segunda-feira, 3 de novembro de 2008

(Divagação)

(Fragmento importante de um texto de 2005, iniciando mudanças internas)

"...Meus propósitos na vida estão cada vez mais claros e objetivos e tenho tentado entender todas essas coisas que me envolvem no momento... Mas relacionando as decepções que já causei na minha vida para os outros (e sei que também foram muitas), com as que eles já me causaram, resolvi ter um afastamento maior, de pessoas. Na verdade, como há um tempo disse, tenho tirado de minhas frases coisas como “pra sempre”, “nunca vou deixar de” ou “pra vida toda”...Isso me ajuda a compreender que temos mesmo é que aproveitarmos aquele momento específico seja com nossa família, amigos ou nosso amor...Pois uma hora aquele momento específico acaba, e se soubermos disso, já tivermos compreendido isso, sofreremos menos e magoaremos menos. Não quero culpar ninguém mais, ainda que decepções me causem tristeza. Quero tentar entender que a vida é assim, ás vezes estamos rodeados por pessoas que achamos que estarão a vida toda ali, e outras vezes essas mesmas pessoas escapam, antes mesmo que se perceba ou entenda o porque. E isso tudo mudou muito dentro de mim."

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Reeditado 21/04/2015


domingo, 26 de outubro de 2008

O encontro julgado

(Texto de 24 de abril de 2005)

     Estranho é sentir um equívoco de sentimentos. Estranho ter sentido isso num encontro tão... Chamaria eu, isso de culpa por ter sido guiado pela emoção ao invés da razão? Minhas palavras de personalidade aparentemente sólida transfiguraram-se em pontos de interrogação e ao que parece, tornaram-me sofista. Pensei eu que transparecia os antônimos grudados em minhas frases, porém me mostrei apenas montado em minhas quatro patas que se fizeram presente no meu ato de errar. Questiono meu fracasso humano como algo inesperado de razões muitas. Centrado estaria eu ao não cometê-lo ou ao fazê-lo como assim o fiz? As situações puseram-me pensativo dentro de um conflito com o qual não sei mais como lidar dentro de mim. Os olhos alheios puseram-me assim mas entendo o não entender. Questiono novamente meu ser tão visivelmente afetado com estas questões pendentes do chamado “inicio do término de uma amizade”. Embora não acredite que algo único possa acabar. A dopamina daquele momento fez-me sentir arrependido de não ter sentido o velho gosto amargo na boca quando a saliva da angústia trancava em minha garganta. As lágrimas do ataque de choro do dia seguinte tornaram-me desequilibrado. Deveria eu ter guardado apenas a mim a brutalidade das palavras dos momentos em que detestei nosso afastamento e que sangrei, porém, seguro de que estava dentro de um quadro psicológico normal àquele sentimento de instante, acabei as expulsando com a ajuda destas cordas vocais impregnadas com o sufoco, expelido pelos desabafos. Me torturo agora a essa razões. 

     Desconheço em mim, situação como esta em que hesitei em falar e isso me faz a partir de então comprometer-me com meu silêncio. Será difícil para mim sentir-me agora confortável em mostrar-me exatamente da maneira como me sinto. Sinto-me diminuído ao grau que orgulhosamente acredito que meu ser evoluiu ou sinto-me apenas um humano que mesmo sentindo sentimentos antônimos dentro de si por aquela pessoa tão importante e única, deixou ser levado pelo que supostamente naquela hora se fez melhor? Ao menos não me sinto covarde ao admitir essas coisas, pois a covardia é algo que não cabe em mim. Sinto-me ausente ao lembrar do encontro e pergunto-me por que não me preparei antes de tê-lo. Me culpo por sentir-me ausente pois assim me sinto por ter criado lados adversos dentro de mim mesmo. Alguém perdoe minha criação! No entanto, sinto necessidade de expressar minha ação no desejo de sentir-me em paz entre o que eu disse antes e o que fiz depois. Não apaguei de minha memória as mágoas que por tempos me doeram e ainda doem, mas... Se pareceu contraditório, dou àquele encontro outro significado para que meu Ser pequeno tão interessado em aprender sobre si mesmo possa tirar proveito disso e usar quando em outra ocasião for inevitável acontecer. Digo que foi um momento em que minha reação foi o reflexo dos vários sentimentos que misturados tornaram difícil o ato de não aceitar que as palavras que ouvi despertassem em mim velhos sentimentos antes somente bons e que por outrora estavam esquecidos devido à ocupação presente de sentimentos tão contrário a eles. Foi algo que não pude evitar devido à ação que eu não esperava e a reação que se fez. Tento entender que fez parte de um momento em que por mais magoados que estivéssemos um com o outro, não conseguimos simplesmente deixar isso ser mais forte que o amor que nos faz ser tão importante um para o outro. Fomos grandiosos e ao invés de criticados deveríamos ter sido aplaudidos. 

    Sinto-me carente de desculpas e minha ansiedade desde então é por um diálogo definitivo. Aquele abraço apertado e as coisas que me disse segurando em meu rosto e olhando no fundo de meus olhos despertou-me para um entendimento. Não sou o dono das razões e nem quero ficar remoendo coisa alguma. Acredito que os momentos mudam e a vida às vezes nos faz engolir coisas que dizemos. Aliás, a vida muda muito e esse foi o ponto onde todos os conflitos começaram. Embora isso não nos tire os grandes erros que cometemos. Neste caso, só não entendo o não entender. Quero aceitar os conflitos pelos quais vou passar na vida com a clareza de quem consegue entender sentimentos. Questiono o tempo e as situações em que o destino me coloca. Devia eu ter evitado aquele abraço só porque havia comentado sobre o quão grande era a mágoa que eu sentia? Deveria ter dado o abraço, me fingido de surdo e esquecido as palavras de uma das pessoas que mais me ama profundamente? Ou deveria ter aproveitado e ter feito daquele momento a união de nossas almas rompidas? Nada disso fiz. Essa situação colocou-me ambivalente desde o inicio e pensei ter me mostrado transparente a esse sentir. Minha tortura mental está desgastando meus pensamentos e minha postura em relação ao que sinto tem me deixado confuso. Ao que demonstrei aos outros sentir, ao que sinto aqui dentro e ao que não quero sentir. Deixo de ser agora alguém vulnerável ao ambiente de conversas de alívios das dores emocionais para me manter protegido de minhas próprias palavras. E reafirmo a posição a tudo que envolve o sentido do que escrevi aqui. Contudo o encontro que me fez errar pelas coisas que disse que não queria ter feito e fiz, mesmo tendo me deixado confuso e agora recolhido mostrou-me que minha evolução pessoal segue adiante e que espiritualmente consegui ainda que inconscientemente mostrar a mim mesmo que o amor não pode ser menor e mais fraco do que as mágoas e isso me torna um curioso observador de minha própria vida que tenta encontrar a base certa para manter uma condição emocional equilibrada. Sinto um grande amor por essa pessoa com quem compartilhei os momentos mais profundos, os segredos mais escuros e as alegrias mais empolgantes da minha vida. Sem que ela saiba, continua sendo parte concreta de meu espírito e mesmo que "nosso antes" não exista mais, sei que um dia encontraremos o caminho certo da aproximação. Um só espírito dividido em dois corpos era o que éramos... E precisamos saber como voltar a ser. Meu amor nunca diminuirá. Torno-me apesar disso, uma pessoa ponderada a fim de desenvolver minha capacidade emocional à meu favor. Estranho sentir um equivoco de sentimentos. Me torturo agora a essas razões. 

sábado, 25 de outubro de 2008

Terra dos Corações Cuidados

(Texto de 2004) 

     Eu nunca me senti desse jeito antes... 
  Tenho sentido o prazer de viver um sentimento puro, leve, saudável e intenso. Um sentimento que me eleva, que me faz sentir feliz de uma maneira que achava que não poderia. Já perdi a noção do quanto isso cresceu dentro de mim e embora não se possa medir, se houvesse como, seria grande demais. Estou sentindo algo muito forte, algo que mexe com minha alma, sinto isso com meu espírito. Esta é a parte do amor que eu não conhecia que faltava conhecer e que pensava que não conheceria, que não me era permitido sentir. Encontrei alguém que me faz sentir incrivelmente bem, que me conquistou a cada dia e que hoje faz parte das pessoas mais importantes que tenho. Estou levando uma relação exatamente como quero: madura, aberta, com muito diálogo, respeito, cumplicidade, carinho, paixão e reciprocidade. Há uma sincronia, uma química tão grande entre nós que às vezes me pergunto: onde estávamos antes? Por que não nos encontramos mais cedo? É que tudo tem seu tempo eu sei. Antes, eu precisava sentir o outro lado nada bom disso e senti, sofri, caí, levantei e de tudo nada esqueci e ao contrário aprendi muito porque me fez uma nova pessoa, me fez crescer emocionalmente. Tenho plena consciência do que estou sentindo, é tão bom e tão pra frente. Meu coração nunca esteve tão tranqüilo, tão bem cuidado. Encontrei alguém com quem posso fazer todas as coisas. Com quem posso rir e chorar, falar sério e dizer as bobagens mais tolas e ficar em silêncio. Com quem posso ter os momentos mais agradáveis e tornar os mais simples em únicos. Nunca senti isso por ninguém. É algo para muito tempo ou para lembrar com a saudade mais bonita se um dia acabar. Tudo nesse curto tempo foi bem aproveitado. Tenho tentado agir da maneira mais correta, tenho passado a ela as coisas que sei, as poucas experiências que tive, mas o melhor é o que aprendemos juntos. Nossa relação é amável e segura e precisa manter isso juntamente com a liberdade (sem ciúme excessivo), pois acredito que liberdade e segurança são base para manter uma relação saudável. Somos parecidos nesse sentido, de como levar nossa relação e temos feito um bem enorme um ao outro. Dela tenho o apoio que preciso e ela se sente tão protegida ao meu lado. Somos fortes e frágeis. Temos nossos dias ruins, nossas horas quietas, acho importante respeitar o espaço um do outro. Viver é não ser a mesma coisa o tempo todo e acredito que uma relação também deva ser encarada dessa forma. Nada é bom para sempre nem ruim para sempre e defeitos e qualidades andam juntos e precisam ser expostos. Há que se ceder, defeitos não acabam, mas podem ser melhorados, é preciso saber lidar com eles. Se estamos juntos então compartilhamos nossas vidas, por isso precisamos fazer isso da melhor maneira. 

     Me sinto conectado com essa pessoa e nesse momento isso me faz sentir espiritualmente ligado a ela. Quando digo que alguém está conectado a mim é porque de algum jeito essa pessoa conseguiu mexer com minha alma e se alguém consegue mexer com minha alma é porque inconscientemente consegui a sentir e o mais importante a aceitar. Minha alma é a melhor coisa que posso oferecer, compartilhar com outra pessoa. É ótimo poder estar com alguém assim. Tenho ganhado muito, tenho observado novas partes em mim, partes boas, partes que acabariam se revelando assim que eu começasse a dividir minha vida com alguém. Minhas propostas mudaram, algumas opiniões mudaram, outras se fortaleceram. Nunca pensei tanto num futuro, talvez porque em outros tempos ele parecia ter um limite pra mim. Quero poder oferecer coisas boas a ela. Meu amor mudou muito e talvez tenha evoluído com o pouco que evoluí e esse amor tem entendido muitas coisas principalmente em relação às pessoas ao meu redor, as mais importantes de minha vida. Descobri que amar alguém não implica em ficar com essa pessoa o resto da vida. A vida muda muito e apesar de todo o amor nem sempre os gênios são compatíveis. Viver com alguém é um aprendizado constante de nossa própria personalidade e o segredo está em saber lidar com cada comportamento, com cada variação de humor. É difícil equilibrar sentimentos, mas é satisfatório quando se consegue. Percebi que o ato de se doar é natural e que não gosto de condições e cobranças. Manter uma relação saudável é minha preocupação. Tenho entendido que o amor deve ser celebrado. É esse sentimento que tenho consumido. Tenho me sentido preenchido e espero que esse sentimento se fortaleça a cada dia. Essa é uma nova e grande fase da minha vida, se tratando do coração e quero absorver tudo de bom que eu puder disso. O interesse que nos uniu se transformou na paixão mais saudável e a intensidade dessa paixão está nos mostrando o significado e o aprendizado de viver esse sentimento grandioso que é o amor.



Registro de Julho de 2007 (Nossos 3 anos juntos)

Registro de Março de 2014 (Comemoração de nossos 10 ciclos juntos)

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Reeditado em 21/04/2015

                                

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Terra dos Corações Estraçalhados

“Um desejo doentio e destrutivo me causou dores e arrependimentos sentidos e me fez absorver lições para uma nova visão de sentimentos expostos. Me lamento ao lembrar desta temporada que se estendeu do ano de 2001 a 2003, um período bastante perturbador. Não lamento pelo sentimento, mas pela maneira como não soube lidar com tamanha obsessão. Quase me perdi no sentir. Emocionalmente irresponsável, eu me perdi num jogo estranho, mas consegui me reencontrar antes do fim. Sinto tristeza ao lembrar do que causei a minha vida naquele momento. Carrego comigo ainda, apenas o que pude aprender. A vulnerabilidade a um estado psicológico confuso pode ser encarada como força depois. Essa vulnerabilidade me ajudou a perceber com clareza o que passei. Me ajudou a falar abertamente sobre o assunto como forma de auto-ajuda, ou seja, quanto mais destilava minhas razões, mais forte me sentia, a medida que os sentimentos esvaziavam-se por si só. Hoje percebi que ninguém mais do que eu mesmo me causei tais coisas. Tudo parece agora tão distante e nada real: as dores, a doença e principalmente a confusão interna causada por uma paixão (sem reciprocidade). E tudo foi deixado para trás. Porém das coisas que me pertencem ainda, guardo comigo o interesse de conhecer e aprender sobre mim mesmo. E encaixo os fragmentos bons em minha personalidade, até porque ela foi moldada a partir de então...”



(Texto de 03 de agosto de 2003): Terra dos Corações Estraçalhados


       Estou nesta terra, a “Terra dos Corações Estraçalhados”. Eu sei que este não é meu lugar, eu conheço as minhas possibilidades e estou condenado por minha própria condenação. Estou no meio do nada, no meio de falsos sorrisos, apenas entupido de vazio. Sobrevivendo ( se é que se pode chamar isso, de bom). Mas este é só mais um dia daqueles em que o ruído rouco das dores sai escondido atrás de cada palavra que digo, escondido na surdez de quem nada ouve, de quem nada sabe. Eu estou nesta terra, a “Terra dos Corações Estraçalhados”, a terra dos cegos da realidade. E como fugir? Como fugir se a fuga é inútil quando sou a própria grade que me prende? Sou prisioneiro de uma escolha insistente, estou desperdiçando meu tempo, mas estou esperando minha vez. Parte do que sou grita calada, metade do que sou apenas respira e um pedaço de mim já está destruído. Isso é auto-retaliação, isso é rejeição própria, já que esta é a terra, a “Terra dos corações estraçalhados”. Não teria como dormir e acordar em outro mundo? Minha ruínas, minhas questões infantis, meu egoísmo gelado, minha hipocrisia barata, meus desejos estúpidos. Eles me machucam, me ferem, me doem, me agridem, me arrebentam. Eles me fazem chorar seco. 
         E este é o hospital da “Terra dos Corações Estraçalhados”. Estou internado há alguns dias. De vez em quando venho parar aqui. Já que ás vezes meus batimentos fraturam alguma veia de meu fraco, mas grande coração. Logo sairei... O que tenho feito de minha vida? O que tenho feito comigo? Estou desconsertado, dependente de outros para minha reconstrução ou talvez não. Sei que sou minha própria cura. Estou perdido, esquecendo de outras coisas que estão a minha volta, esperando por coisas que não virão, andando, correndo, avançando e voltando para o mesmo lugar. Quem poderia enganar? Sou hoje parte daquilo que nunca imaginei que seria. Às vezes caio, às vezes me mantenho em pé, já que meus ossos, ao menos eles se mantém firme. Lamentações inúteis... 
     Estou nesta terra, a “Terra dos Corações Estraçalhados”, acredito que se todos soubessem, alguns gostariam de me tirar daqui. Mas para onde ir e por que ir? Antes este, do que lugar algum. No fundo, sei que gosto disso. Alguém pode me dar um bom motivo para sair daqui? Na verdade, acho que não quero sair. Estou bem escondido. Deixem-me aqui, sozinho com minhas dores. Deixar seguir, deixar passar, deixar sentir... O resto? O resto é silêncio.”

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(Texto de 18 de abril de 2001): Nem perto

“Não ficar nem perto de você é meu medo. 
Pensar que não pode acontecer dói no peito. 
Esta é minha própria retaliação, em meu interesse não há mutuo sentimento. 
Minha voz arranha trêmula meu silêncio doído e meu engano, causa meu estado. 
Embora eu já tenha sofrido com isso de várias maneiras, os mesmos pensamentos repetem-se sem parar. 
Ainda que sem paciência te esperaria pela vida inteira, mesmo sem saber o que posso esperar. 
Não ficar nem perto de você é meu medo.
 Pensar que não pode acontecer, já dói no peito. 
Esta é minha própria punição, mas ainda posso disfarçar com bebidas e divertimento. 
Este é meu sacrifício, este é meu falso domínio. 
Minha esperança é minha fiel companheira. 
Meu desejo, meu atual caminho. 
Eu estaria me lamentando se dissesse que preciso de atenção urgente? Eu estaria me humilhando se falasse que tua presença já é suficiente?
 Não ficar nem perto de você é meu medo.
 Pensar que não vai me querer dói no peito.
 Esta é minha própria condenação, já não sei como esconder meu sofrimento. 
Onde está minha reação? Não me jogue no abismo da solidão, não me deixe mal, nem me vire ao avesso.
Já que agora eu sou o tempo e você, minha obsessão.”

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Reeditado 21/04/2015

domingo, 19 de outubro de 2008

Palavras Pensadas

(Texto de maio de 2001)

     “Deitado no chão puro, rodeado por imagens ofuscadas pelo vento que soprava forte e que fazia com que eu sentisse a brisa fria tocar minha pele, eu estava. Meu olhar perdido atingia o alcance daquele imenso céu estrelado. Percebia o quanto somos pequenos diante dele e o quanto somos grandiosos quando deitamos no chão puro para observá-lo. Meus olhos pareciam de vidro. Eu podia ver estrelas se deslocando e caindo no infinito do céu, eu podia enxergar o mundo diante dos meus olhos, eu podia sentir o cheiro de liberdade invadindo meu sentido de olfato. O céu ficava tão longe e ao mesmo tempo tão perto... Eu podia senti-lo. Deitado no chão puro, iluminado pela luz da lua cheia, ouvindo sons, ruídos da noite, eu estava. Procurando entre as estrelas o sentido de não encontrar sentido em sentir o que eu sentia. O vento conduzia meus pensamentos, as estrelas clareavam as sombras de minhas dúvidas e o silêncio purificava meu espírito. Era como se eu tivesse falando calado, vendo cego, dormindo acordado. Deitado no chão puro, me procurando entre a imensidão, eu estava. Sentindo a sensação de conseguir sentir o silêncio das palavras pensadas e o som do sentido das coisas. O barulho das folhas trêmulas das árvores trazia o vento da manhã. Já estava amanhecendo a lua perdia aos poucos seu brilho, só então fechei meus olhos. Senti as palavras que há tempos meu coração não pensava. Deitado no chão puro, coberto pelo vento, eu estava, dormindo, sentindo minha alma, insano no meio da rua. Encontrado na imaginação e perdido entre o céu, as estrelas e a lua...”

domingo, 12 de outubro de 2008

Apresentação: A transparência do Sentir

     Antes de qualquer coisa: não sou escritor. Meus textos não seguem exatamente as normas da gramática e por vezes as minhas palavras soam repetitivas. Escrevo, porque esta é a minha forma favorita de expressão, escrevo porque preciso transferir para algum lugar - seja uma página de papel ou uma página da web – os retalhos de sentimentos que surgem em minhas divagações. Escrevo para remediar minhas doenças. Escrevo para me livrar de meus próprios sintomasEscrevo porque anseio ser lido.  Entendo obviamente, que escrever é desabafo em sua maior parte, não resolução. Porém, entendo também, que a forma como registro este “estar de cada coisa” vai de certa forma emoldurando a minha própria história. Sou fascinado por tudo que é autobiográfico: não haveria então melhor caminho a seguir com esta minha “assim chamada escrita”.
     Os primeiros registros de textos que escrevi são do ano de 1998 (dezesseis anos atrás). Posso dizer que a partir desta data até aproximadamente o ano de 2007, escrevia constantemente como se fosse uma espécie de diário, onde os textos não seguiam uma fórmula exata. Mesmo assim, estes textos foram todos postados em um blog pessoal que intitulei de “Palavras Pensadas: o som do sentido das coisas” (estando agora em modificação). Basicamente, eles se resumiam em inconformismos e amarguras, passando por paixões não recíprocas avassaladoras da juventude, mágoas destiladas por uma explosão de sentimentos imaturos e logo ali, diários sobre como as escolhas, o tempo e principalmente a minha relação com os meus empregos e a sociedade do “ter de, adquirir” me fizeram sofrer de algo que chamava de “síndrome do arrependimento e sofrimento antecipado”. Um muro de lamentações, grafitado sem cor alguma em desenhos tortos. Resolvi, portanto, enxugá-los aqui. Exceto àqueles que apesar da distância, foram decisivos e contribuíram para moldar a minha personalidade.
     De aproximadamente três anos pra cá, meus textos foram tomando outro rumo e retratando novos interesses. O fluxo de consciência encontrou outras vertentes e desaguou em outros mares. Neste momento a frase “a transparência do sentir” começou a aparecer constantemente em meus devaneios. Esta frase de uma maneira direta e bastante intensa, imprime uma nova direção para o que escrevo, tornando meus relatos com um nível cada vez maior de espiritualidade, psicologia emocional e consequentemente de consciência.  Falar abertamente, com a transparência do que sinto coloca meu Ser em busca constante de evolução. Embora a confusão de sentidos também me fascine: deixo nas entrelinhas espaços abertos para interpretações. Desta forma, aqui inicia um novo ciclo que começa com um novo título para estas tantas divagações escritas. Nasce portanto, “A transparência do sentir: relatos de uma jornada interior”.
     Não haverá nestas palavras, nada de extraordinário. Meus textos, meus devaneios, minhas divagações me servem como uma terapia. Meus relatos interiores de acontecimentos puramente cotidianos entrelaçados com as minhas relações (de todos os tipos) e minha visão sincera sobre estes assuntos sendo compartilhados de uma forma aberta através deste “canal” é uma maneira de, através de minhas próprias experiências, inspirar a quem ler a sentir a coragem libertadora de olhar para dentro de si e vasculhar tudo o que há lá, numa viagem profunda ao autoconhecimento. 
         A estrada é longa. Seguindo a jornada...
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 Reeditado em 21/04/2015