segunda-feira, 12 de março de 2018

Apaixona-te pela tua existência

     Meu espírito livre e viajante está adoecendo dentro de mim. Meus sentimentos adoeceram e tenho andado vagando dentro de alguém que não sou eu. Minha alma estacionou, parou em algum lugar onde também ficou o meu sorriso verdadeiro, talvez lá naquelas fotos de uma linda viagem há exatos quatro anos atrás. Foi a última estadia de um sorriso realmente feliz, ao contrário desta nítida e forçada abertura de dentes que perdura em todos os recentes registros fotográficos. Brotam de um esforço, que engana muito bem.

     Cada um de nós está tão submerso em sua própria luta interna que a falha de olhar verdadeiramente para o outro se torna cegueira branca. E tanto acontece aqui dentro! Entre pensamentos que não deixam cessar a minha mente, algo grita: a mudança de comportamento na jornada está cada vez mais necessária. Há algum tempo após entrar com uma inclinação total em minha jornada evolutiva espiritual, fujo dos conflitos. Eu fujo dos conflitos pois em um passado não muito distante eu costumava perfurar a alma das pessoas com o que eu tinha a dizer. Eu costumava ser duro - nem sempre correto, nem sempre com a razão. E com o tempo, passei a me sentir tão primitivo por conta de minha falta de controle emocional, que isso fez com que eu simplesmente parasse de enfrentar qualquer situação na qual eu pudesse ferir alguém. Iniciei assim o que chamo de processo evolutivo da alma, porém, a cada mágoa não expelida, uma morada é construída dentro de mim e ela custa a implodir. Esta falta de enfrentamento da alma, não sou eu.

     Meu espírito está adoecendo dentro de mim.  Eu vislumbro uma aldeia e um curandeiro indígena no alto de seus setenta anos trabalhando sua cura espiritual com ervas e cânticos enquanto estou deitado e isso me acalenta. Eu vislumbro um mergulho em águas próximas a uma cachoeira, onde submerso ouço apenas o som das águas e isso me acalenta. Eu vislumbro uma situação hipotética de 100 dias em absoluto silêncio, sem fala, e isso me acalenta. Meu espírito está doente - há barulho demais aqui.

     Eu tenho ignorado tantos sinais. Tenho escondido internamente, somatizado e mostrado externamente em minha pele. Falta de imunidade emocional. Nem tudo que perdemos é uma perda, nem tudo que ganhamos deve ser celebrado. A linha tênue que separa os sentimentos é a corda bamba a ser percorrida pelo equilíbrio. Transmutação: aqui se inicia mais um processo de cura e a busca de uma força interior ainda maior, guiado pelos ancestrais, protegido pelos amparos e todos os Seres iluminados que me rodeiam. Minha jornada tem um longo e bonito caminho pela frente. Meus propósitos prevalecem. Minha gratidão prevalece.

    Diante de todas, exatamente todas as paixões da vida, Jack Kerouac em um de seus estalos de sabedoria, lembra da maior de todas elas: APAIXONA-TE PELA TUA EXISTÊNCIA. Pela tua existência, pois a finitude é o destino de tudo.