sentido pleno à ela, reclamando sem sair do lugar, a espera de um milagre que não acontecerá. Pelo meu caminho, eu assumo a responsabilidade e a direção.

    Cheguei em um momento após os meus trinta anos, em que reconheço em mim um trauma e a necessidade de curá-lo. Este trauma é gerado pela minha profissão. Estar no mundo dos negócios tendo total aversão a sociedade material do "ter de, adquirir", e ainda assim, tendo certa habilidade em me adaptar a esta por conta de minha necessidade, fez com que eu chegasse no limite do que eu poderia ainda carregar e suportar. Durante os últimos anos, encarei empregos onde eu não me sentia satisfeito, fui experimentando lugares e me sentindo cada vez mais insatisfeito,  acumulando entulhos emocionais dentro de mim, devido a todos os outros sentimentos que aglomeraram-se junto à minha infelicidade: a certeza de não estar em meu caminho, a rotina esmagadora dos negócios, a ansiedade da parte dos chefes em momentos em que os negócios falham, a pressão interna e externa, o desejo emocional de abandonar e deixar estes lugares para trás, o pensamento racional de não poder desistir... Trabalhando em uma função em que outras pessoas conseguem exercer facilmente, no meu caso, há um bloqueio interno que me impede de sentir o prazer da existência. Me sinto espiritualmente sem razão, sem um propósito que faça sentido.

    Carreira, sucesso, estabilidade financeira, e trabalho, muito, muito trabalho, para deixar todo o tempo que gastamos neste espaço, aqui. Ganhamos ou perdemos? Não quero nada, em minha absorção de entendimento do que estou tentando fazer neste plano, sei apenas que tenho uma data limite chamada morte, e quando esta data chegar, devolvo tudo o que peguei emprestado, nada posso levar. Qual sentido teria eu para continuar a levar uma vida a qual não me faz feliz? 

    Vou em busca de minhas próprias respostas.