domingo, 14 de maio de 2017

TRINTA E TRÊS: A IDADE DO SER

   Encerrei há poucos dias a difícil tarefa de sustentar um número como o trinta e três como idade terrena agregada a soma de minha data de nascimento que também resulta em trinta e três. Talvez por conta disso, o último  ciclo tenha sido tão pesado, cheio de desvios de rota que não me levaram a lugares muito confortantes e com tantas portas que eu mesmo fechei dentro de mim. Algumas outras portas, o Universo tratou de bater em minha frente. O Universo, este lindo Guia que com sua sabedoria tenta me mostrar o caminho e me pede atenção: "não se distraia de sua direção" sopra constantemente em meus ouvidos, e eu, volta e meia me perco em atalhos errados.

    Confesso no entanto, este tempo foi arrastado e recheado de "nãos" e de provações e de muito, muito silêncio interno. A palavra "movimento" continua sendo prioridade em meu caminho, já que a estagnação tentou entrar e permanecer ao meu lado neste último ciclo. Mas eu me movo, aqui ou ali, por baixo ou por cima, eu me mudo, eu deixo pra trás, e recomeço. Há um desgaste de energia por conta disso, mas sempre é a melhor saída. Energia fluída.

     Há uma grande simbologia por trás do numero trinta e três, a numerologia o trata como número mestre onde o portador tem em seu acordo anterior a sua vinda para este lado, uma grande entrega espiritual e emocional e ajuda humana, onde muitas vezes beneficia mais as pessoas ao seu redor do que a si mesmo, entre tantos outros aspectos. Algo que sinto por diversas vezes e talvez muito por conta disso, há uma visão de centralidade direcionada à mim da maioria das pessoas com as quais eu convivo. O fato é que a centralidade que tanto busco e ainda está longe de ser alcançada, provém de todos os meus mergulhos profundos ao fundo do poço (já seco), em um emaranhado de experimentações emocionais onde após a queima de todos os sentimentos que não servem mais, eu retorno até a claridade e aos poucos vou me tornando quem vim pra ser.


     Na impermanência de todas as coisas, eu agradeço a minha permanência neste plano existencial a fim de concluir os propósitos espirituais de minha jornada. Cada acontecimento em seu devido tempo e lugar!




segunda-feira, 20 de março de 2017

A teoria do sempre, acaba

     A  maioria das pessoas que vou conhecendo pelo caminho ou que já fazem parte de meu círculo de convívio, demonstra um apego absoluto à palavra "sempre". Nada pode ser perecível em se tratando das relações e de outras metas pessoais, tudo deve durar o tempo eterno: o namoro, o casamento, o trabalho, os imóveis, os amigos para sempre! Já pessoalmente, desde que me inclinei para o lado espiritual de minha existência Terrena, o "para sempre" não me atrai mais: eu prefiro a verdade. Com o entendimento de que a vida, nosso bem maior finda, as aflições e a prisão que o "para sempre" oferece estão cada vez mais sendo deixadas para trás.

     O melhor tempo é o presente: ponto. Buda e até mesmo qualquer poeta ou escritor ou cronista, ou aquele cara bêbado sentado no bar choramingando a perda da pessoa amada já ensinaram isso "aproveite o seu tempo, ele acaba!". Tudo termina, então qual é o medo? Qual é objetivo de eternizar tudo o que fazemos se até mesmo o nosso Ego, este que quer continuar a viver nas memórias das pessoas por aqui mesmo após a nossa morte, ele se perderá no sentido após o esclarecimento?

     Nosso grande equívoco foi ter lido, assistido e ouvido histórias onde os personagens foram felizes para sempre. Foi aí que este tal de "sempre" se impregnou em cada desejo nosso. E a cada "casal feliz", a cada "melhores amigos", a cada "sócios imbatíveis nos negócios", muitas pessoas passaram a acreditar em receitas prontas para a felicidade e a eternidade, como se não houvesse uma complexidade emocional gigante vivendo dentro de cada um. Estas mesmas pessoas, extinguiram ainda, o fato de que cada Ser está em sua caminhada evolutiva dentro do nível atingido e que somos almas que carregamos propósitos, carmas e darmas diferentes. Jamais haverá uma receita para sermos felizes, os ingredientes para tanto são individuais, então faça você mesmo o seu melhor prato.

     Eu percebo que em nosso processo diário de buscas, desperdiçamos tempo demais tentando compreender o outro ao invés de nos concentrarmos em nosso autoconhecimento. Gastamos energia à toa com alguém que está lá em seu próprio processo de entendimento de quem é, do que quer, do que se importa. Não precisamos travar esta luta pois ela é dispensável: o outro existe sem nós, já nós precisamos procurar motivos para nos manter existindo. 

    Qual é a sua paixão? O que te entusiasma? Qual é a sua idade emocional, espiritual, física, biológica? Quais as diferenças que existem entre elas? Você viverá para sempre? Você será feliz para sempre? Você será triste para sempre? Em qual momento de sua existência você compreenderá que somos presenças temporárias por este mundo? E em qual momento de sua vida você entenderá o que realmente te trouxe até aqui? Olhe para dentro, ainda há tempo... mas nem sempre terá.

      Vida que segue...


sábado, 4 de março de 2017

Reciprocidade

Poucas, bem poucas coisas perduram sem reciprocidade se tratando de relações. É como se elas fossem costuradas com um fio produzido por esta palavra. Vamos construindo nossos laços e necessitamos de ações mútuas para que haja equivalência nos sentimentos. Não há equilíbrio em uma balança quando uma das bandejas carrega mais peso, da mesma forma acontece em nossas conexões pessoais, então vamos analisando nossas convivências cabendo somente a nós as escolhas de continuarmos nas relações ou nos retirarmos delas. Escolhas: a escolha do outro por exemplo, influencia diretamente em nossas decisões.

Isso significa que quando oferecemos algo, queremos receber outro algo em troca? Não. Ainda que não sejamos feitos de uma bondade genuína a la Madre Tereza de Calcutá, não é sobre estes valores que menciono aqui, eu não falo de permuta. Há um contexto mais amplo para encaixar reciprocidade, há uma atenção que precisamos constantemente exercer sobre os nossos afetos, pessoas tão próximas à nós que estão de mãos estendidas. Se alguém me oferece água para ajudar a saciar a minha sede, eu não preciso necessariamente retribuir com água, eu posso oferecer uma cama em minha casa para um repouso à esta pessoa quando ela necessitar. Se ela me ajudar financeiramente e eu não tiver como fazer o mesmo por ela, posso ajudar sendo o melhor ouvinte que ela já teve. É uma troca saudável de ações onde cada indivíduo oferta aquilo que pode já que estamos em diferentes níveis de evolução. O que não podemos é retribuir com a nossa falta, com os nossos "nãos" ao ouvirmos tantos "sim". Desse jeito permitimos que as pessoas cansem, se retirem e repousem sua energia em outros corações. As relações tornam-se apenas lembranças.

Geralmente quando isso acontece, colocamos o peso das separações nas escolhas do  outro, quando deveríamos olhar para dentro e numerar as nossas faltas.  Quando uma pessoa nos ama e nos enxerga de uma forma positiva, em nada vai alterar quem realmente somos em essência. Do mesmo modo, se ela deixar de nos amar e passar a nos enxergar de forma negativa, continuaremos a ser a mesma pessoa que ela antes amava. O que muda é a percepção dela, não a alma que carregamos dentro de nós... Mas se soubermos que retribuímos na mesma intensidade quando foi necessário, nossa beleza interior não terá se perdido. 

Tantas pessoas entraram e saíram de minha jornada em curtos ou longos períodos de tempo, faço então uma saudação àquelas que verdadeiramente são constância. Só não sou mais repouso ao que não é recíproco, se for para permanecer, que seja mútuo.