sábado, 4 de março de 2017

Reciprocidade

Poucas, bem poucas coisas perduram sem reciprocidade se tratando de relações. É como se elas fossem costuradas com um fio produzido por esta palavra. Vamos construindo nossos laços e necessitamos de ações mútuas para que haja equivalência nos sentimentos. Não há equilíbrio em uma balança quando uma das bandejas carrega mais peso, da mesma forma acontece em nossas conexões pessoais, então vamos analisando nossas convivências cabendo somente a nós as escolhas de continuarmos nas relações ou nos retirarmos delas. Escolhas: a escolha do outro por exemplo, influencia diretamente em nossas decisões.

Isso significa que quando oferecemos algo, queremos receber outro algo em troca? Não. Ainda que não sejamos feitos de uma bondade genuína a la Madre Tereza de Calcutá, não é sobre estes valores que menciono aqui, eu não falo de permuta. Há um contexto mais amplo para encaixar reciprocidade, há uma atenção que precisamos constantemente exercer sobre os nossos afetos, pessoas tão próximas à nós que estão de mãos estendidas. Se alguém me oferece água para ajudar a saciar a minha sede, eu não preciso necessariamente retribuir com água, eu posso oferecer uma cama em minha casa para um repouso à esta pessoa quando ela necessitar. Se ela me ajudar financeiramente e eu não tiver como fazer o mesmo por ela, posso ajudar sendo o melhor ouvinte que ela já teve. É uma troca saudável de ações onde cada indivíduo oferta aquilo que pode já que estamos em diferentes níveis de evolução. O que não podemos é retribuir com a nossa falta, com os nossos "nãos" ao ouvirmos tantos "sim". Desse jeito permitimos que as pessoas cansem, se retirem e repousem sua energia em outros corações. As relações tornam-se apenas lembranças.

Geralmente quando isso acontece, colocamos o peso das separações nas escolhas do  outro, quando deveríamos olhar para dentro e numerar as nossas faltas.  Quando uma pessoa nos ama e nos enxerga de uma forma positiva, em nada vai alterar quem realmente somos em essência. Do mesmo modo, se ela deixar de nos amar e passar a nos enxergar de forma negativa, continuaremos a ser a mesma pessoa que ela antes amava. O que muda é a percepção dela, não a alma que carregamos dentro de nós... Mas se soubermos que retribuímos na mesma intensidade quando foi necessário, nossa beleza interior não terá se perdido. 

Tantas pessoas entraram e saíram de minha jornada em curtos ou longos períodos de tempo, faço então uma saudação àquelas que verdadeiramente são constância. Só não sou mais repouso ao que não é recíproco, se for para permanecer, que seja mútuo.