domingo, 15 de outubro de 2017

Rastejo emocional

     Li outro dia que a gente sabe quando está curado de alguma situação após conseguir contar aquela história que nos machucou sem qualquer dor. Mas estas histórias que estão dentro de mim agora, ainda me afetam, e ainda me deixam levemente doído. Estou mais uma vez em meu "processo de cura". Emocionalmente já vivi alguns momentos amargos e em todos eles eu pude compreender as razões muito tempo depois, diz-se assim é a vida, desse jeito vamos ganhando bagagem. Nas últimas semanas no entanto, o peso se tornou quase insuportável, tão grande que me deixou preso em algum lugar de minha mente que não conseguia encontrar a saída, meus pensamentos pousavam onde eu não conseguia escapar. Estava fechado demais para alguém com uma mente tão aberta,  sofrendo demais para alguém que enxerga a vida com um sentido tão pleno, desperdiçando tempo demais para alguém que entende a importância de cada instante da jornada.  Somos tão fortes para uma porção de coisas, tão frágeis para outra porção de coisas. Ambivalências.

    Após este período de rastejo emocional, onde minhas histórias já não cabiam mais dentro de mim, houveram ainda situações em que me senti tão excluso, tão deixado para trás, e isto me deixou com a autoestima tão rasa que quase me perdi. Aqueles momentos em que questionamos o quanto ajudamos e o quanto somos ajudados de volta, o momento em que percebemos que já não há espaço para nós, aquele momento em que questionamos as palavras e o tempo em que realmente éramos necessários. Alguns dos autores mais famosos já escreveram: o tempo não pára para você consertar o seu coração quebrado, seja ele quebrado por sua namorada, por seu esposo, por seu melhor amigo, por sua mãe, por qualquer pessoa que se tenha acreditado no amor. O tempo está ali apenas para retirar as mágoas de dentro e continuar em movimento. Cada qual é responsável por suas escolhas e no momento em que você não faz parte delas, você desenha uma nova estrada e trilha outro caminho para subir a montanha. Você fecha os olhos e sabe quem realmente está te acompanhando e consegue discernir egoísmo de liberdade, necessidade de importância e você tenta compreender porque alguns ciclos se fecham antes do tempo determinado e o que pode aprender com eles. Você olha para dentro e percebe o quanto esteve junto, o quanto incluiu, o quanto se doou e vai assim tentando tornar a tristeza em sabedoria, mais outra vez.

    Li outro dia que a gente sabe quando está curado de alguma situação após conseguir contar aquela história que nos machucou sem qualquer dor. E eu quero poder recontar várias vezes as minhas histórias de coração aberto. Ausência de voz não combina com o tanto que tenho a dizer, com o muito que tenho a contribuir. Faço deste erros o chão que piso para a minha própria evolução. Sou nada, sou inferior, sem ego, aceito a condição. Nesta estrada que percorro, quero deixar em essência, o que posso oferecer com a minha luz, para que as lembranças minhas em cada história que vivo, sejam leves, prefiro deixar um riso bom. Todo dia renascemos em nós mesmos.

    De onde se está caído:  levanta e segue. Levanta e segue. Levanta e segue.