sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Movimento

     Se eu tivesse que escolher a palavra que considero mais bonita hoje, seria "jornada", no sentido amplo de viagem, caminhada, estrada, espiritualidade. Ela me sugere ainda "movimento" palavra  que adentrou em meus dias com muita força. Tudo inicia por um movimento, principalmente a saída da inércia. Se as pessoas me perguntassem como estou hoje, diria "em movimento", porque dizer estar bem ou não faz parte apenas de nossas respostas prontas, sem conteúdo, sendo uma forma bastante rasa de encerrar o assunto por ali. Quando estamos em movimento estamos avançando, fazendo nossas moléculas mexerem-se, nosso sangue circular mais potente, aumentando a nossa capacidade mental. E sobretudo, estamos deixando de apenas nutrir as nossas teorias, passamos a desenvolvê-las, carregando-as de força. Traçamos caminhos e desejamos ventura.

    Tenho concordado com uma frase pronta que diz: "Relaxe: nada está sob controle" que vejo  seguidamente vagando pelas redes sociais. Se acreditarmos por exemplo, que Deus exista realmente - pensando na hipótese de isto ser uma verdade absoluta que independa de qualquer religião ou filosofia - eu diria que Ele mesmo já perdeu o controle sobre as coisas há uma bocado de tempo. Principalmente sobre a humanidade. E ainda que, tudo "estivesse nas mãos de Deus", seria uma covardia tremenda de nossa parte não assumir as nossas responsabilidades diante das escolhas e da vida, não seria? Porém, se é difícil manter as coisas sob controle, relaxar é uma tarefa ainda mais complicada. Nesta jornada nos resta então, tentar atingir o equilíbrio, que é primo-irmão do controle e sendo de uma mesma família, também não se deixa seduzir tão fácil.

     Inicio agora, um dos meus maiores movimentos internos justamente pontuados na falta de controle e equilíbrio que tenho no tipo de vida que levo e, no quanto esta forma como estou vivendo não tem me ajudado energeticamente, ao contrário. Estou precisando sair desta rede a qual constantemente me deixa sufocado, como se a angústia flutuasse dentro de meu estômago não podendo ser expelida para lugar nenhum. Eu preciso cuspir isto para fora antes que meu corpo adoeça. A esta primeira etapa, chamo "Movimento"(emocional, psicológico e espiritual). É a partir de nossas ações que podemos modificar aquilo que queremos, caso contrário, perderemos a vida sem dar um sentido pleno à ela, reclamando sem sair do lugar, a espera de um milagre que não acontecerá. Pelo meu caminho, eu assumo a responsabilidade e a direção.

    Cheguei em um momento após os meus trinta anos, em que reconheço em mim um trauma e a necessidade de curá-lo. Este trauma é gerado pela minha profissão. Estar no mundo dos negócios tendo total aversão a sociedade material do "ter de, adquirir", e ainda assim, tendo certa habilidade em me adaptar a esta por conta de minha necessidade, fez com que eu chegasse no limite do que eu poderia ainda carregar e suportar. Durante os últimos anos, encarei empregos onde eu não me sentia satisfeito, fui experimentando lugares e me sentindo cada vez mais insatisfeito,  acumulando entulhos emocionais dentro de mim, devido a todos os outros sentimentos que aglomeraram-se junto à minha infelicidade: a certeza de não estar em meu caminho, a rotina esmagadora dos negócios, a ansiedade da parte dos chefes em momentos em que os negócios falham, a pressão interna e externa, o desejo emocional de abandonar e deixar estes lugares para trás, o pensamento racional de não poder desistir... Trabalhando em uma função em que outras pessoas conseguem exercer facilmente, no meu caso, há um bloqueio interno que me impede de sentir o prazer da existência. Me sinto espiritualmente sem razão, sem um propósito que faça sentido.

    Carreira, sucesso, estabilidade financeira, e trabalho, muito, muito trabalho, para deixar todo o tempo que gastamos neste espaço, aqui. Ganhamos ou perdemos? Não quero nada, em minha absorção de entendimento do que estou tentando fazer neste plano, sei apenas que tenho uma data limite chamada morte, e quando esta data chegar, devolvo tudo o que peguei emprestado, nada posso levar. Qual sentido teria eu para continuar a levar uma vida a qual não me faz feliz? 

    Vou em busca de minhas próprias respostas.